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Nova parada de Muricy é mais um golpe para o futebol brasileiro

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Créditos da imagem: Renato Pizzutto/ Alexandre Battibugli/VEJA

A decisão de Muricy Ramalho de deixar o Flamengo e o futebol para tratar de sua saúde, mesmo que seja provisória, torna ainda mais carente o mercado de técnicos em nosso país. Mesmo sem estar no seu melhor momento, Muricy é uma referência para os novos treinadores e uma das poucas opções de peso no Brasil.

Seu currículo acumula quatro títulos brasileiros (o único verdadeiro tricampeonato pelo São Paulo -2006, 2007 e 2008- e outro pelo Fluminense), uma Libertadores pelo Santos e sete estaduais competindo em São Paulo, Rio Grande do Sul e Pernambuco. Uma coleção de peso, somente chamuscada pelo baile que o Santos levou do Barcelona no Mundial de Clubes de 2011.

Muricy foi o cara que disse “não” ao convite para ser técnico da Seleção Brasileira, em 2010. Ele deve ter tido os seus motivos para fazer isso, mas aquele momento era o seu auge. Não podemos dizer o que teria acontecido se ele tivesse aceitado, mas dá para imaginar que não seria uma participação insossa.

Mesmo sendo discípulo do mestre Telê Santana, Muricy está mais para o futebol de resultados do que o futebol-arte. Seus times são bons marcadores, firmes no posicionamento. Mas, com jogadores de qualidade nas mãos, armou ataques muito bons.

Suas entrevistas, geralmente impacientes, não são concorrentes ao Prêmio Ternura, mas proporcionam momentos memoráveis. Ele parece curtir aquela pose de mal-humorado, que gosta de ironizar perguntas que considera fracas. Os gestos irritados à beira do campo também formam sua característica única.

Com a grana infindável dos chineses, o Brasil tem perdido técnicos-referência nos últimos tempos. Lá estão, por exemplo, três dos últimos treinadores da seleção: Felipão “7 a 1”, Mano Menezes e Luxemburgo. Muitos dirão que os três estão ultrapassados. Concordo. E é por isso mesmo que a interrupção da carreira de Muricy, provisória ou definitiva, é mais um golpe para o futebol brasileiro. Ele faz falta na renovação.

Tite, Levir e Cuca formam o trio experiente e comprovado no Campeonato Brasileiro. Dorival, Ricardo Gomes, Jorginho e mesmo Marcelo Oliveira estão em bom estágio, mas precisam ganhar regularidade. Roger é uma boa promessa que vem se concretizando no Grêmio. Abel está há muito tempo longe. Fernando Diniz é uma aposta arriscada, mas interessante. Posso ter esquecido aqui algum nome que os leitores achem justo mencionar, mas não fugi muito ao que todos podem ver nos nossos clubes. Exclui os estrangeiros por estar me referindo a treinadores brasileiros.

Estamos carentes de bons nomes. E Muricy tem importância por ser um excelente técnico e inspiração para as novas gerações. Espero que sua parada seja temporária, mas também acho que só vale a pena voltar se todos os riscos à sua saúde estiverem afastados.

Sem ele em campo o futebol perde em mau humor, fica menos ranzinza, sem as piadinhas marotas e, principalmente, com uma importante referência a menos.

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- possui 94 artigos no No Ângulo.

Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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10 respostas para “Nova parada de Muricy é mais um golpe para o futebol brasileiro”

  1. Vicente Prado (Coluna do Leitor) Vicente disse:

    Golpe? Golpe? Só se for um tremendo GOLPE DE SORTE. MULACY é um técnico ultrapassado, incompetente, irritadiço, com muita SORTE.
    JÁ VAI TARDE.

  2. Realmente, Emerson Figueiredo, o Muricy é um dos treinadores mais históricos do nosso futebol.

    Confesso que só gostei de deus trabalhos em 2006 e 2007. De resto, foram quase sempre times difíceis de encarar, ou que eram individualmente bem superiores aos demais (como no Santos).

    Mas, pelo trabalho em campo, acho que não vai fazer falta no momento. Fará falta mais como personagem mesmo.

    Boa recuperação ao Muricy!

  3. Concordo com o Gabriel Rostey. E além do Muricy, acrescentaria Vanderlei Luxemburgo e Felipão entre os que já não conseguem mais repetir o bom desempenho de outrora.

  4. José Maria de Aquino Paribar, na Dom JrrrrJose Maria Aquino disse:

    Seria imperdoável continuar insistindo, sabendo dos riscos. Ainda que já não tivesse feito sua independência financeira.

  5. Futebol nao vive de curriculos e nem de camisa se fosse assim a seleçao brasileira estava bem ne .futebol e um virus que mudam de estagios .nem sempre o passado sera vencedor amanha.e preciso inovar e jogadores com fome de vencedor e treinadores tambem.

  6. boa recuperacao murici sou grato pelo titulo do brasileiro de 2010 quando comandava meu fluminense

  7. Evair Lima disse:

    Otimo terinador ele Tite, Luxemburgo são os top que ganharam tudo no futebol Brasileiro.

  8. Bem feito quem mandou ir treinar perna de pau no Flamerda? ?


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Gabriel RosteyGabriel Rostey

Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

Emerson FigueiredoEmerson Figueiredo

Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

José Maria de AquinoJosé Maria de Aquino

Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

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Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não resiste a um bom debate sobre esportes, desde futebol até curling. São-paulino, é fundador e moderador do Fórum O Mais Querido (FOMQ). Não esperem ufanismos e clichês. Ele torce, mas não distorce.

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“Prata da casa” oriundo da Coluna do Leitor, este internacionalista é tão louco por futebol que tratou do tema até em seu TCC. Mestrando em Análise e Planejamento em Políticas Públicas, neste espaço une o gosto por escrever com a paixão pelo esporte mais popular do mundo.

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Natural de Brasília, mas residente em São Paulo desde que se conhece por gente, é um apaixonado por esportes e pela “sétima arte”. Jornalista e advogado, busca tratar o futebol com a descontração que lhe é peculiar, com o compromisso da boa informação e opinião consistente.

Fernando GaviniFernando Gavini

Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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