Michelangelo foi campeão do quê? Obra de arte, pro São Paulo, é troféu!

Créditos da imagem: SPFC

Meu ídolo Muricy Ramalho, o corcel alado do tricampeonato, dizia “quer espetáculo? Vá ao teatro!”. Pois Belmiro Mironga, o colunista, ousa aperfeiçoar o comandante: pra torcida do SPFC, o espetáculo é a liderança. Os torcedores não estavam no Morumbi pra ver belas jogadas e futebol moderno. Legal se acontecer, mas se faltar não tem problema. É só ir ao Youtube. O que não podia ficar de fora era ganhar o jogo. Fosse com gol de bloqueio, fosse com o gol de um centroavante que nem sessenta gols fez com quase trinta anos.

Podem discutir o que quiserem no futebol, mas uma coisa é certa: quando um time é campeão, no troféu vai aparecer só o nome do ganhador. Não vai estar escrito “venceram, mas que time horroroso…”. Podem falar à vontade que Thiago Silva fez uma grande Copa. Daqui a trinta anos vão se lembrar de Lúcio, Edmílson e Roque Junior, mas não dele. Já pensaram se Telê não tivesse ganhado o mundo duas vezes no São Paulo? Entraria pra História como o profeta do romantismo derrotado. É fácil falar que vencer não é tudo quando seu time foi campeão há pouco tempo. Do contrário, vencer não é apenas tudo. É muito mais.

O Flamengo é o melhor time do Brasil? Então que ganhe o campeonato brasileiro pra comprovar. Pontos corridos são pra isso, mesmo. Não tem a desculpa do mata-mata, aquela de que um jogo ruim apaga toda uma campanha brilhante. Da mesma forma como muito time ruim ganha mata-mata na base da sorte, oras. E não venham com essa de que estão jogando competições simultâneas. Estão cheios da grana, certo? Não falta elenco pra jogar quarta e domingo sem deixar a peteca cair. Agora estão em segundo, com um jogo em casa a mais. Portanto, hoje não são melhores de porcaria nenhuma. O melhor, até posição em contrário, é quem está na frente.

Daqui a pouco vai aparecer algum comentarista recalcado, provavelmente rubro-negro, dizendo que “pelo bem do futebol” tem que dar Flamengo ou Grêmio. Pelo bem do futebol tem que ganhar um time sem pênalti estranho, gol em impedimento, etc… O resto não é da conta de jornalista esportivo. Não gostou, que mude da sessão de esportes pra crítica de arte. Dizem que a beleza de um quadro é subjetiva. No futebol, é objetiva. Tá ganhando, é Picasso. Tá perdendo, é pintor de praça. Por isso é esporte do povo. Não é aqueles em que você não entende por que fulano ganhou “nota nove, quatrocentos e sessenta e cinco e meio”. Mudo de canal na hora.

E chega de maldição do Juvenal, ano da marmota e tal. Juvenal já morreu e ficar lembrando o passado mantém a conjunção cósmica desfavorável. OK, a gente se enganou quando achou que era só uma fase. E vai continuar quebrando a cara muitas vezes. Mas hoje o são-paulino tem que acreditar e investir nisso. Depois que for campeão, até canelada do Trellez vira gol de placa. A arte que se exploda!

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