O Brasileirão 2015 e as análises bipolares

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

Acho divertido ver como parecemos não entender nosso próprio campeonato. A cada derrota de uma das equipes que brigam lá na ponta, ouço muitos torcedores e comentaristas decretando que “Ah, esse time aí não chega a nenhum lugar não, vai perder o fôlego”. Até a rodada seguinte mudar tudo e reafirmar que segue sim na briga.

Não me lembro de já ter visto um Brasileirão com oito equipes tão definidas como sendo do “primeiro escalão”. E isso se reflete não apenas na pontuação, como no desempenho em campo e resultado contra os rivais diretos (todos os times desse G8 já bateram algum outro integrante do grupo, e já foram derrotados também, normalmente em partidas muito equilibradas).

Após a décima sexta rodada, Grêmio, Palmeiras e São Paulo são as novas vítimas do imediatismo. Sobra até mesmo para o Sport, após o empate em casa contra o decepcionante Cruzeiro. Na rodada passada, o “time que mostrava que não tinha condições de lutar por nada” era o Fluminense (hoje terceiro colocado) e o Palmeiras estava pintando como campeão.

Ainda que o líder Atlético Mineiro (que já abriu cinco pontos para o terceiro colocado), e, em parte, o vice-líder Corinthians (que tem se mostrado regular fora uma sequência de apenas um ponto em nove disputados, entre a quarta e a sexta rodadas, bem no auge da crise do desmanche) apresentem um pouco menos de resultados decepcionantes, a verdade é que essa é a tônica do Campeonato Brasileiro. E reparem que, em grande parte, esses oito times da parte da frente têm vencido seus jogos, e as exceções costumam ser os jogos contra os rivais diretos ou os clássicos.

Há duas rodadas o Fluminense teve a chance de se tornar líder isolado, mas perdeu o clássico para o Vasco. Ok, o cruzmaltino é uma das piores equipes do campeonato, mas clássico realmente é clássico. Na partida seguinte, perdeu como visitante para a Chapecoense, numa partida em que merecia melhor sorte e a arbitragem prejudicou.

O Grêmio vem de uma sequência de três partidas sem vitória, e é um caso mais preocupante, pois os reveses podem minar a confiança do grupo que tem um técnico novato, não conta com figurões como Fred e Ronaldinho Gaúcho, nem com uma base de jogadores já campeões pelo clube. Mas mesmo assim, o Grêmio não foi inferior ao Flamengo no Maracanã, dominou o fortíssimo Sport em Porto Alegre (para mim, mereceu mais a vitória contra a equipe pernambucana do que o líder Galo fez no Mineirão contra o mesmo adversário), e contra o Fluminense, sofreu com a injusta expulsão de Walace quando a partida estava empatada. Não fosse por isso, poderia até, quem sabe, conseguir a vitória.

O Palmeiras foi o último a se juntar ao “bloco de elite” após a impressionante sequência de seis vitórias e um empate na últimas sete partidas (sendo que a última derrota tinha sido para o forte Grêmio, no Sul). O que se esperava, que fosse continuar assim para sempre? E a derrota veio contra o Atlético Paranaense, uma das melhores equipes da competição. Para exemplificar, o Furacão já tinha batido o Atlético Mineiro e o São Paulo, e merecia sorte muito melhor contra o Corinthians em Itaquera.

E o Sport teve realmente um resultado frustrante como mandante contra o Cruzeiro, mas é um ponto fora da curva na campanha do Leão da Ilha neste campeonato (em casa, o Sport tinha vencido todos jogos com a exceção do empate contra o Palmeiras).

Se no Brasileirão já é difícil termos uma equipe de exceção que se destaque muito do resto, como exigir que sejam algumas? À sua maneira, essas oito se destacaram das demais, e só não têm conseguido se destacar umas das outras, o que é uma boa mostra de equilíbrio.

Para finalizar, discordo de quem diz que é um equilíbrio de baixo nível técnico. Simplesmente não temos elementos para afirmar isso. O que vejo são partidas cada vez melhores, com menos faltas, mais bola rolando, mais passes, menos volantes e até mais público. Há quem queira usar a Libertadores como parâmetro para dizer que estamos mal, mas até isso é relativo: classificamos todas as equipes para a fase de mata-mata, duas delas foram eliminadas em confrontos diretos contra brasileiros (Atlético para o Inter e São Paulo para o Cruzeiro), o Corinthians foi eliminado numa época de ambiente tumultuado e mau desempenho (provavelmente por causa dos atrasos de salários), e Cruzeiro e Inter – nossos últimos representantes na principal competição sulamericana – fazem um Brasileirão que deixam bem claro que não são o que temos de melhor no nosso futebol.

Enfim, acho que é mais uma questão de escolha. A minha é a de continuar aproveitando o ótimo campeonato deste ano e ver com curiosidade as surpresas que ele reserva.

Um comentário em: “O Brasileirão 2015 e as análises bipolares

  1. “Enfim, acho que é mais uma questão de escolha. A minha é a de continuar aproveitando o ótimo campeonato deste ano e ver com curiosidade as surpresas que ele reserva”.

    Onde eu assino? =D

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