O futebol brasileiro cresce… se o país cresce

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É certo. Já não há mais margem para empurrar: o Brasil hoje está completamente intolerante com o quadro deficitário dos clubes brasileiros. Os débitos com a União já não são mais suportáveis, e em tempos de divulgações de amplos esquemas de corrupção com o dinheiro público, que trazem discussões sobre a moralidade da sociedade brasileira, as principais entidades futebolísticas do país não conseguem evitar os respingos dessa discussão. Tornou-se imperativo que os clubes recuperem sua saúde administrativa, sanando sobretudo as fortes dívidas que contraíram ao longo de décadas de gestões irresponsáveis e despreocupadas. Os comprometimentos são de toda ordem. Vão bem além do acerto de contas com o setor público: passam por dívidas trabalhistas e administrativas, como pagamento a fornecedores.

Os principais envolvidos nessa crise naturalmente são os grandes clubes nacionais, aqueles que mobilizam cerca de 95% da torcida do país e, consequentemente, são responsáveis pela mesma proporção de movimentação econômica no setor, e pendências com terceiros. Portanto, sob um panorama caótico, eles precisam se mobilizar para resolver seus problemas o mais rápido possível. Uma medida provisória foi baixada estabelecendo diretrizes para o abatimento de dívidas de forma moderada, mediante contrapartidas. Ou seja, a discussão que ganhou corpo no último par de anos, parece que finalmente gerou efeitos concretos. E os clubes parecem agora amparados por um sistema claro que deverão seguir para se reerguer. Então é mãos à obra, certo? Calma.

Como qualquer entidade desportiva, um clube de futebol é a faceta de uma sociedade. Seu modo de funcionar está totalmente integrado à dinâmica pela qual o mundo que o cerca se comporta.  Não adianta forçar os clubes a ajustarem suas engrenagens administrativas se eles são dependentes de um governo que precisa ser ainda amplamente revisado. Eles sempre dependeram das políticas estabelecidas pelo poder público, e seus vícios internos seguem o padrão dos vícios do governo. Não dá para cobrar organização e excelência administrativa, se quem forneceria essas condições está tumultuado. A tolerância fiscal que contribuiu para o endividamento dos clubes ao longo do tempo surgiu da mesma fonte que agora cobra reestruturação. Se não tivesse havido essa tolerância, não surgiriam montanhas em dívidas no universo daqueles que são apenas representações de grupos.

Portanto, parte relevante da responsabilidade pelo quadro atual é do próprio país, que foi conivente com a gambiarra nos clubes. Isolá-los num universo de culpa e tratá-los como se fossem laranjas podres de uma cesta saudável, criadas apenas por seus dirigentes, e separá-los de suas torcidas e de todos os outros setores que alimentaram por anos esse hábito de gastos desequilibrados, é uma visão cômoda e até irresponsável. Que não se espere que os clubes se reorganizem deliberadamente, sem sincronia da cadeia de consumidores, fornecedores, patrocinadores e fiscalizadores que os cerca. Estão todos correlacionados.

Os clubes brasileiros não podem mais ser tratados apenas como instrumentos de popularização de dirigentes para alcançar status quo e cargos públicos, e depois continuar os utilizando como fonte de projeção, protegendo-os, de dentro do próprio governo, com pouca vigilância fiscal, para perpetuar um ciclo de abuso de suas marcas fortes, e deterioração de suas gestões.

O futebol brasileiro tem solução. Mas é decisivo que todas as partes envolvidas caminhem na mesma direção e sejam próativos, fiéis a suas ambições de moralização, e cumpridoras de seus deveres.

Um comentário em: “O futebol brasileiro cresce… se o país cresce

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