O desafio de substituir Tite no Corinthians não deve visar apenas o ano de 2016

Créditos da imagem: Marcos Ribolli/GloboEsporte.com

Tite é um exemplo raro em que o técnico se torna o grande ídolo de um clube de massas. Raramente, se viu isso no futebol brasileiro. Até Telê, membro de honra na galeria dos heróis são-paulinos, dividiu espaço com Raí e Muller em seus tempos áureos no Morumbi. Saiu por problemas de saúde, mas já tinha uma sucessão pavimentada com o então auxiliar Muricy, que mesmo assim levou um bom tempo para se efetivar.

No Corinthians, porém, não existe um nome natural a ser promovido. A diretoria, então, se vê forçada a buscar uma solução no mercado. E recebe respostas negativas. Roger tem o cockpit do Grêmio moldado com suas medidas. Prata da casa, consegue até sobreviver a eliminações sem estar ameaçado. Não tem nada a ganhar trocando seu lugar natural pelo desafio do Corinthians. Sylvinho prefere, com razão, terminar sua preparação na Europa. Fernando Diniz e Eduardo Batista sabem que o salto para o Corinthians neste momento é um passo arriscado demais. Precavidos, optaram por esperar o tempo dar o momento ideal para tamanho passo.

Substituir Tite não é fácil. A saída do maior vencedor da história do Corinthians joga uma responsabilidade enorme sobre o seu sucessor. Guardadas as devidas proporções, seria como pegar a 9 da Seleção depois de Ronaldo Fenômeno. Ou a 10 do Santos depois de Pelé. No primeiro caso, ainda não tivemos o centroavante que nos faça esquecer o Fenômeno. No segundo, nunca mais houve alguém como o Rei.

Não que Tite tenha o mesmo brilho que o Pelé, atleta mais consagrado na história do futebol. Mas no consumo interno do clube, no dia-a-dia com jogadores, imprensa e torcida, Tite tem a aura de idolatria. Tanto que está na quarta remontagem do time e conta com apoio de todos. A primeira foi no pós-Tolima, com a saída de Ronaldo e Roberto Carlos, entre outros. A segunda, em 2013, no pós-Mundial. A terceira em 2015, com as saídas de Guerrero, Sheik, Fábio Santos, entre outros, e a montagem do time do hexa. Agora, estava no desafio imposto pelo ataque dos gafanhotos chineses. Tite estava no meio do trabalho. Não tinha ainda um time formado, perdeu o Paulista e a Libertadores, mas tinha crédito para iniciar a montagem da atual equipe, que não empolga, mas estava na ponta até a chegada do convite para a Seleção.

A barra no Corinthians pesa mais. A torcida está mal acostumada por causa dos títulos recentes. A diretoria abre as portas do CT para cobrança de torcedores. Todos os jogos do time têm transmissão da TV, estádio lotado, batalhão de repórteres e cobranças fortes. Se for bem, o técnico se consagra. Se for mal, afunda sob todos os holofotes. Não é fácil aceitar o convite para tamanho desafio.

Acho que o Corinthians deveria optar por uma solução combinada e gradual. Para o principal, trazer um técnico cascudo, com couro experiente para as pancadas. Abel, Parreira, Oswaldo Oliveira não são os nomes prediletos do torcedor, mas têm condições de suportar eventual mau tempo e levar o time a um porto seguro. As promessas, como Sylvinho e Fernando Diniz, poderiam começar por baixo, no comando das categorias de base, se preparando para um passo maior no futuro.

O importante não é só resolver o Brasileiro de 2016. É preciso também iniciar um trabalho de base que, amadurecido, assuma a equipe principal e proporcione mais um bom tempo de time competitivo.

2 comentários em: “O desafio de substituir Tite no Corinthians não deve visar apenas o ano de 2016

  1. Como de costume, concordo totalmente, Emerson Figueiredo! O problema é com essas recusas, está complicado pensar em um técnico sequer para agora, quem dirá para o futuro.

    Não sei se seria possível, mas dado o cenário atual, um nome eu acho que seria ótimo é o do Carlos Bianchi.

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