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O Brasil precisa de um maestro, um organizador de jogo dentro de campo

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Créditos da imagem: Portal Terra

Embora acredite que Dunga – ao seu estilo de futebol-resultado – faça um bom trabalho na Seleção, penso que um problema salta aos olhos no grupo de atletas que representa o Brasil na Copa América: a ausência de um autêntico e cerebral camisa 10.

Na verdade, entres os convocados, Everton Ribeiro seria o único com perfil e qualidade para exercer a função, mas Dunga parece ter resistência com o jogador bicampeão brasileiro pelo Cruzeiro, quando foi eleito o craque da competição por dois anos seguidos.

Sem querer ser leviano, mas Dunga preferir Fred (!) e Douglas Costa (!) – jogadores leves e insinuantes, mas nem um pouco cerebrais – ao ex-atleta cruzeirense inevitavelmente faz com que se levantem ainda mais as suspeitas sobre as influências externas nas convocações/escalações dos jogadores, pois somente isso para explicar o inexplicável.

Afora isso, diria que os badalados William e Phillipe Coutinho – ambos também mais “quarto-homens”, sem a característica de armação – não me convencem, embora entenda que o segundo tenha tido poucas oportunidades com a camisa amarela e mereça mais tempo dentro de campo para provar o seu valor. Já o jogador do Chelsea – equipe na qual é mero coadjuvante -, sequer estaria no meu grupo de convocados. Não o descartaria, pois é jovem e também pode crescer, mas hoje vejo nomes à sua frente.

Aliás, antes de anunciar os meus favoritos à vaga de camisa 10 da seleção, pediria que o leitor tentasse não ser preconceituoso com os atletas que atuam no Brasil. Sempre gosto de dar o exemplo do Oscar. O correto e voluntarioso jogador do Chelsea saiu do São Paulo como uma grande promessa, se consolidou como jogador profissional no Internacional de Porto Alegre e, no entanto, nunca obteve grande destaque pela equipe gaúcha, tendo sempre vivido à sombra do verdadeiro craque da equipe, o meia argentino D´Alessandro. Mas pelo simples fato de atuar no Chelsea – onde, assim como seu companheiro William, também é “peça acessória”, invariavelmente frequentando o banco de reservas – parece ter a grife necessária para sistematicamente ser convocado e raramente questionado.

Bom, isto posto, os nomes que eu gostaria que tivessem uma chance na Seleção – além do já mencionado Everton Ribeiro – seriam: Lucas Lima, do Santos, e Ganso, do São Paulo. O atleta do Santos, em que pese a campanha do seu time não ter lhe ajudado no último Campeonato Brasileiro, desde o ano passado impressiona. Com visão de jogo – não lembro a última partida dele em que não tenha colocado algum companheiro na cara do gol -, preenchimento de espaços e senso de futebol coletivo (é um dos grandes ladrões de bola de sua equipe), foi o craque do último Campeonato Paulista e seu rendimento só faz crescer. Se conseguir aumentar o seu apetite pelos gols, tornar-se-á um jogador completo. Já Ganso, reconhecidamente um artista da bola, tenho a teoria de que quando é coadjuvante de um grande time (como era de Neymar no Santos de 2010 e de Kaká no São Paulo no último Campeonato Brasileiro), ele rende. Mais ou menos como era Ricardinho, ex-Corinthians e Santos. Em época de testes pós-Copa, por que não tentar?

Voltando à Copa América, confesso ter ficado surpreso (principalmente após as convincentes vitórias sobre Argentina e França nos amistosos) com o péssimo rendimento do Brasil nas duas partidas disputadas até agora. Luiz Gustavo, o melhor nome da Seleção na última Copa do Mundo, faz falta e o seu substituto Fernandinho está bem abaixo da crítica (assim como já tinha sido na Copa). Aliás, com um meio de campo formado por ele, Fred e William (Elias é o único que tem se salvado, se consideradas as partidas anteriores da nova “Era Dunga”), talvez um Neymar seja mesmo pouco. E agora sem o único craque do time nas duas próximas partidas (suspenso após as bobagens cometidas na partida contra a Colômbia), tomara que Dunga tenha a sensibilidade que Felipão (que sequer convocou o jogador de quem vou falar) não teve na última Copa do Mundo e escale Robinho – e não Douglas Costa, mais uma dessas promessas que aceitamos com muito mais paciência como tentativas válidas do que os nossos “jogadores nacionais” – como o seu substituto, já que a pedalada promete ser árdua até o fim da competição. Que Douglas Costa não seja o “Bernard” da vez.

O título está aberto e a própria Colômbia já mostrou na derrota contra a Venezuela que não está fácil pra ninguém. Sem falar nas dificuldades enfrentadas por Chile e Argentina.

Nos tempos modernos, o chavão “não existe mais seleção boba” deveria passar a ser “não existe mais seleção que sobre no futebol”. As goleadas de outrora tendem a rarear, assim como ficará cada vez mais difícil que uma equipe consiga ser hegemônica por um longo período.

Definitivamente, o futebol mudou.

E segue o jogo.

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- possui 244 artigos no No Ângulo.

Natural de Brasília, mas residente em São Paulo desde que se conhece por gente, é um apaixonado por esportes e pela “sétima arte”. Jornalista e advogado, busca tratar o futebol com a descontração que lhe é peculiar, com o compromisso da boa informação e opinião consistente.


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3 respostas para “O Brasil precisa de um maestro, um organizador de jogo dentro de campo”

  1. Rodrigo Costa disse:

    Na minha opinião só o Lucas Lima PODERIA fazer algo diferente hoje, mas sinceramente não é um Ganso, Lucas Lima ou Phellipe Coutinho que precisamos para fazer algo diferente nesse meio-campo da seleção da CBF e no time, em geral, e sim um técnico de verdade. Dunga é um técnico extremamente fraco, não está atualizado com o que está acontecendo no futebol mundial atualmente, não sabe montar um time, nunca soube, ele é apenas um fantoche pra CBF se esconder e comandar por trás. 7×1 e contando… :/ Estou falando dentro de campo, ambiente de jogo, porque fora, tem que mudar TUDO no futebol brasileiro.

  2. Esse Lucas lima tem futuro

  1. […] de levantar as seguintes questões: o que de relevante aconteceu na carreira do promissor jogador? Por que razão ele não enverga a camisa 10 da Seleção Brasileira, tão carente de um atleta com a… E como pode o eterno candidato a craque ainda estar atuando no […]


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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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