Meu testemunho sobre a “Invasão Corintiana”

Créditos da imagem: corinthians.com.br

Meus amigos, em 1976, eu era casado de novo e uma das coisas que mais sinto foi não ter presenciado o jogo Corinthians x Fluminense, de 05/12/1976.

Foi o maior deslocamento popular por causa de um evento esportivo.

No sábado que antecedeu o jogo, ainda tentei conseguir alvará em casa para viajar para o Rio. Não teve jeito. Resolvi então ir ver os ônibus da Gaviões da Fiel estacionados na rua Santa Efigênia que sairiam à meia-noite. Nem na rodoviária se via tantos ônibus. Veio um rapaz meio choramingando perto de mim falando: por favor, compre a minha passagem, não poderei ir, minha mãe está doente. Puxa, que tentação. Mas lembrei-me do ultimato recebido em casa: se você for não precisa voltar.

No domingo, desde as 10h, a Jovem Pan estava a postos com a equipe de Osmar Santos. Quando deu 1h da tarde, metade do estádio estava tomado pela torcida paulista e o presidente Francisco Horta falou ao vivo na Pan: “Sensacional, nunca vi nada igual. Vou imediatamente clamar para a torcida do Fluminense comparecer em massa”.

E foi isso que aconteceu. Público de 146.043 pagantes (!).

Lembro-me que desde as 11h fiquei concentrado na sala à espera da partida na TV. Com gols de Carlos Alberto Pintinho aos 18 e Ruço aos 29 do primeiro tempo, tivemos o jogo terminado em 1 x 1 . A chuva que caiu beneficiou o Corinthians, menos técnico. Nos pênaltis, Corinthians 4 ( Neca, Ruço, Moysés e Zé Maria) x Fluminense 1 ( Carlos Alberto Pintinho ). O herói nas penalidades foi o goleiro Tobias.

9 comentários em: “Meu testemunho sobre a “Invasão Corintiana”

  1. Caro Gilberto Maluf, embora sequer tivesse nascido à época da “invasão”, eu, assim como você, queria ter estado lá e testemunhado esse grande momento do nosso futebol. Obrigado por nos proporcionar essa viagem no tempo. 😉

    1. Fernando Prado, um amigo carioca escreveu sobre o evento : Esta passagem me fez reviver mais uma das inesquecíveis tardes que
      vivenciei no Maracanã. A imprensa carioca badalou este jogo durante toda a semana,
      conclamando a torcida não só do Fluminense, mas a carioca para impedir a
      anunciada invasão Corintiana no nosso templo sagrado do futebol. Creio que
      não havia muita crença de que o fato acontecesse e, caríssimo amigo,
      aconteceu! Foi um dos mais belos e inacreditáveis espetáculos que tive o
      privilégio de presenciar.

      Grande parte da caravana Corintiana chegou ao R.J. ainda na parte da manhã
      e antes da ida para o Maracanã fizeram um tour pela cidade. O espetáculo
      despertou entre toda a imprensa um frenesi pelo ineditismo do acontecimento.
      Ainda assim havia certa incredulidade se realmente a torcida ocuparia metade
      das arquibancadas, e aconteceu! Um fato histórico deste quilate,
      só poderia acontecer no Maracanã. Desculpe-me, mais em nenhum outro lugar,
      seria tão apropriado. A alegria da torcida contagiou e emocionou a todos os
      presentes. Acredite que talvez tenha sido um dos jogos em que concentrei as
      minhas atenções muito mais nas monumentais arquibancadas do que no gramado,
      e
      olha que o FLU tinha um timaço, conhecido por aqui como a máquina tricolor.
      Foi simplesmente deslumbrante! Até hoje não sei como classificaria a
      qualidade do jogo, porque o grande espetáculo nos foi proporcionado pela
      fiel torcida do Corinthians. Foi a mais bela demonstração a que assisti de
      amor de uma torcida pelo seu clube. Metade do Maracanã transformou-se, para
      nossa surpresa, em um mar de bandeiras branco e preto. Nos penaltis
      realmente o grande herói foi o Tobias.

  2. Apesar dos meus nove anos nessa época, tenho na lembrança a história desse jogão e de uma invasão histórica. Como é bom relembrar esses momentos!

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