O “derretimento” do Corinthians: de irresistível a vexatório em quarenta dias

Créditos da imagem: GETTY

O corintiano viveu nessa quarta-feira uma noite para esquecer, que certamente será um marco do péssimo momento vivido pelo clube.

Desde que acompanho futebol, nunca vi uma equipe ganhar corpo tão rapidamente, e “derreter” logo em seguida como este Corinthians de 2015. Hoje, são recorrentes as ironias com o suposto “futebol de Champions League” da equipe, mas insisto que os elogios faziam todo o sentido quando feitos. O desempenho mostrado em campo era consistente, intenso e fluido, e encontrava eco nos números: após a goleada por 4 x 0 contra o Danúbio (despedida do bom futebol durante um jogo inteiro), eram 19 partidas oficiais, com 16 vitórias e 3 empates (aproveitamento de 89,5%), 39 gols pró e 9 contra. E não se pode dizer que era por falta de bons testes, pois isso incluia, por exemplo, duas vitórias contra o São Paulo e uma contra o San Lorenzo (pra não citar a vitória contra um desfigurado Palmeiras no Allianz Parque). Daí em diante, não se sabe o que aconteceu, se tem relação com os atrasos de pagamento, se há problemas de ambiente ou se a soberba tomou conta, mas a equipe despencou tanto na bola quanto nos resultados. Mas não é razoável entender que o que se vê nas últimas partidas é o normal para um elenco como esse.

A eliminação não se deu somente na partida em Itaquera. Ainda que o resultado fosse perfeitamente reversível (embora não fosse fácil), o grande problema foi o péssimo resultado na partida do Paraguai somado à crise vivida pela equipe já há quarenta dias: nas últimas nove partidas, foram três derrotas, quatro empates e duas vitórias (uma com ajuda da arbitragem, contra a Ponte Preta, e a outra com os reservas, contra os também suplentes do Cruzeiro).

Desde o início da partida era visível o peso que os jogadores pareciam carregar. Não se via confiança, mas sim uma tensão associada a uma incompreensível pressa: o time não precisava fazer um caminhão de gols já que, em última instância, seria suficiente fazer um gol em cada tempo para levar a partida para os pênaltis.

No primeiro tempo o desempenho foi bom, e a equipe fez por merecer um gol. Ainda assim, faltava sentir mais o jogo e variar as constantes tentativas de infiltração por toques com dribles, bola aérea e chutes de fora da área. No segundo, logo aos 7 minutos o experiente Fábio Santos foi duro numa jogada sem nenhuma pretensão, e recebeu um rigoroso cartão vermelho, fazendo o ânimo alvinegro cessar de vez. Aliás, algumas expulsões e suspensões (foram seis expulsões da pouco faltosa equipe de Tite, além de Guerrero e Sheik receberem três partidas de suspensão por cartões vermelhos polêmicos) sofridas pelo Corinthians foram realmente estranhas. Depois disso, a se destacar, só a justa expulsão de Jadson (uma curiosidade: será que na “draga” atual bate um arrependimento por não ter ido para a China?) e a cereja do bolo que foi o gol de Fernando Fernández, aos 46 minutos do segundo tempo, que parece ter servido somente para tirar do corintiano o último orgulho desta temporada, que era a incrível série invicta na Arena Corinthians. De “recordista mundial de invencibilidade em casa”, agora o clube passou a ter duas eliminações em seu estádio nas duas competições que disputou no ano.

O vexame contra o Guaraní do Paraguai fez lembrar os traumas vividos pelo clube no período “pré-exorcismo” de 2012. Até a expulsão de Fábio Santos fez lembrar a do também lateral-esquerdo Roger, contra o River Plate em 2003.

Ao final, a Fiel Torcida corintiana cantou em reconhecimento ao time. Ao contrário de grande parte da mídia, que vê isso com bons olhos, eu não gosto. Não vi méritos no conjunto mosqueteiro para merecer essa homenagem das arquibancadas. Pelo contrário, a partida acabou se tornando um vexame na história alvinegra. Essa cultura de “incentivar aconteça o que acontecer” tem um tanto de demagogia (até porque em boa parte do jogo a torcida estava calada, o que fazia sentido dada a decepção com a partida), e vulgariza o bonito gesto de reconhecer a equipe quando eliminada injustamente ou após um bom papel.

E para completar as más notícias para o Corinthians, a eliminação precoce representa uma grande perda de receita para o clube que vive uma delicada situação financeira. Continuará a Arena Corinthians recebendo os quase 35 mil torcedores que tem de média neste ano? E a renovação com Guerrero, será possível sem a Libertadores?

Resta ao ótimo Tite (que deve ser cobrado pelo fiasco que é 2015 até agora, incluindo sua opção por poupar jogadores na semifinal do Paulista contra o Palmeiras, quando já estava classificado na Libertadores) juntar os cacos para o Campeonato Brasileiro. Aquele “irresistível Corinthians” já não existe mais. Resta saber se conseguirão fazer um novo. Potencial não falta.

19 comentários em: “O “derretimento” do Corinthians: de irresistível a vexatório em quarenta dias

  1. De todos os times no Brasil,o Corinthians é o único que não tem humildade, a torcida se axa a melhor em tudo,o campeonato termina qdo o juiz termina,e eles se dizem campeões em tudo,entraram de to alto no paulista e na libertadores,precisam aprender a serem humildes…isso que falta pra vcs,ai vem fala que somos antis,sendo que vcs zua todo mundo,e não falamos antis,que a derrota do gigante num sei o que,vsf,todos nos aceitamos zuera e vcs não…

  2. Um time que foi desclassificado em um campeonato estão falando tudo isso, o São paulo tbm foi desclassificado dos dois kkkkk e só pra lembrar o palmeiras não ganho nada e faz tempo kkkkk

  3. Gabriel Rostey, meu camarada, você definiu muito bem as razões pela queda do Corinthians. A análise é essa.

    Mas faço meu porém: acho que as críticas foram sim, exageradas. Primeiro, por ser tratar de Corinthians, onde tudo ganha proporções maiores, para o bem e para o mal.

    Segundo pela euforia do torcedor, que também é lógica. Afinal, torcedor tem que ser assim mesmo. Euforia que foi comprada também pela imprensa, principalmente pela volta do Tite, que é um técnico acima da média aqui e de fino trato com os jornalistas

    Por mais que você cite “testes difíceis”, vamos combinar que Danúbio bom é o requeijão e San Lorenzo e São Paulo foram superestimado no começo do ano (mostrarem-se equipes abaixo do esperado. E mesmo assim, ao que me consta, o jogo contra o San Lorenzo na Argentina não foi uma boa apresentação corintiana).

    Citar como “time europeu” por parte da imprensa paulista foi lamentável, ainda que o Corinthinas mostrasse alguma coisa de moderno, de fato. Essa tendência a gente pode observar numa análise mais ampla, aqui do Rio: enquanto a mídia carioca desce o sarrafo no que já é ruim, aí em São Paulo a mensagem passada é quase sempre de afago.

    Mas voltando ao que interessa: em linhas gerais, o Corinthians mostrou bom futebol, mas precisava de testes mais duros. E cá entre nós, ninguém achou que esse teste seria o Guaraní-PAR. E talvez o erro tenha sido esse: a soberba.

    Pra finalizar, acho que o Corinthians tem plenas condições de chegar nas cabeças do Brasileirão. Time, camisa, torcida e treinador, nada disso falta. Talvez o peso da questão financeira, mas também tem potencial para contornar.

    Mas o fato é que chegou ao ápice muito cedo e perdeu fôlego antes mesmo da reta final. A cobrança vai ser grande.

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