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No “clássico do rugby”, Vasco venceu. Mas quem perdeu foi o espetáculo

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Créditos da imagem: Rádio Globo

O rugby é, pros leigos como eu, um jogo no qual se chuta a bola pra frente a fim de conquistar território. E ontem, pela primeira vez, vi um jogo de rugby inteiro, na Arena Pantanal.

Flamengo e Vasco entraram pressionados no Clássico dos Milhões, válido pela 9ª rodada do Brasileirão. Ambos no Z4, e o Vasco ainda por cima na lanterna. E nos primeiros movimentos da bola, coitada, puderam comprovar a quem por ventura tinha dúvidas: estão na zona do rebaixamento com muitos méritos.

Nem vou falar dos números, já propagados por aí: passes errados, chutões, chutes a gol, etc. Quero falar sobre o que meus olhos viram. E quase sangraram. Não vou dizer que foi o pior jogo que já vi na vida. Até porque, ultimamente, esses dois times têm protagonizado esse tipo de sensação.

Mas não é exagero dizer que foi o pior clássico que já tive o desprazer de parar para assistir. Foi de chorar. Flamengo e Vasco não acertavam o básico. Se fosse numa escolinha, o professor iria mandar voltar as jogadas vinte vezes. Os “melhores momentos”: uma boa jogada do Madson – que contou com a ajuda do possante Pico – que resultou num bonito gol de Riascos, logo no começo do jogo; e um chute de Alan Patrick para uma boa defesa do Charles, já no fim, quando o Flamengo fingia pressionar. O lateral-direito do Vasco, aliás, foi o suspiro de lucidez do time com a bola no pé, novamente. Juntamente com Émerson Sheik, que, para não dizer que não falei de flores, deu duas canetas, mas que pouco pôde fazer para evitar a derrota rubro-negra.

Agora, de jogadas bizarras, podemos lembrar as reposições de bola do goleiro César, as saídas do gol de Charles, os mil chutões dos zagueiros, os passes errados de um metro dos meias, as escorregadas que já viraram tradição no time do Flamengo e um lateral batido pra fora (!) pelo lado vascaíno.

Se o que interessava era a vitória, e era mesmo, o Vasco sai satisfeito. Precisava vencer de qualquer maneira, e assim o fez. O caminho é longo pra melhorar. Falta muito. Mas ganhar do maior rival era o melhor primeiro passo a ser dado. O próximo jogo é contra o Avaí, em casa, e com o apoio da torcida (será?) o Cruzmaltino tem totais condições de começar a se livrar da zona do rebaixamento (temporariamente).

Já o Flamengo, que também precisava vencer, deve começar a rever seus conceitos. Tecnicamente, alguns jogadores sequer deveriam pisar na Gávea. Mas outros, de quem muito se espera, conseguem estar abaixo desses. Só pra citar dois nomes, Canteros e Cirino enganaram muito bem os flamenguistas. Pico e Márcio Araújo deveriam ter sido dispensados junto com Luxemburgo.

O próximo compromisso do Fla é novamente contra um lanterna: o Joinville, em Santa Catarina. Para o time catarinense, ganhar do Flamengo é ganhar moral, respirar e ainda colar no concorrente direto. Para o Flamengo, outro jogo de seis pontos contra o pior colocado, ou seja, a  melhor chance possível, de novo, de mostrar o futebol que ainda não deu nem esboço este ano.

De qualquer maneira, a preocupação se mantém nos dois lados. Além de ocuparem péssimos lugares na tabela, os dois rivais sequer parecem com times de futebol. Ganhando ou perdendo, o espetáculo sempre perde quando os dois têm entrado em campo. Triste cenário e promessa de sufoco até o fim para as duas maiores torcidas do Rio de Janeiro.

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- possui 70 artigos no No Ângulo.

Carioca, graduado em Direito e universitário de Jornalismo. Mas antes de tudo, um opinólogo profissional, cronista do cotidiano, comentarista do dia a dia e palpiteiro da rotina.

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