Muricy precisa de tempo. Mas também precisa fazer novas apostas

Créditos da imagem: Gilvan de Souza/Flamengo

O Flamengo de Muricy começou o ano de 2016 como acabou o Flamengo de 2015 de Oswaldo (e também de Cristóvão e Luxa): desorganizado, errando muito passe e apostando na titularidade de jogadores como Wallace, Márcio Araújo, Éverton e Gabriel. E o resultado foi o mesmo que ano passado se repetiu diversas vezes: o time perdeu o primeiro tempo para o Ceará por 1 x 0, numa etapa de poucas emoções.

O novo (pero no mucho) Flamengo começou com Paulo Victor, Rodinei, Juan, Wallace e Jorge; Márcio Araújo, Arão e Éverton; Gabriel, Sheik e Guerrero. De bom, apenas algumas subidas em velocidade de Rodinei. E só. O que se viu foi um corre-corre sem direção e sem criatividade na frente, além da falta de compactação e recuperação do meio-campo para trás. Ou seja, tudo como dantes, com a novidade da lentidão do veterano Juan – normal pela idade, forma física e por ser começo de temporada.

Ou seja, um show de horrores desanimador para o rubro-negro, que piorou quando Silóe, o melhor do Ceará, decretou a vitória parcial, e justa: o Vozão atacava mais e melhor, motivado por ser mandante. O ano de 2015 ainda não havia terminado pro Flamengo.

Mas com o intervalo do jogo, e as mudanças quase em totalidade dos dois lados, o cenário sofreu uma leve mudança. É verdade que numa subida louca para córner do Flamengo, o Ceará contra-atacou e ampliou com Bill. Mas o Flamengo resolveu ditar o jogo, e tinha poder para isso, principalmente nos pés de Mancuello e Cirino. Começava assim, um Flamengo diferente, com Paulo Victor, Pará, Wallace, César Martins e Chiquinho; Jonas, Canteros e Mancuello; Cirino, Sheik e Guerrero.

O time cresceu, passou a apostar na velocidade de Cirino e Sheik, e também Chiquinho. E apareceu a grande esperança rubro-negra para 2016: o argentino Mancuello distribuiu lançamentos em profundidade até achar Sheik, que driblou o goleiro e diminuiu: 2 x 1. Os reservas do Ceará não se achavam, enquanto o Flamengo insistia. Guerrero, numa maré de azar tremenda, quase fez. Sheik, num passe do peruano, mandou na trave. Mas foi num bolão de Alan Patrick, que substituiu Jonas, que Sheik tentou achar Guerrero para consagrá-lo, sem goleiro. Mas o zagueiro Salazar estava na frente e fez contra, aumentando a maré de azar do peruano e empatando o jogo.

O Flamengo ia para a frente e o jogo fluía, até que Mancuello, de novo, achou Chiquinho, que cruzou para Cirino fazer 3 x 2. O rubro-negro parecia que venceria, de virada e de maneira justa, mas dormiu enquanto comemorava e tomou o empate. Nos pênaltis, Wallace perdeu e Guerrero ampliou ainda mais a fase ruim e o Ceará foi o campeão da Taça Asa Branca.

O resultado, na realidade, é o que menos interessa. Há lições que Muricy deve tirar, e uma ele já sabe, tendo citado na transmissão: o passe do time é muito ruim. Mas é muito ruim porque, além da falta de qualidade de alguns nomes, falta compactação. Cabe ao treinador conseguir fazer esse trabalho, e seu estágio no Barcelona no período sabático deve ajudá-lo, ou ao menos é o que esperam a diretoria e a torcida rubro-negra.

Outras lições que Muricy já tem que ter em mente desde já: não dá para insistir com alguns nomes, pelo menos não como titulares. Gabriel e Márcio Araújo pouco ajudam, e muitas das vezes atrapalham. Não têm futebol para estar entre os 11 titulares. O mesmo serve, aqui um caso à parte, para Wallace. O zagueiro, além de não conseguir se firmar depois que virou capitão, sequer pode carregar essa tarja. Emocionalmente instável, sobe constantemente ao ataque em jogadas pouco produtivas. E falha individualmente lá atrás, lembrando aquele Wallace de sua chegada em 2013, ainda que não seja o único culpado pelos erros defensivos. Éverton é outro nome que caiu de produção e  com a grande concorrência no meio rubro-negro, deverá perder o status de titular.

Por outro lado, a aposta em Cirino pode surtir efeito. Bola o atacante tem, e Muricy, se motivá-lo para entrar no eixo fora de campo, terá um grande reforço. Mancuello estreou bem e mostrou o que dele se esperava: passe refinado e visão de jogo. Falando em visão de jogo e questões fora de campo, ambos se aplicam a Alan Patrick, que também é um nome para se pensar no time titular de início de temporada. Das novas contratações, além de Juan, que preocupa pelos fatores citados lá em cima, Rodinei, Chiquinho e Arão tiveram participações regulares e merecem ser mais bem avaliados.

Muricy precisa de tempo e a diretoria está disposta a dar esse tempo. Mas o relógio da torcida é diferente, e o treinador vai precisar mostrar que realmente quer mudar a péssima impressão deixada por boa parte desse elenco em 2015. Vai ter que trabalhar em cima dos novos nomes, mas principalmente, esquecer por um tempo alguns. Haja trabalho!

12 comentários em: “Muricy precisa de tempo. Mas também precisa fazer novas apostas

  1. Muricy pelo amor de Deus coloca os zagueiros do sub 20 q são melhores que essas porqueiras do Juan e Wallace esse meda do Wallace ainda com a faxa de capitão e fim do futebol no flamengo vai pra china porqueira

  2. Excelente avaliação! Não sei o por quê da insistência dos técnicos em deixar que jogadores como wallace e gabriel sejam titulares, o Jonas poderia jogar no lugar do marcio e o César no lugar do wallace, até que outro chegue para substituir o juan. O time ideal seria: PV, Jorge, César, Zagueiro(reforço), Rodinei, Arão, A.Patrick, Mancu, Cirino, Guerrero, Sheik.

  3. Muryci… Apenas bom tecnico.. Foi multicampeao… Com bons elencos e sempre.retranqueiro… So nao foi retranqueiro no santos… Do resto.sempre montou.seus.times com 3 zagueiros e dois volantes cabeca de bagre!!!
    Nada tem acrescentar taticamente!!
    Ele e a cara do flamengo… Vivendo do passado!!!

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