O campeão foi o Ceará! Mas todos saem vencedores com a Copa do Nordeste

Créditos da imagem: Christian Alekson / cearasc.com

Mas que beleza foi ver Ceará e Bahia fazendo uma final que demonstra a força que os clubes nordestinos podem ter! Penso que a Copa do Nordeste foi a maior mostra de potencial dada pelo futebol brasileiro desde o marco que se tornou o 7 x 1 para a Alemanha.

Que me desculpem os torcedores do Vozão – campeão invicto e incontestável – mas por melhor que tenha sido o jogo (e realmente foi muito intenso e franco), o que aconteceu no gramado foi “só” o complemento perfeito ao que representou essa competição. A começar pelo Castelão (estádio de primeiro nível mundial) lotado por uma torcida vibrante e festeira, ostentando o maior público pós-Copa no Brasil (praticamente 64 mil pessoas, com renda acima de R$ 1,8 milhão). Mas isso não é novidade, visto que na semana anterior foi a vez do Bahia colocar mais de 40 mil pessoas na Fonte Nova (outra “arena” fantástica), repetindo o que já fizera na semifinal contra o Sport.

Que fique claro que nem tudo são flores. Mesmo nas semifinais, houve públicos decepcionantes (na casa dos 20 mil torcedores), mas diante da tristeza que é o comparecimento às partidas no Brasil, é um claro avanço. Ainda mais se compararmos aos deficitários e esvaziados estaduais (como exemplo, a primeira partida da final do Campeonato Cearense, entre Fortaleza e Ceará, não chegou a 19 mil).

Defendo veementemente o fim dos campeonatos estaduais, e não sou simpático nem mesmo aos regionais, porque essas “barreiras” não só baixam o nível técnico e são antieconômicas em qualquer lugar, como também acentuam as disparidades regionais (visto que o Campeonato Paulista, por exemplo, é muito mais rentável para seus maiores clubes do que os estaduais do Nordeste para os seus). Porém, diante da enorme desigualdade financeira vista no injusto e burro sistema brasileiro, vejo a “Lampions League” (genial esse apelido!) com um potencial diferenciado no país: é o único regional que pode concentrar clássicos estaduais, grandes e apaixonadas torcidas, equilíbrio entre diferentes estados (na região Norte, por exemplo, o Pará tem clubes muito mais tradicionais e populares do que os outros) e desejo máximo pela conquista (um regional que envolva os gigantes de SP, RJ, MG ou RS nunca será prioridade para suas torcidas).

Bahia, Vitória, Sport, Santa Cruz, Náutico, Ceará e Fortaleza são verdadeiros patrimônios culturais do país. Instituições “centenárias”, vitoriosas, referências de importantes centros urbanos, com grandes e apaixonadas torcidas que agora ainda têm à mão palcos de nível internacional. Não fossem os problemas gerais do nosso futebol e a injusta distribuição dos direitos de transmissão da televisão, não ficariam a dever a outros grandes clubes como Atlético Paranaense, Rosario Central, Fiorentina ou Sevilla.

Além do Nordestão e das novas arenas, outro motivo para se animar com o futebol da região é o novo presidente do Bahia, o jovem jornalista Marcelo Sant’Ana. Quem viu sua entrevista para o Bola da Vez, da ESPN Brasil, deve ter se impressionado com a clareza de ideias e a visão sistêmica que demonstrou. Agora é torcer para que seja bom como parece e não repita a decepção que foram outros dirigentes vistos com boa vontade.

Tenho a conviccção de que em algum momento o futebol brasileiro vai ser nacionalizado e virar a página dos estaduais e regionais. E quando chegar essa hora, os nordestinos vão colher o que está sendo plantando na Copa do Nordeste: maior rentabilidade e competitividade, disputas de melhor nível técnico e que realmente motivam o torcedor, além do surgimento de novas rivalidades regionais.

Nosso futebol só será tudo o que pode ser quando souber reconhecer, estimular e usufruir da tradição, paixão e fidelidade desse povo alegre e forte.

18 comentários em: “O campeão foi o Ceará! Mas todos saem vencedores com a Copa do Nordeste

  1. Rapaz, te falar que já não sei mais se 20 mil é pouco ou muito, viu haahahha Porque se 40 mil é bom público, 20 mil não é tão pouco assim.

    Nossos parâmetros, infelizmente, mudaram. Um público de 50 mil é aclamado. Há 20 anos, era o mínimo a ser exigido rs

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