Neymar, CBF e a falta que um ídolo consciente e atuante faz

Créditos da imagem: globoesporte.com

O futebol brasileiro precisa de um ídolo. Na verdade, o esporte brasileiro necessita do surgimento de novos ícones. Atletas que façam o povo ter orgulho do seu país e justifique o velho cântico ecoado nos estádios durante a Copa do Mundo, aquele que fala do orgulho e do amor de ser brasileiro.

Evidentemente que temos outras maneiras, talvez até mais consideráveis, de sentirmos orgulho do nosso país, mas o esporte – e precisamente o futebol – está no “sangue” de todos nós e influencia sobremaneira a vida de muitas pessoas.

Penso se atualmente temos algum jogador brasileiro que se encaixe nesse perfil de ídolo e rapidamente a resposta surge em minha cabeça: Neymar. O atleta do Barcelona é indiscutivelmente o jogador mais técnico do futebol tupiniquim e, ao meu ver, foi eleito o terceiro melhor jogador do mundo no ano passado com justiça. A habilidade do hoje craque mundial traduzida em seus dribles e gols encantam e alegram o povo.

Então podemos considerar que temos um ídolo? Não!

Para ser um ídolo, é preciso muito mais do que ser excelente dentro das quatro linhas. Neymar possui um poder gigantesco para tentar mudar o cenário calamitoso em que o futebol brasileiro se encontra. Cenário esse que vai muito além das péssimas atuações e resultados que o Brasil vem obtendo.

Não é novidade que a entidade que controla o nosso futebol está envolvida em diversos casos de corrupção. A Confederação Brasileira de Futebol há muito tempo já é contestada pela maneira que conduz o futebol brasileiro. Uma entidade que não dá a mínima para os seus filiados (e por pura falta de interesse, porque recurso tem), e que deixa a maioria dos clubes brasileiros sem atividade por mais de seis meses no ano (somos o país do futebol realmente?).

Uma confederação de futebol que é a maior responsável pelo distanciamento do torcedor com a Seleção Brasileira e que tem em seu presidente, o Sr. Marco Polo Del Nero, a figura de um dirigente desacreditado. Presidente esse que não pode sequer viajar com a delegação para fora do país pois teme ter o mesmo destino de seu antecessor, José Maria Marín (preso na Suíça durante a realização de um evento da FIFA). Posso elencar vários outros motivos da razão de combatermos a CBF, mas daria uma monografia e esse não é o caso.

Percebe-se, assim, que temos um candidato a ídolo do nosso futebol de um lado e uma confederação apodrecida de outro. Será?

Não, para nossa decepção, não temos no Neymar um ídolo dos brasileiros. Se dentro de campo ele resolve, fora dele falta maturidade e compreensão de que o futebol vai muito além de seus gols e dribles. Imagine se o jogador recusasse em defender a Seleção enquanto a gestão da CBF não mudasse e as velhas, quase barrocas, figuras que compõem o seu quadro há décadas não saíssem de cena?!

Mas por que o Neymar?

A resposta é simples. O Neymar é o único jogador brasileiro unânime nas listas de convocações e/ou que o torcedor sentiria falta caso não estivesse na Seleção. Percebemos isso claramente na Copa América Centenário. Nenhum outro jogador tem essa força, nenhum. O apelo de Neymar (por parte da imprensa e da torcida), é infinitamente maior se comparado ao de seus companheiros do escrete canarinho.

Porém, o atleta parece não querer se preocupar com essa causa. Afinal, há muita grana e interesses envolvidos, não é mesmo? Pena. Uma recusa em defender a “amarelinha” pelos motivos citados seria um “tapa na cara” da CBF e a colocaria em situação ainda mais complicada. Por enquanto, a confederação se blinda com as suas convocações e até mesmo com a chegada do popular e bem quisto Tite no comando técnico da Seleção.

Mas o Neymar é obrigado a lutar por uma nova CBF?

Para se tornar um ícone no esporte brasileiro certas atitudes são determinantes para que o atleta seja digno de receber essa honraria. Nem quero entrar na questão das recentes festas que o jogador vai, pois está de férias e por uma decisão errada do Dunga, ou da CBF, não foi para a Copa América para poder disputar a Olimpíada (o Dunga sentiu na pele os efeitos dessa desastrosa decisão). Porém é inaceitável a postagem de Neymar no seu Instagram a respeito de quem critica a Seleção. Afinal, como não criticar uma Seleção que em campo não iria para a Copa do Mundo (Brasil está em sexto nas Eliminatórias) e que foi eliminada da Copa América na fase de grupos (que, no caso do Brasil, era composto pelos “tradicionalíssimos”Equador, Peru e Haiti)? Detalhe: isso tudo depois do fatídico “7×1”.

Sendo assim, fica claro que o Neymar está fechado com os “parças” – e com os seus patrocinadores? -, mas parece não estar fechado com o torcedor brasileiro.

Acredito que não podemos perder esse momento de fragilidade da CBF para uma união entre atletas, torcedores, jornalistas etc. A CBF está um caos e, de tão podre, está se deteriorando sozinha. Nunca tivemos uma oportunidade tão clara para tentarmos seguir em uma outra direção e reforços serão bem-vindos.

Pena não podermos contar com o Neymar no nosso time.

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6 comentários em: “Neymar, CBF e a falta que um ídolo consciente e atuante faz

  1. Esse filhote de sabiá laranjeira nunca trouxe para a seleção 20% de seu potencial. Ou sai machucado ou expulso.

  2. Interessante o seu ponto, César Mayrinck! Concordo em partes. Também acho que a CBF está frágil como nunca e que devemos aproveitar o momento. Mas não acho correto cobrar de profissionais que têm os seus sonhos pessoais, que abram mão de defender ou fazer o que sabem para melhorar a Seleção.

    Não acho que seja necessário abrir mão de defender a Seleção para defender posições firmes. Na verdade, penso que teria até mais força se um Neymar, de dentro da Seleção, fizesse críticas ao futebol brasileiro. Jogadores como Daniel Alves e Douglas Costa falam muito mais do que o robotizado Neymar, e é isso o que me decepciona.

    1. Também seria um posicionamento interessante e bem legal de se ver. Entretanto receio que se o jogador não rendesse na seleção já seria acusado de estar fazendo “corpo mole” por causa da CBF. De qualquer maneira acredito que não veremos essas atitudes no Neymar.

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