O milagre que um gol em cima da hora pode fazer, transformando em festa o que poderia ser uma grande tragédia

Créditos da imagem: Fernando Dantas/Gazeta Press

Todos temos nosso anjo da guarda. Mesmo os que se dizem ateus. Não é uma questão de querer. Nascemos com ele e ponto. Tão certo quanto a morte. Sabemos, também, que os anjos da guarda cuidam mais, vigiam mais de perto, o tempo todo, as crianças e os bêbados. Quantas vezes você vê uma criança fazendo peraltices, acha que o pior vai acontece e nada acontece? Um montão, certo?

E os bêbados? Já percebeu como caem empurrados pela “marvada”, batem com tudo no chão, mas não arrebentam a cabeça na guia? E como fintam os carros ao atravessar uma rua movimentada?  Até nos que bebem todas e saem dirigindo por aí, o anjo da guarda fica de olho. Dá aquela força, movendo a direção para o lado certo. Às vezes o anjo não consegue aliviar o pé que aperta o acelerador, e aí….. mas, na maioria das vezes que o bêbado abusa, ele mostra-se presente. É, no mínimo 96 por 1.

Quarta-feira, descobri que não são apenas os bêbados e as crianças que são guardados por anjos. Os árbitros também. Sim, os árbitros de futebol. Não vou mentir. Já vi em algumas outras raras ocasiões, mas nunca, que me lembre – e olha que sou bom de memória -, como na batalha campal, que facilmente poderia ter sido só um belo jogo, sem tantas jogadas faltosas, sem tantas reclamações, sem tanto empurra-empurra, entre Palmeiras e Peñarol, pela Libertadores.

Tudo bem que alguns jogadores, especialmente Dudu, foram para campo levando na cabeça mais as histórias – nem todas verdadeiras – que vivem contando por aí sobre catimba neste torneio, a conversa que só se ganha no grito e na marra, do que as orientações que deve ter recebido do técnico nos vestiários. Tudo bem que o clima já prometia ser quente, desde que Felipe Melo garantiu, dias antes, em entrevistas, dar tapas e safanões. Tudo bem que os uruguaios vieram  para cá dispostos a irritar Dudu, um esquentadinho por natureza, e cavar uma expulsão para Felipe Melo que, percebendo, se mancou.

Tudo bem tudo isso e o céu também, mas o árbitro equatoriano Roddy Zambrano e o auxiliar​ Luis Vera exageraram na incompetência. Sua Senhoria estourou os bagos dos mais pacientes, conversando demais com os jogadores, pedindo calma, dizendo que ia agir, sem agir, falando no ouvido de um e de outro. Um porre, que ajudou a aumentar o nível de adrenalina dentro e fora do campo. Fazendo com que torcedores do Palmeiras, que em dados momentos até aceitariam uma derrota ou o empate, graças aos erros do time, culminando com o pênalti perdido por Borja, passassem a ver nele e no bandeirinha um judas, o culpado por tanta aflição. Indo além, um safado.

Especialmente quando o time, que podia ter liquidado a fatura fazendo 3 a 1 com o pênalti,
sofreu o gol de empate (2 a 2). E definitivamente quando, após aceitar toda catimba dos uruguaios, já nos acréscimos, e a encheção de saco do Dudu, terminando por expulsá-lo, viu o Peñarol  escapar em contra-ataque e Berger chutar por cima, com perigo. Isso, segundos antes de Michel Bastos cobrar escanteio para Fabiano marcar 3 a 2.

Zambrano podia ter terminado o jogo antes de Gastón Rodríguez ter a chance de virar para os uruguaios e, em seguida, de apitar o centro do campo antes da cobrança de escanteio decisivo. Mas seu anjo da guarda – que merece aumento e longas férias – achou melhor orientá-lo para que deixasse o tempo correr. Na verdade, fez mais que isso, aumentou a impulsão de Fabiano para não haver o menor risco de não sair o terceiro gol para o Palmeiras.

Enfrentar a bronca dos jogadores uruguaios no campo e a ira da imprensa lá em Montevidéu foi mole, um presente de Páscoa para eles. Pimenta malagueta nos olhos seria se o resultado fosse outro. Depois da cera e da expulsão de Dudu, nem o empate serviria mais. Não excluo a hipótese de que levasse alguns cascudos, às escondidas. Merecidos. Ele que agradeça seu anjo  da guarda.

18 comentários em: “O milagre que um gol em cima da hora pode fazer, transformando em festa o que poderia ser uma grande tragédia

  1. Excelente, mestre José Maria de Aquino! E eu acho que o Palmeiras precisa ser grato pelo tempo bizarro de acréscimos que o juiz deu. Foi correto por tudo o que os uruguaios fizeram, mas que não é usual, não é!

  2. Raridade é encontrar, além de anjos da guarda, um jornalista escrever um texto monumental desses… Putz, onde eu estava que ainda não tinha te lido, Zé Maria?!?!

    1. Na verdade, juto, acho que ele fez o certo. Não sei se faria em caso inverso – se o jogo fosse no Uruguai. E, no entanto, correu sério risco de ser enforcado no P.A, caso saísse aquele terceiro gol, uruguaio…

  3. vejo muito isso se repetindo no campeonato inglês onde os juízes as vezes dão acréscimos absurdos em jogos que o placar nao e favoravel a o chelsea quero acreditar que não seja pra favorecer o chelsea, que está jogando bola de campeão mesmo e não precisa ter ajuda do apito tem uns acasos que não pode ser conhecidência entao a mesma coisa digo do Palmeiras não precisa ser ajudado..

    1. Acho que o árbitro deve acrescentar no tempo quando o time que faz cera, bagunçca etc está em vantagem. Mas não se ele está ou passa a rficar em desvantagem. No caso, estará beneficiando o inflator. Certo?

    1. Meu relógio não funciona, no caso, porque não sou árbitro atuando. Nada tem a ver com os relógio dos envolvidos no jogo. Se dá para entender. Espero que sim. Afinal,é fácil. E em em cima da hora no do árbitro, porque ele pára o cronômetro sempre que acha necessário. Por isso sa dois relógios. Não precisa agradecer.. rrss

  4. Por oportuno, Sr. José Aquino, damos os Parabéns ao CRUZEIRo. É duro torcer para um time de BAMBIS, sem técnico.

    1. Depende. No caso, sendo jogo internacional, o Corinthians não tem lá esse prestígio todo…Apito amigo do Corinthians é made in Brazil..

    1. Qual é a graça? Também gostaria de rir. Mas, de qualquer forma, leia, pf, a resposta dada ao Prado, acima. abs

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