Neto e a boçalidade autêntica – e milionária

Créditos da imagem: Portal Comunique-se

Neto quebrou uma televisão ao vivo. Motivo: a entrada de Kazim no Maracanã. Deve ter bombado. O que seria um grande prejuízo pra grande maioria da população, pra ele é dinheiro de Guaraná Poty. Com espaço na TV aberta, na TV paga e no rádio (até blog ele tem, sem saber escrever), é um dos que mais ganham na mídia esportiva. Talvez mais do que como jogador, com a vantagem de que a carreira não é curta. Pelo contrário. Pra quem se estabelece, é quase eterna. Neto dá audiência por “dizer o que pensa”. Se os seus ouvintes falassem o que pensam (?) como ele, ficariam desempregados, divorciados, etc… Ainda assim, são tontos o bastante pra encher os bolsos de uma única pessoa.

Claro que não é pra qualquer um chegar onde Neto chegou. Precisa ter aquele poder nato de falar coisas desagradáveis e soar como “autêntico” em vez de estúpido. Pouquíssimas pessoas têm. Menos ainda são as que faturam com isso. Mas não é só. Precisa de uma união estável e eterna com a ignorância. Cultivá-la mesmo, ainda que seja alvo de chacota. Como quando Neto falou que o volante Fernando parecia ter dois pulmões e, ao ser informado que todo mundo tem (inclusive ele, que andava em campo), replicou dizendo que não é médico pra saber. E não adianta apenas fingir não saber. Se tem uma coisa que ignorante sabe é farejar ignorante e recusar imitações. Por isso Galvão Bueno não assiste futebol europeu, nem pega num livro de geografia e muito menos aprende a pronunciar nomes. Fora a genialidade que só a desinformação propicia, como colocar o Batman no ataque do Real Madrid.

Fico com pena de Chico Lang e Roberto Avallone. São, como diriam os babacas modernos, os polêmicos “raiz”. Considerando o que os atuais ganham, vivem mesmo de raiz. Milton Neves apareceu como convidado num Mesa Redonda de 1997, xingou o anfitrião e fez insinuação homófoba contra outro integrante. Quando percebeu o sucesso da receita, roubou-a e espalhou por aí. Exatamente como a rancorosa Elaine Benes fez com o Soup Nazi naquele episódio de Seinfeld. Claro que não adianta seguir a receita sem os ingredientes. Mas quem os têm na despensa ficou rico com ela. Roberto e Chico não ficaram. Pateticamente, abriram as fronteiras da terra prometida e não conseguiram entrar nela. Não porque Deus ou Charlton Heston (ou ambos) proibiu, mas porque foram atropelados pelos seguidores – que nem menção honrosa fizeram constar nos contracheques.

Não posso negar que Neto é generoso. Trouxe parceiros igualmente ignorantes, mas sem o mesmo talento pra falar besteira e bombar – sim, também não é pra qualquer um. Ao lado deles, também temos jornalistas que deixaram o “diplomismo” de lado. Não por convencimento. Apenas se deram conta que ex-jogadores histriônicos ou engraçadinhos garantem programas no ar. Consequentemente, garantem seus empregos. Na hora de pagar as contas, é o que importa. Como Agostinho Teixeira contorcendo os miolos pra concordar com as asneiras do chefe Datena – que, por sinal, tem diploma. E por que isso acontece? Porque o público prefere. Poderiam prestigiar quem pensa e faz pensar. Mas não querem. Escolhem, orgulhosamente, aquele que opina sobre tudo sem saber de nada. Olham-se no espelho em narcisismo da própria mediocridade.

E poupem-me de culpar a “falta de educação”. No passado o Brasil tinha até mais analfabetos. Nem por isso enriquecia seus toscos populistas. Havia uma saudável vergonha pela ignorância. Uma vontade de ao menos disfarçar. Hoje é motivo de orgulho. E, para os ignorantes mais espertos, lucro. Muito lucro.

16 comentários em: “Neto e a boçalidade autêntica – e milionária

  1. O que podemos esperar de um país como o nosso. Sua crónica é cirúrgica, mas de nada servirá. Somos os bobos da corte , e quem tem o dom da palavra prospera. Ouvimos charlatões todos os dias , uma midia omissa covarde conivente que flerta com o poder. E assim caminha a nação de políticos pastores e agregados, que nos fazem de idiotas o tempo todo. Cada povo tem o que merece , e merecemos o lixo que produzimos.

  2. Esporte na Band respira por aparelho, a programação soa mas como humorístico, do que esportivo. Mas a Globo não foge muito, a diferença é que lá pro comentarista se manter ele tem que medir muito bem as palavras, e as leituras de jogos sao sempre iguais. Enquanto uns falam pra gerar polêmica outros falam pra pagar de bom moço.

  3. Neto mito…..Bom no que faz não liga para os invejosos vc da audiência e esses pé de rato assisti todos os dias seus trouxesse falar mal mas assistem o caro parabéns Neto

  4. Até concordo com alguns argumentos vossos, mas essa perseguição não é justa.
    Neto não é personagem. Ele é povão, não esconde o que sente, mas claro, ele exagera, e quem o ama gosta disso.
    Errado é achar que ele não tem filtro.

    Entre Juninho pernambucano lacrando na Globo (graças a Deus saiu) Caio asséptico e Neto, prefiro mil vezes o Neto

  5. Esses trastes como o Neto provocam um retrocesso cada vez maior na cultura futebolística do nosso povo!!!!!! Tudo fica cada vez mais fanfarrão e tosco!!!!! Uma pobreza absoluta!!!!!!!!

  6. Neto é horrível, conteúdo fraco demais. Aliás estamos péssimos de comentaristas na tv aberta e fechada. Por isso prefiro ler as análises do Tostão.

  7. Bem definição de Neto jogador medíocre que nunca ganhou nada a não ser um Brasileiro com o Curinthiasn e que usa o mesmo para se promover fato

  8. Cara vc eo ser mais desprezível do jornalismp atual rancoroso e vingativo seu texto e um lixo….o neto eo cara mais que ajuda na tv seu babaca….

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