No fim da fila entre os campeões, Flamengo tem histórico pouco animador na Libertadores

Créditos da imagem: Imortais do Futebol

Raul; Nei Dias, Marinho, Mozer e Junior; Leandro, Andrade, Adílio e Zico; Tita e Nunes, depois Anselmo. Foi com essa escalação que, em 23 de novembro de 1981, o Flamengo venceu o Cobreloa do Chile, em Montevidéu no Uruguai, por 2 x 0, dois de Zico, e entrou no até então pequeno rol de brasileiros campeões da Libertadores, logo na sua primeira participação. Antes do rubro-negro, só o Santos de Pelé (1962 e 1963)  e o Cruzeiro (1976) conseguiram o troféu mais importante das Américas.

Passados 35 anos da primeira e mais vitoriosa participação, o Flamengo enfrenta um jejum incômodo: dentre os brasileiros que levantaram o troféu, é o que está há mais tempo sem o caneco. Nesse ínterim, tanto Cruzeiro (97) quanto Santos (2011) levantaram o troféu novamente. Viu ainda o antigo “pequeno rol” aumentar bastante: Grêmio (83 e 95), São Paulo (92, 93 e 05), o arquirrival Vasco (98), o Palmeiras (99), até o sempre cornetado Corinthians (12) e o rival mineiro Atlético (13), além do Internacional (06 e 10) conseguiram colocar seus nomes na placa da Taça Libertadores. Dos doze grandes, apenas Botafogo e Fluminense, que bateu na trave em 2008, não têm a conquista e estão na fila há mais tempo que o Flamengo. Se levar em conta todos os campeões, só o argentino Racing está há mais tempo na fila: o primeiro e único título do outro time de Mauro Cezar Pereira foi em 1967.

A coisa fica ainda mais complicada se a análise for feita em cada uma das outras 11 oportunidades que o clube da Gávea viajou pela América do Sul. As melhores campanhas também fazem mais de 30 anos: então atual campeão, o Flamengo entrou na semifinal (dividida em dois grupos de três times) em 82, mas não conseguiu ser o melhor do seu grupo que tinha Peñarol, que seria o campeão, e River Plate. Já em 1984, após passar na primeira fase, conseguiu ir para a semi de novo, e no mesmo formato, ficou fora para o Grêmio, em um grupo que ainda tinha Universidad de Los Andes da Venezuela. Pior foi em 1983, quando na primeira fase, não conseguiu ser o campeão do grupo que tinha o Grêmio, que conquistaria a taça, além dos bolivianos Bolívar e Bloooming.

Aliás, ficar logo na primeira fase é corriqueiro para o rubro-negro: Em 2002, após nove anos sem participar da competição, foi o terceiro de um grupo com Universidad Católica, Once Caldas e Olimpia, que seria o campeão do torneio. O mesmo aconteceu nas últimas duas participações. Em 2012, o Flamengo de Ronaldinho viu o Emelec “roubar” a sua vaga nos últimos minutos da rodada final, em uma chave que também tinha o Lanús e o Olimpia. Em 2014, a “façanha” foi ainda maior: ficou fora para León do México e o Bolivar, dessa vez, morrendo abraçado com o Emelec.

O “Império do Amor” de Adriano e Vagner Love conseguiu o melhor resultado recente: Em 2010, passou na primeira fase com uma improvável combinação de resultado e eliminou o Corinthians de Ronaldo nas oitavas de final – no ano do centenário do clube paulista – em pleno Pacaembu. Ficou nas quartas para a Universidad de Chile, capitaneada por Montillo.

Também chegou nas quartas de final em 1991 e 1993. Na primeira, o Fla de Luxa até ganhou no Maracanã, mas foi trucidado pelo Boca Juniors de Batistuta na temida Bombonera. Dois anos depois, não resistiu ao então campeão São Paulo, que conquistaria o bi da Libertadores e do mundo.

Por fim, duas fortes derrotas seguidas nas oitavas: Em 2007, quase levou o jogo contra o Defensor do Uruguai para os pênaltis, mas acabou eliminado no Maracanã. E em 2008, a mais incrível eliminação, quem sabe, da história do clube: após passear na Cidade do México contra o América (vitória por 4 x 2), sofreu apagão na despedida do técnico Joel Santana e viu Cabanãs brilhar para eliminar o Flamengo em pleno Maracanã (0 x 3).

Em 2017, o rubro-negro vai para a 13ª disputa de Libertadores com 101 jogos, sendo 52 vitórias e 21 empates. É o 5º brasileiro que mais esteve na competição, empatado com o Santos e o Corinthians. E para novamente figurar entre os melhores da América do Sul, vai precisar passar de um complicado grupo com San Lorenzo, campeão em 2014, e Universidade Católica, além do vencedor da chave que tem  Deportivo Capiatá do Paraguai, Deportivo Táchira da Venezuela, Universitário do Peru,  Millionarios da Colômbia e o Atlético Paranaense.

DESEMPENHO DO FLAMENGO NA LIBERTADORES

12 PARTICIPAÇÕES

Eliminações na primeira fase: 1983, 2002, 2012 e 2014

Eliminações nas oitavas: 2007 e 2008

Eliminações nas quartas: 1991, 1993 e 2010

Eliminações nas semis: 1982 e 1984

Final: 1981(campeão)

Jogos: 101

Vitórias: 52

Empates: 21

Derrotas: 28

Gols feitos: 191

Gols sofridos: 124

Artilheiros da competição: 1981 (Zico – 11 gols), 1984 (Tita – 8 gols) e 1991 (Gaúcho – 8 gols)

6 comentários em: “No fim da fila entre os campeões, Flamengo tem histórico pouco animador na Libertadores

  1. Muito interessante, Caio Bellandi! Eu não tinha a menor ideia de que o jejum do Flamengo só era menor que o do Racing entre todos os campeões! É estranho como o Flamengo tem o peso de “time de decisão” no Brasil, e não consegue repetir isso na América do Sul! Mas acho que o perfil mais “operário” do time atual tende a ter melhores resultados na Libertadores.

    1. O Flamengo até 2008 fazia, num geral, campanhas que simplesmente condiziam com o time atual que tinha, sendo que em 93 creio que se não pega aquele São Paulo tão cedo, ambos podiam até fazer uma final. 2002 tinha um time horrível, 2007 era time pra no máximo oitavas ou quartas mesmo. Após o episódio Cabañas o Flamengo se traumatizou, em 2010 só foi até as quartas por pegar aquele Corinthians ainda pressionado por não ser campeão da Libertadores que não conseguia aprender a jogá-la e depois eliminações vexatórias na fase de grupos.

  2. Qual time brasileiro ganha a libertadores frequentemente? Os times brasileiros só se enteressaram a ganhar a libertadores graças ao flamengo se fizer um levantamento dos 40 times na libertadores o flamengo mesmo na fila tem números em outras competições melhores que a maioria

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