W3vina.COM Free Wordpress Themes Joomla Templates Best Wordpress Themes Premium Wordpress Themes Top Best Wordpress Themes 2012

O Corinthians e o irresistível coletivo

622_c95f166b-68e0-3a53-a4f4-d798f367658e

Créditos da imagem: Getty

A cada jogo que testemunho a evolução deste atual Corinthians, penso que se trata de um time que pode criar novos paradigmas no futebol brasileiro.

No Brasil, desde que me conheço por gente, costumamos analisar as equipes sob três critérios: qualidade técnica, tática e espírito vencedor.

Ou seja, sempre justificamos as vitórias e as derrotas dizendo que “esse time não tem jogador!”, “levou um nó tático do técnico adversário” e “time tal é encardido, o outro é pipoqueiro”.

O sucesso do Barcelona do Guardiola e do Corinthians de Tite (de 2012) fez com que começássemos a ter uma maior noção da importância do perfil coletivo da equipe. Ela é muito mais do que um amontoado de atletas, uma disposição tática com jogadores corretamente posicionados ou “um time que não sente a pressão”: ela é como um organismo vivo independente.

Por isso, existem times nos quais “qualquer um joga bem” e outros que são verdadeiros trituradores de “grandes jogadores” (como o São Paulo de hoje, por exemplo).

Este Corinthians é o caso mais bem acabado que já vi no Brasil de uma equipe focada, com jogadores em comunhão e desempenhando várias funções em campo, tudo isso aliado a uma grande movimentação e bola de pé em pé em máxima intensidade, tipo “futebol” total”. Todos participam da marcação, e os únicos jogadores mais limitados tecnicamente são os zagueiros e o volante Ralf; de resto, absolutamente todos tratam bem a pelota.

Tite parece ter conseguido impor um padrão de excelência que nunca vi no futebol brasileiro, tanto no trabalho técnico, quanto na mentalidade dos jogadores. A cada entrevista dada por seus comandados, fica uma demonstração de confiança e cobrança constante, com falas sobre “fazer história”, “manter o padrão fora de casa”, “ter o melhor aproveitamento do clube na história do Paulista”, mas sempre deixando claro que a equipe ainda está em formação e precisa manter os pés no chão.

Eu sempre me perguntei o porquê de no Brasil ser praticamente impossível um time fazer campanhas históricas durante toda uma temporada, entrando em campo já vencedor – dentro ou fora de casa – como fazem alguns grandes europeus. Entendo que isso tem a ver com a quantidade de grandes clubes no Brasil – sem paralelos com qualquer outro país do mundo – que se sentem “no direito” de vencer mesmo as melhores equipes, e com a mentalidade dos próprios grandes esquadrões, que não se sentem “merecedores” de desfilar contra tantos rivais de história e tradição. Nesse segundo ponto, creio que o Timão de Tite tem uma atitude diferente: parece ter metas e cobranças próprias, sem se balizar pelos adversários. E tem todas as razões para poder ser assim “arrogante”.

O elenco é absurdamente farto. Além de grande quantidade de bons jogadores para todas as posições (se for analisar as formações titular e reserva, apenas o zagueiro Yago levanta desconfianças, enquanto atletas como Stiven Mendoza e Malcom não estão nem entre os 22), eles cumprem funções e têm perfis diferentes. Eu diria que o único tipo de jogador que falta para este plantel é um quarto homem de meio-campo que carregue a bola em velocidade, estilo Montillo. De resto, tem de tudo.

Mas, mesmo com tanta competição interna, o ambiente é excelente: todos os jogadores parecem felizes, têm a oportunidade de mostrar que são úteis e demonstram estar motivados. O comando de Tite é inspirador e trabalha a mentalidade dos atletas: como mostra, basta ver o mantra que se tornou a palavra “concentração” entre os jogadores do elenco, a e a diferença na atitude do zagueiro Felipe, que como num passe de mágica passou do zagueiro contestado do ano passado para o firme titular da posição. Como diz o colega Guilherme Boeira (colunista do No Ângulo), “90% dos jogadores que tem por aí são do mesmo nível técnico, o que faz diferença é a situação e o ambiente para que joguem”. E nisso, Tite parece fazer cada vez mais diferença, pois parece realmente implantar uma “filosofia de trabalho”.

