Malditos os retranqueiros. Morte aos que jogam só pelo resultado. Vida aos times que dão espetáculo, que buscam gols…

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

Eu mesmo já escrevi que “gol é um mero detalhe”. Mas foi dentro de um contexto. Após um empate por 0 a 0, Morumbi lotado, quarta-feira à noite, em 1974, valendo pelo título brasileiro do ano anterior. O Palmeiras jogava por um empate e o São Paulo precisava vencer. É o único caso em que admito um jogo sem gols, porque se joga por algo maior – um título. Fora isso, jogo sem gols é tapeação, engana trouxa, propaganda enganosa, entregar litro com rótulo de uísque cheio com cachaça ruim.

Um jogo de futebol nada mais é que a exibição de um espetáculo, onde o gramado é o grande palco. Jogadores são os atores, técnicos são diretores de cena e os torcedores a platéia. Quem, por acaso, aceita ir a um teatro em que a trama não termina? É goiabada feita com chuchu, cerveja sem álcool. É pior que dançar com prima feia.

Esta é a resposta que os americanos dão quando lhes indagam a razão do soccer não ter por lá o mesmo sucesso que faz o futebol deles, o basquete, o hóquei no gelo, o beisebol. Em todos estes esportes há emoção constante, os placares são movimentados. Quando as ligas locais não davam bola para a Fifa, os jogos do soccer não podiam terminar empatados. Havia decisão por “pênaltis em movimento”.

Nossos grandes jogadores sempre se fizeram notar por entenderam que não ganhavam/ganham apenas para ir a campo, jogar, mas para vencer. E, que só vence quem faz gols, mais gols que o adversário. Gol é vida. É oxigênio. É luz. E que empate sem gols corresponde à ausência de ar, de luz.

Zico – um bom exemplo – entendeu essa verdade e, por isso, se tornou, ao lado de Zizinho, o segundo maior jogador brasileiro em todos os tempos. Quantos gols marcou na bela carreira? Li no Google que foram 815. Para ele, o jogo só terminava quando o juiz apitava e apontava o centro do campo. Respeitava o adversário – isso mesmo, marcar um monte de gols revela mais respeito do que tocar a bola “matando o tempo”. E, principalmente, respeitava o torcedor.

O time brasileiro teria disputado o título da Copa de 1978, na Argentina, se tivesse jogado para ganhar ou perder contra os donos da casa, no empate sem gols em Rosário. E não ficasse achando que a diferença de três gols não seria tirada pelos hermanos no jogo deles contra o Peru. Nem me digam que os argentinos subornaram os peruanos, porque chefes da nossa delegação bem que tentaram dar um agrado a eles, só não o fazendo porque foram barrados de entrar no hotel onde se concentravam.

O Brasil de Parreira venceu a Copa de 1994, nos Estados Unidos, a trancos e barrancos, mas foi a Seleção de Telê, na Copa de 1982, na Espanha, que, apesar de derrotada, recebeu e recebe os maiores elogios. De estrangeiros e também de brasileiros.

Os grandes times do mundo, em todos os tempos – Honvéd, Real Madri, Milan, Barcelona, Bayern, Santos, não ganharam fama, não encantaram, porque eram certinhos, jogavam fechadinhos, tomavam poucos gols. Mas porque marcavam – e marcam – muitos gols. Podem tomar três, mas fazem quatro, cinco. Dão espetáculo, jogam sem medo, cumprem com fidelidade a jornada de 90 minutos. Respeitam o público.

Maldito o técnico que inventou a retranca. Maldito quem inventou essa bobagem de jogar pelo resultado, com regulamento debaixo do braço, como se fosse desodorante. Malditos todos os que não entenderam e não entendem que um time não joga para ganhar um campeonato, mas para vencer jogos. E que é a conquista do maior número de vitórias que vai lhe dar o título. Malditos os que, podendo marcar dez gols param no nono.​​

Salve as goleadas, salve o futebol alegre, ofensivo. Salve o Santos de sempre. Salve o São Paulo que tenta reviver sua história.

14 comentários em: “Malditos os retranqueiros. Morte aos que jogam só pelo resultado. Vida aos times que dão espetáculo, que buscam gols…

    1. Se não o maior, um dos. Pena que os comandantes do clube, na época, não souberam torná-lo permanentemente grande…

    1. È só observar a campanha do são Paulo e do Corinthians qm tem mais pontos no paulistão ?
      Vi o Corinthians ganha brasileiro 2011 e libertadores 2012 ganhando jogo de 1×0 companheiro
      Futebol é resultado pra depois sim pensar em espataculo
      Continua assim dano espetaculo e tomano de 4 pro audax q nois agradece
      Paulo Martins….

      1. Questão de opinião, claro, Scaff. Há os que guardam suas moedas debaixo do colchào, os que colocam as mopedinhas na poupança e os que investem…Esses produzem, faz algo de bom para o mundo

      1. Penso assim, Paulo. Futebol sem gols, retrtancados, esperando o erro do adversário dá sono, me espanta. E espanta o torcedor dos estádios. abss

    2. Wellington Scaff , mas considerando que é começo de trabalho dos dois técnicos, você acha mais fácil que o São Paulo do Rogério passe a se defender melhor, ou que o Corinthians do Carille passe a ser mais perigoso no ataque? Eu acredito mais na primeira opção…

    3. Sem clubismo??
      Acho mais fácil o carille arrumar lá na frente do q o Rogério ajeita a casinha lá atrás
      Como diz o velho ditado o melhor ataque é a defesa
      Hj nao foi diferente acompanhei o jogo do são Paulo e se nao me engano ganhou de 3×2 no sufoco
      Tem uma das piores defesas da competição
      Mas respeito sua opinião tbm parceiro

      1. Não se trata apenas de ganhar o jogo, ganhar tres pontos, olhando apenas o resultado de 90 minutos. Trata-se, além, e também, de respeito ao público. É por conta desses resultados sem gols, vitórias por 1 a 0, ajuda de árbitros etc, que o público é cada vez menor nos estádios…

    4. são prejuiçosos, como são medrosos os técnicos retranqueiros, os jogadores que aceitam as ordens para bater etc. Futebol de resultado é como esconder o talento recebido por Deus

  1. Futebol ofensivo é da característica do nosso jeito de jogar o esporte bretão. A busca pelo resultado é importante, mas a necessidade de manter nossa principal característica futebolística é fundamental.

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