W3vina.COM Free Wordpress Themes Joomla Templates Best Wordpress Themes Premium Wordpress Themes Top Best Wordpress Themes 2012

O Brasileirão 2015 e as análises bipolares

FotorCreated2

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

Acho divertido ver como parecemos não entender nosso próprio campeonato. A cada derrota de uma das equipes que brigam lá na ponta, ouço muitos torcedores e comentaristas decretando que “Ah, esse time aí não chega a nenhum lugar não, vai perder o fôlego”. Até a rodada seguinte mudar tudo e reafirmar que segue sim na briga.

Não me lembro de já ter visto um Brasileirão com oito equipes tão definidas como sendo do “primeiro escalão”. E isso se reflete não apenas na pontuação, como no desempenho em campo e resultado contra os rivais diretos (todos os times desse G8 já bateram algum outro integrante do grupo, e já foram derrotados também, normalmente em partidas muito equilibradas).

Após a décima sexta rodada, Grêmio, Palmeiras e São Paulo são as novas vítimas do imediatismo. Sobra até mesmo para o Sport, após o empate em casa contra o decepcionante Cruzeiro. Na rodada passada, o “time que mostrava que não tinha condições de lutar por nada” era o Fluminense (hoje terceiro colocado) e o Palmeiras estava pintando como campeão.

Ainda que o líder Atlético Mineiro (que já abriu cinco pontos para o terceiro colocado), e, em parte, o vice-líder Corinthians (que tem se mostrado regular fora uma sequência de apenas um ponto em nove disputados, entre a quarta e a sexta rodadas, bem no auge da crise do desmanche) apresentem um pouco menos de resultados decepcionantes, a verdade é que essa é a tônica do Campeonato Brasileiro. E reparem que, em grande parte, esses oito times da parte da frente têm vencido seus jogos, e as exceções costumam ser os jogos contra os rivais diretos ou os clássicos.

Há duas rodadas o Fluminense teve a chance de se tornar líder isolado, mas perdeu o clássico para o Vasco. Ok, o cruzmaltino é uma das piores equipes do campeonato, mas clássico realmente é clássico. Na partida seguinte, perdeu como visitante para a Chapecoense, numa partida em que merecia melhor sorte e a arbitragem prejudicou.

O Grêmio vem de uma sequência de três partidas sem vitória, e é um caso mais preocupante, pois os reveses podem minar a confiança do grupo que tem um técnico novato, não conta com figurões como Fred e Ronaldinho Gaúcho, nem com uma base de jogadores já campeões pelo clube. Mas mesmo assim, o Grêmio não foi inferior ao Flamengo no Maracanã, dominou o fortíssimo Sport em Porto Alegre (para mim, mereceu mais a vitória contra a equipe pernambucana do que o líder Galo fez no Mineirão contra o mesmo adversário), e contra o Fluminense, sofreu com a injusta expulsão de Walace quando a partida estava empatada. Não fosse por isso, poderia até, quem sabe, conseguir a vitória.

O Palmeiras foi o último a se juntar ao “bloco de elite” após a impressionante sequência de seis vitórias e um empate na últimas sete partidas (sendo que a última derrota tinha sido para o forte Grêmio, no Sul). O que se esperava, que fosse continuar assim para sempre? E a derrota veio contra o Atlético Paranaense, uma das melhores equipes da competição. Para exemplificar, o Furacão já tinha batido o Atlético Mineiro e o São Paulo, e merecia sorte muito melhor contra o Corinthians em Itaquera.

E o Sport teve realmente um resultado frustrante como mandante contra o Cruzeiro, mas é um ponto fora da curva na campanha do Leão da Ilha neste campeonato (em casa, o Sport tinha vencido todos jogos com a exceção do empate contra o Palmeiras).

Se no Brasileirão já é difícil termos uma equipe de exceção que se destaque muito do resto, como exigir que sejam algumas? À sua maneira, essas oito se destacaram das demais, e só não têm conseguido se destacar umas das outras, o que é uma boa mostra de equilíbrio.

Para finalizar, discordo de quem diz que é um equilíbrio de baixo nível técnico. Simplesmente não temos elementos para afirmar isso. O que vejo são partidas cada vez melhores, com menos faltas, mais bola rolando, mais passes, menos volantes e até mais público. Há quem queira usar a Libertadores como parâmetro para dizer que estamos mal, mas até isso é relativo: classificamos todas as equipes para a fase de mata-mata, duas delas foram eliminadas em confrontos diretos contra brasileiros (Atlético para o Inter e São Paulo para o Cruzeiro), o Corinthians foi eliminado numa época de ambiente tumultuado e mau desempenho (provavelmente por causa dos atrasos de salários), e Cruzeiro e Inter – nossos últimos representantes na principal competição sulamericana – fazem um Brasileirão que deixam bem claro que não são o que temos de melhor no nosso futebol.

Enfim, acho que é mais uma questão de escolha. A minha é a de continuar aproveitando o ótimo campeonato deste ano e ver com curiosidade as surpresas que ele reserva.

Ajoelhou, tem que rezar?
Mesmo deslocado como "falso 9", Ronaldinho mostra a qualidade de sempre (e vontade)

Escrito por:

- possui 164 artigos no No Ângulo.

Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano é especialista em política urbana. Com formação em gestão do esporte, também encara apaixonadamente o futebol como fenômeno cultural.


Entre em contato com o Autor

Um comentário para “O Brasileirão 2015 e as análises bipolares”

  1. Vicente Prado (Coluna do Leitor) Vicente disse:

    “Enfim, acho que é mais uma questão de escolha. A minha é a de continuar aproveitando o ótimo campeonato deste ano e ver com curiosidade as surpresas que ele reserva”.

    Onde eu assino? =D


Deixe um comentário

Enquete

Qual o maior técnico brasileiro dos últimos tempos?

Ver resultados

Carregando ... Carregando ...

Colunistas

Emerson FigueiredoEmerson Figueiredo

Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

Gustavo FernandesGustavo Fernandes

Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não resiste a um bom debate sobre esportes, desde futebol até curling. São-paulino, é fundador e moderador do Fórum O Mais Querido (FOMQ). Não esperem ufanismos e clichês. Ele torce, mas não distorce.

Jorge FreitasJorge Freitas

“Prata da casa” oriundo da Coluna do Leitor, este internacionalista é tão louco por futebol que tratou do tema até em seu TCC. Mestrando em Análise e Planejamento em Políticas Públicas, neste espaço une o gosto por escrever com a paixão pelo esporte mais popular do mundo.

Fernando PradoFernando Prado

Natural de Brasília, mas residente em São Paulo desde que se conhece por gente, é um apaixonado por esportes e pela “sétima arte”. Jornalista e advogado, busca tratar o futebol com a descontração que lhe é peculiar, com o compromisso da boa informação e opinião consistente.

José Maria de AquinoJosé Maria de Aquino

Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

Gabriel RosteyGabriel Rostey

Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano é especialista em política urbana. Com formação em gestão do esporte, também encara apaixonadamente o futebol como fenômeno cultural.

Fernando GaviniFernando Gavini

Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

Assinatura por e-mail

Arquivos

©2017 No Ângulo - Todos os direitos reservados