Apesar de experiente, o elenco é faminto e conta com muitos jogadores que têm o perfil de decidir em grandes jogos. Boa parte é identificada com o clube, e casos como o de Jadson – que recusou uma oferta milionária do futebol chinês para permanecer – só reforçam isso. Se o peruano Guerrero – merecidamente considerado o principal destaque da equipe e que, ainda assim, praticamente não fez falta nas partidas em que não pode atuar neste ano – também continuar, será ainda mais incrementada essa “cultura interna” de valorizar o que significa atuar pelo Corinthians.

Por fim, some a isso tudo a torcida sempre presente e participativa, em total comunhão com o time, que vem a cada jogo transformando a Arena Corinthians num grande alçapão.

Ou seja, não são à toa os impressionantes números desta temporada: após a goleada por 4 x 0 contra o Danúbio, são 19 partidas oficiais, com 16 vitórias e 3 empates (aproveitamento de 89,5%), 39 gols pró e 9 contra. Importante destacar que disputando o “grupo da morte” da Libertadores e o estadual mais competitivo do país.

No futebol é sempre arriscado fazer tais previsões, mas, salvo acidentes, parece difícil esse Corinthians sair dos trilhos. Se em 2013 já foi “um acidente” (a horripilante atuação do árbitro paraguaio Carlos Amarilla contra o Boca Juniors) que eliminou o clube da Copa Libertadores, a equipe deste ano dá mostras de ser muito mais forte. E, ainda em formação.

O Barcelona que encantou o mundo com Guardiola, começou a nascer no segundo semestre de 2008, e chegou ao auge mais de três anos depois. Se não deixar os problemas financeiros interferirem, e souber manter a base e o trabalho a médio prazo, este Corinthians dá pinta de que pode fazer sua história.

AVANTI, Palmeiras
Ah, o Paulistão...

Escrito por:

- possui 157 artigos no No Ângulo.

Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

Entre em contato com o Autor

13 respostas para “O Corinthians e o irresistível coletivo”

  1. Rafael Leite disse:

    Esse Corinthians pode fazer história!

    Apenas os clubistas obsessivos nao vêem que estamos alguns degraus acima.

    Se vai dar tudo certo…..são outros 500. Mas como é bom ver esse time jogar!

    • Gabriel Rostey Gabriel Rostey disse:

      Rafael, concordo! Ninguém sabe se o time será campeão ou não, mas o principal é analisar que a atitude e o futebol praticamente são muito raros. Se amanhã ou depois vier uma derrota ou eliminação, é importante que boa parte da mídia e dos torcedores não joguem tudo no lixo. Não adianta querer valorizar trabalhos bem feitos só quando são feitos na Europa, né? 😉

  2. Gabriel Corona disse:

    Concordo Gabriel, soma-se a tudo que você escreveu o fato de o Tite ter ficado um ano se atualizando e se aprimorando naquilo que ainda não era tão bom, jogadas ofensivas, historicamente os times do Tite defendem bem, mas jogavam sem dar espetaculo e por vitorias magras.
    Todos os treinadores deveriam fazer intercambios pois não é mais no Brasil que se joga o melhor futebol do mundo atualmente
    Saudações Corinthianas!!!

    • Gabriel Rostey Gabriel Rostey disse:

      Bem observado, xará!
      Só espero que esses “laboratórios na Europa” não acabem virando um selo superficial para treinadores que precisam de recolocação no mercado, rs…

  3. Jefferson disse:

    Que bela definição, “organismo vivo”. Realmente, o time “aglutinado” do Corinthians está dando gosto de ver. A impressão que dá é que faria frente a qualquer time do mundo atualmente.

