W3vina.COM Free Wordpress Themes Joomla Templates Best Wordpress Themes Premium Wordpress Themes Top Best Wordpress Themes 2012

Não culpemos os técnicos estrangeiros. Mas que também não aliviemos

FotorCreated

Créditos da imagem: Montagem do No Ângulo

Sou um entusiasta da contratação de técnicos estrangeiros para o futebol brasileiro. Inclusive, gostaria que o treinador da Seleção fosse o Guardiola. Simplesmente não vejo nenhum sentido em separar treinadores entre “brasileiros” e “estrangeiros”, como se representassem categorias absolutamente distintas. A nacionalidade não interfere na qualidade do profissional, mas aqui no Brasil ainda tem muita gente injustificadamente resistente a entregar o comando técnicos das equipes a quem nasceu em outro país.

Mas como toda ação provoca uma reação, como consequência, teve início outro movimento: o da supervalorização e simpatia pelos técnicos gringos. Como há esse boicote nos meios mais conservadores do nosso futebol (especialmente os dirigentes, mas também técnicos corporativistas e até parte da imprensa), e a nossa “autoestima futebolística” está no fundo do poço, apostar em estrangeiros passou a ser visto como “ser moderno”.

Por exemplo, após a saída de Muricy, o São Paulo definiu que o próximo treinador seria estrangeiro, e entre vários nomes cogitados, o colombiano Osorio foi contratado. Eu concordo com a decisão do tricolor do Morumbi: num momento em que não há boas opções de técnicos no mercado brasileiro, faz todo o sentido buscar alguma solução lá fora. Ainda mais que a escolha pareceu ser muito criteriosa. Só que, feliz ou infelizmente, até agora não está rendendo frutos.

Antes, o Inter investiu no uruguaio Diego Aguirre. Inicialmente muito contestado por não formar uma equipe titular, passou a colher bons resultados (título gaúcho e semifinal da Libertadores) e foi utilizado por boa parte da imprensa nacional como exemplo de “mentalidade mais avançada do que a dos brasileiros”. Nessa época, ninguém ousava dizer, por exemplo, que o Inter não mostrou um futebol convincente contra o Atlético Mineiro nas duas partidas pelas oitavas-de-final da Copa Libertadores, e que sua classificação foi um tanto quando circunstancial. Mas agora, com a categórica eliminação contra o Tigres do México, a campanha abaixo da crítica no Brasileirão começa a pesar.

Não sou do tipo que tem por princípio a defesa da manutenção dos treinadores: várias vezes vejo total sentido na troca de comando. Como exemplo, acho absurdo que ainda hoje muita gente diga que o Palmeiras teria os mesmos resultados caso tivesse mantido Oswaldo de Oliveira e não contratado o excelente Marcelo Oliveira. Mas apesar disso, defendo que os estrangeiros de São Paulo e Inter sejam mantidos, pois enfrentam problemas que fogem da alçada de um treinador: enquanto o colombiano tricolor chegou no meio da temporada e teve que encarar perda de atletas e salários atrasados, o uruguaio colorado conta com muitos atletas lesionados e teve a parada da Copa Libertadores em função da Copa América que prejudicou muito a mobilização dos jogadores. Só não dá para querer perfumar e dizer que o que foi mostrado até agora é bom, porque não é, seja o profissional nascido aqui, em outro país ou em Saturno.

Como nós brasileiros costumamos ser muito imediatistas, já prevejo uma onda de “cadê os estrangeiros que iam salvar o nosso futebol?”, “não é só colocar um estrangeiro de técnico que está tudo resolvido?” e por aí vai. Por isso, acho importante mantermos a serenidade e não criarmos “facções”. Osorio e Aguirre não têm nada em comum e devem ser vistos isoladamente, assim como os recentes fracassos de Felipão não impediram que seu contemporâneo e compatriota Levir Culpi fizesse o fantástico trabalho que vem realizado no Atlético Mineiro.

E que não usemos Gareca, Osorio e Aguirre como parâmetro para o Guardiola na Seleção. O catalão é simplesmente o treinador mais revolucionário das últimas décadas do futebol mundial. Ele está para os citados mais ou menos como o extraordinário e genial Messi está para o ótimo Lucas Pratto.

Criatividade na crise – Por mais trocas no futebol brasileiro
Palpites da 16ª rodada do Brasileirão 2015

Escrito por:

- possui 157 artigos no No Ângulo.

Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

Entre em contato com o Autor

Deixe um comentário

Enquete

Qual o maior técnico brasileiro dos últimos tempos?

Ver resultados

Carregando ... Carregando ...

Colunistas

Gabriel RosteyGabriel Rostey

Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

Emerson FigueiredoEmerson Figueiredo

Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

José Maria de AquinoJosé Maria de Aquino

Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

Gustavo FernandesGustavo Fernandes

Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não resiste a um bom debate sobre esportes, desde futebol até curling. São-paulino, é fundador e moderador do Fórum O Mais Querido (FOMQ). Não esperem ufanismos e clichês. Ele torce, mas não distorce.

Jorge FreitasJorge Freitas

“Prata da casa” oriundo da Coluna do Leitor, este internacionalista é tão louco por futebol que tratou do tema até em seu TCC. Mestrando em Análise e Planejamento em Políticas Públicas, neste espaço une o gosto por escrever com a paixão pelo esporte mais popular do mundo.

Fernando PradoFernando Prado

Natural de Brasília, mas residente em São Paulo desde que se conhece por gente, é um apaixonado por esportes e pela “sétima arte”. Jornalista e advogado, busca tratar o futebol com a descontração que lhe é peculiar, com o compromisso da boa informação e opinião consistente.

Fernando GaviniFernando Gavini

Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

Assinatura por e-mail

Arquivos

©2017 No Ângulo - Todos os direitos reservados