O Corinthians disparou! E daí? Mata-mata nunca mais!

Créditos da imagem: Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

Pronto, foi só acharem que o Corinthians não mais será alcançado na briga pelo título, e já voltam com a velha fórmula “salvadora” do mata-mata. Mal começou o segundo turno – restam 18 rodadas -, mas seus defensores arquivam as possibilidades de mudanças e cravam que o torneio perdeu o interesse, que todos os jogos viraram simples amistosos etc. Na melhor das hipóteses, bonzinhos, admitem que algumas partidas, entre determinados times, ainda valerão alguma coisinha na briga por vagas na Libertadores de 2018.

Papo antigo, guardado no bolsinho do colete de alguns. Entre os jornalistas, em nome da emoção, do equilíbrio do campeonato, e até das finanças dos clubes. Entre os torcedores, um jeitinho de dar chance aos seus times, que mal administrados ou mesmo porque faz parte da rotina deles, sonharem com o título em algum golpe de sorte. É comum um time que faz má campanha na fase de classificação, surpreender e ganhar o título em cima daqueles que foram bem, colocando enorme diferença de pontos ganhos entre eles.

Não sou afeito a pesquisas mais trabalhosas para mostrar o que coloco. Até sou um pouco avesso e preguiçoso para isso. Mas de cara me vem à memória um bom exemplo. No Brasileiro de 2002, o São Paulo terminou a primeira fase com 52 pontos, 13 a mais do que o Santos, 8º colocado, seu adversário na fase do tal mata-mata. O que deu nos dois jogos? Duas vitórias santistas, por 3 x 1 e 2 x 1. São Paulo fora e Santos caminhando até chegar à final, contra o Corinthians(49), 3º na primeira fase. Novamente Santos, 2 x 0 e 3 x 2.

Resultados justos? Nos jogos, sim. Não me lembro de eventual presença de “apito amigo”. Mas, e no campeonato? Os são-paulinos na certa acharam que não. E seriam os corintianos, se o Timão tivesse faturado a fase inicial. Aliás, a invenção do mata-mata aconteceu no futebol paulista exatamente na época em que o Corinthians curtia anos de jejum (1955/1977), com longo domínio do Santos, um furinho aqui pelo Palmeiras, outro ali pelo São Paulo. Tentativa maior de fazer o Corinthians campeão, só mesmo a inventada pela Rede Globo, promovendo um torneio entre times chamados Corinthians. Lembra-se? A chamada da emissora era:”este ano o Corinthians vai ser campeão”. Ganhou o Corinthians de Presidente Prudente – que já desistiu do futebol.

Futebol é emoção, mas é também profissional. Jogar “n” partidas entre 20 times, sabendo que depois de longos meses oito estarão classificados e só aí se poderá dizer que é para valer, é enganar o torcedor – que também pode deixar a bola rolar e só se ligar no torneio quando for para valer. É um jeito de premiar os incompetentes, times mal formados, que podem acabar vencendo os que se preocuparam em ser competitivos e que para isso gastaram muito mais para formar um time competitivo. Para merecer ser campeão, um time deve se mostrar competente, em média, todo o torneio.

Quando tentam me convencer do contrário, dizendo que a fórmula mantem o interesse até o final – o que não é verdade -, costumo indagar se já viram algum cartaz na porta dos grandes supermercados pedindo para que os clientes comprem alguma coisa no armazém do Manuel, ali na esquina. Não, né? Poderia dar muitos outros exemplos, mas não carece. Campeonato mata-mata beneficia os incompetentes e só pode agradar quem vive de audiência…

10 comentários em: “O Corinthians disparou! E daí? Mata-mata nunca mais!

  1. Pontos corridos sempre, apesar de termos vencido 5 campeonatos pelo.mata mata e 1 por pontos corridos….hexa campeão

  2. Já temos a Copa do Brasil, a Libertadores e os Estaduais em formato mata-mata. Sem falar na Sul-americana, que tem aumentado seu valor.
    É necessário uma liga, e ela tem de ser em pontos corridos, como é.

  3. O que tem que fazer é reduzir os estaduais (fazer uma fase preliminar entre os times do estado que não estão na primeira divisão e os vencedores compõe uma chave de mata-mata com os times da primeira divisão), talvez para dois meses no máximo (Janeiro e Fevereiro), fazer a Copa do Brasil e a Libertadores entre Março e Junho, deixando só o Brasileirão para o segundo semestre. Isso evita que os times joguem campeonatos simultâneos priorizando uns e deixando os outros de lado.

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