  4. Diego Moura disse:

    Primeiro gostaria de parabenizar pelo belo texto, muito bom ver esse tipo de análise, quero continuar acompanhando seus posts! Em relação ao Tite, meu único medo é perde-lo para a seleção brasileira, acho muito fraco o técnico Dunga, a diferença entre os dois é gritante. Ao fazer a comparação de elenco entre o time campeão da libertadores de 2012 (Corinthians do volante Paulinho), com esse de agora, vejo o atual time bem mais forte que o anterior! Espero ver esse time se consagrando com títulos! Forte abraço e sucesso.

    • Gabriel Rostey Gabriel Rostey disse:

      Muito obrigado, Diego! Então aproveito e peço pra você e quem mais ler este comentário que cadastre o e-mail (no canto direito superior da página), curta a página do Facebook ou siga o Twitter para receber as novas publicações 😉

      Concordo sobre o trabalho do Tite ser bem superior ao do Dunga, e também sobre o atual elenco ser consideravelmente melhor que o de 2012. Acho que o Paulinho (muito bem substituído pelo Elias) e o Paulo André são os únicos daquele elenco que fazem falta ao atual.

      Abraços!

  5. Andrei disse:

    Boa matéria Gabriel! Realmente traduz o panorama atual do Corinthians e do futebol brasileiro atual. Mas, na finalidade de acrescentar, discordo de alguns pontos:
    1) Não acho que um jogador como o Montillo acrescentaria algo a este elenco. O tima não carece de um jogador que “carregue” a bola para o ataque, pois tem muito mais velocidade a transição com os passes rápidos e lançamentos em profundidade, enquanto 2 ou 3 correm sem a bola;
    2) Acho que o time é sim bem forte tecnicamente. Aliás, o Tite potencializa as individualidades encaixando o jogador na posição em que ele pode render mais, e dá confiança para o mesmo desenvolver seu trabalho sem queimá-lo perante a exigente torcida. Há pelo menos metade do time que poderia, sem qualquer devaneio, brigar pela titularidade da competitiva seleção brasileira;
    3) Não vejo como “acidente” o caso Amarilla. Entendo que ele foi colocado pela Conmebol para apitar aquele jogo com a finalidade de atingir um objetivo predeterminado (classificar o Boca Jrs.). Nesse sentido, tendo em vista a direção completamente corrupta daquela entidade, acredito ser plenamente razoável que tal fato aconteça novamente. Observe que a qualidade do time e as vitórias alcançadas até aqui ofuscaram qualquer discussão sobre arbitragem, apesar de eu ter visto um Corinthians bastante prejudicado pela mesma desde a expulsão do Guerrero na pré-Libertadores até o juiz peruano conivente com a violência do time uruguaio no último jogo.

    • Gabriel Rostey Gabriel Rostey disse:

      Obrigado, Andrei! Sobre os seus comentários:
      1) Eu também não sei se acrescentaria tanto, apenas identifiquei que (a meu ver) é o único tipo de jogador que falta no elenco. Antigamente eu achava que faltava ao Corinthians alguns jogadores mais agudos (como o próprio Montillo), mas nesta temporada o Tite parece ter solucionado esse problema.
      2) Concordo!
      3) Pode ser, aquela atuação realmente foi muito fora dos padrões, mas acho realmente complicado bancar essas teorias da conspiração. Se fosse pra eliminar o Corinthians contra o Boca Juniors em 2013, por exemplo, acho que poderia ser mais fácil simplesmente validarem o gol (corretamente anulado) marcado pelo Boca na partida da Bombonera, que seria o 2 x 0. Concorda?

      • Andrei disse:

        Poxa, não consigo me lembrar desse gol, Gabriel.

        Vi até o playback do jogo disponível no youtube, mas não mostra o lance.

