No ciclo rubro-negro, Cristóvão Borges é o atual zumbi

Créditos da imagem: www.eusouflamengo.com

Quando Cristóvão assumiu o Flamengo, pensei com meus botões (e compartilhei no meu Facebook): vai durar pouco. Acho que me enganei. Hoje, acredito que Cristóvão vai durar MUITO pouco. E o motivo é simples: o ciclo rubro-negro trata alguns treinadores sem grife como zumbis. Mortos-vivos que perambulam entre derrotas, prontos para serem dizimados por algum mocinho, que nesse caso, são os treinadores medalhões.

Todo torcedor gosta de grife, e o do Flamengo ainda mais. O problema é que tem cartola que gosta. Porque o treinador medalhão se segura sozinho. Se blinda e protege todos à sua volta. Toma porrada pelo jogador e pelo dirigente. Toma porrada, às vezes, do jogador e do dirigente. E a atual diretoria rubro-negra, digna de aplausos pelos feitos administrativos e financeiros, é bastante insegura quando o assunto é futebol. Quando a questão é escolha de treinador, então, deixa a desejar tanto ou mais que as gestões anteriores. Eis o ciclo:

Quando demitiu Dorival Júnior não por questões técnicas, mas por caráter financeiro, optou por Jorginho. Apesar do DNA rubro-negro, faltava currículo ao treinador. A diretoria não bancou o tetracampeão, que ficou pouquíssimo tempo por conta da falta de resultados imediatos. Foi o primeiro zumbi do ciclo, em 2013. Cair era questão de tempo. E sem resultados, logo foi limado.

Depois, a opção foi Mano Menezes, que apesar de supervalorizado, tinha alguns feitos na carreira, incluindo passagem pela Seleção. Com boa grife, Mano decepcionou e pediu o boné de maneira até hoje mal esclarecida. A opção, então, foi não ter opção. Como em outras ocasiões da história do Flamengo, o interino Jayme de Almeida assumiu, arrumou a casa e conquistou um título. Conquista essa que os dirigentes rubro-negros têm obrigação de colocar em suas orações toda noite.

Jayme, num time de qualidade duvidosa, ganhou o Carioca com a ajuda do bandeirinha, mas fracassou na Libertadores e ficou com a corda no pescoço. De alguma forma foi bem e, com o corpo fechado graças às duas conquistas, não chegou a ser um morto-vivo. Talvez por não ter sido uma escolha da diretoria. Como um condenado na fila da cadeira elétrica, patinou no começo do Brasileiro e deu adeus. A diretoria até tentou bancar, sustentou pero no mucho. Talvez faltasse um pouco mais de rodagem, bagagem e… grife. Mas não foi um zumbi.

Quem chegou posteriormente foi Ney Franco, que não era exatamente um medalhão. Um treinador com conquistas até parecidas com a do anterior no próprio rubro-negro. E com alguma rodagem e experiência, visto por muitos até como moderno. Só que sua primeira passagem pelo Flamengo deixou marcas e a torcida ficou com o pé atrás. Era o segundo zumbi, em 2014: novamente, demití-lo seria questão de tempo. Sem ganhar durante a sua passagem, foi fácil mandá-lo embora.

Sem o peso no nome e sem apresentar resultados imediatos, a diretoria optou por refazer a escolha e demitir o treinador-cantor. Rodou para a chegada, aí sim, de um medalhão: Luxa.

Que assumiu o time, fez o que muitos chamam de milagre e tirou o Flamengo da zona da queda.  Na temporada seguinte, num elenco que ele mesmo montou, não conseguiu fazer o time evoluir. Só que Luxemburgo, cascudo, ainda tomou algumas porradas antes da diretoria optar por lhe dar o bilhete azul. Luxa pode ser fritado à vontade, mas não é zumbi. Sobra-lhe currículo, além de ser um cara “bem vivo”, havemos de convir. Acabou caindo para cima e agora está no bicampeão Cruzeiro. Restou ao Flamengo a escolha de Cristóvão Borges.

Que já chegou com a torcida rubro-negra com os dois pés atrás. Nem tanto pelas passagens por Flu e Vasco, dois rivais. Mais por conta da grife (ou falta dela) e dos títulos (ou falta deles). Com algumas características de Jorginho e Ney, o treinador necessitava de resultados imediatos para tirar o Flamengo da zona e sobreviver. Sem julgar a competência do técnico, Cristóvão não consegue as vitórias. Não só pela pressão que é o Flamengo – e talvez lhe falte experiência nesse ponto – mas também pela fragilidade do elenco rubro-negro, ainda em montagem. A situação do time da Gávea não permite o “toma lá, da cá” de se ganhar uma ou duas e perder uma ou duas depois. A cada derrota, Cristóvão vai balançando. Conforme matéria do UOL na semana passada, o mocinho/medalhão Oswaldo de Oliveira já estaria até apalavrado, só esperando a próxima derrota.

Ou seja, no atual ciclo rubro-negro, Cristóvão é o que Jorginho foi em 2013 e Ney em 2014: cairá a qualque momento, restando saber apenas quando.  A falta de convicção nas escolhas da maioria dos dirigentes é bem retratada no ciclo rubro-negro que torna qualquer treinador, um mero interino. Ou melhor, um zumbi.

7 comentários em: “No ciclo rubro-negro, Cristóvão Borges é o atual zumbi

  1. Uma pena, já que parece ser um cara conhecedor de futebol, bom de trato e correto.

    Com esse elenco, o Guerrero vai ter que jogar muita bola, viu?

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