        No entanto, o jogo Corinthians x Boca Jrs. realizado no Pacaembu em 2013 fica para mim como o maior roubo que já vi, desde que acompanho futebol. Dois pênaltis claros e dois gols legítimos anulados em favor do mesmo time (sem contar que o primeiro pênalti deveria vir acompanhado de um cartão vermelho para o zagueiro que botou a mão na bola). O Amarilla conseguiu transformar o que seria uma goleada histórica em um empate amargo.

        Há muitas “coincidências” históricas para se falar em teorias da conspiração. Naquela mesma Libertadores, o Boca Jrs. havia se classificado com um gol irregular sobre o Toluca (ou haviam anulado um gol legal do time mexicano, não me lembro ao certo).

        No ano anterior, a arbitragem na Bombonera já havia eliminado o Fluminense (se não lembrar, basta “googlar” e localizar as reclamações do Abel, na época).

        Vira-e-mexe dou uma olhada em fóruns futebolísticos de outros países, para tentar ver o ponto de vista dos gringos sobre os jogos/equipes. E há um certo consenso sobre um favorecimento amplo e histórico, seja nos campeonatos nacionais, seja nos internacionais, às equipes grandes da Argentina (Boca e River, essencialmente).

        Até mesmo o sorteio da fase de grupos é bastante estranho. Observe a chave do Corinthians, e a chave do Boca Jrs. e do River (ambos decidindo a classificação contra times fraquíssímos e, em casa).

        Cumpre relembrar ainda que a torcida do Boca Jrs. sempre foi ligada à máfia. Se tiver interesse, sobre o tema, há o livro “La Doce”. Nele, Gustavo Grabia vai narrando ano a ano, gestão a gestão, como a barra do Boca se tornou temida na Argentina. Contatos políticos, extorsão a jogadores de futebol e dirigentes, assassinatos de inocentes, conivência da polícia, dos governadores e até da presidência do país permeiam a obra.

        Resumo da ópera, não acredito em coincidências. Oxalá eu esteja errado e que a melhor equipe se sagre campeã do torneio!

        • Gabriel Rostey Gabriel Rostey disse:

          Andrei, você pode ver o lance neste vídeo, aos 37:10 do segundo tempo: https://www.youtube.com/watch?v=tYawKWHrkus

          Claro que foi um impedimento claro, mas não acho que ia ser pior do que todos os erros cometidos pelo Amarilla na partida de volta, rs…

          Ah, já tinha visto ótimas recomendações sobre este livro! Obrigado pela dica, vou tentar ler em breve.

          Tomara!

  1. […] Corinthians seria especial assim o ano inteiro, não fossem os problemas com atrasos de salários. O time começou o ano encantando, foi merecidamente badalado, até que despencou (só pode ser pela questão salarial), foi eliminado da Libertadores e muita […]


Deixe um comentário

Enquete

Qual o maior técnico brasileiro dos últimos tempos?

Ver resultados

Carregando ... Carregando ...

Colunistas

Gabriel RosteyGabriel Rostey

Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

Emerson FigueiredoEmerson Figueiredo

Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

José Maria de AquinoJosé Maria de Aquino

Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

Gustavo FernandesGustavo Fernandes

Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não resiste a um bom debate sobre esportes, desde futebol até curling. São-paulino, é fundador e moderador do Fórum O Mais Querido (FOMQ). Não esperem ufanismos e clichês. Ele torce, mas não distorce.

Jorge FreitasJorge Freitas

“Prata da casa” oriundo da Coluna do Leitor, este internacionalista é tão louco por futebol que tratou do tema até em seu TCC. Mestrando em Análise e Planejamento em Políticas Públicas, neste espaço une o gosto por escrever com a paixão pelo esporte mais popular do mundo.

Fernando PradoFernando Prado

Natural de Brasília, mas residente em São Paulo desde que se conhece por gente, é um apaixonado por esportes e pela “sétima arte”. Jornalista e advogado, busca tratar o futebol com a descontração que lhe é peculiar, com o compromisso da boa informação e opinião consistente.

Fernando GaviniFernando Gavini

Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

Assinatura por e-mail

Arquivos

©2017 No Ângulo - Todos os direitos reservados