O Novo Basquete Brasil e o velho futebol brasileiro

Créditos da imagem: Pedro Ivo Almeida/UOL

Depois de entrar em forte crise na década passada e passar anos despercebido do grande público, o basquete brasileiro já tem dado a volta por cima ao demonstrar uma grandiosa capacidade de gestão que passa longe dos gramados brasileiros.

No começo do mês, o Novo Basquete Brasil fez o que o futebol não consegue fazer há anos: se livrou dos canais Globo e acertou a sua transmissão com uma rede muito mais diversificada de emissoras.

Até o ano passado, os jogos do NBB eram transmitidos pela Band, pelo SporTV, além do Facebook e do Twitter. Com a mudança que entrou em vigor nesta temporada -iniciada no sábado, dia 13- e com o fim do contrato com a Globo, o SporTV deixa de exibir o campeonato e dá lugar a ESPN, FoxSports e BandSports.

O ganho para a competição é tão grande que a partir de agora há transmissão de jogos da NBB em todos os dias da semana, com exceção do domingo. Isso significa que a fatia de jogos transmitidos passará de 50% para 75%, ou 3 a 4 jogos.

Enquanto no futebol uma única emissora decide o que passar, quando passar e para quem passar, no basquete os fãs terão acesso à grande maioria dos jogos e poderão assisti-los quando quiser, de onde quiser.

Isso trará impacto imediato com público, patrocinadores e, muito provavelmente, na qualidade do esporte apresentado, que tende a receber mais receitas a partir de agora.

A expectativa de sucesso dessa nova mídia tem explicação: é exatamente o modelo usado nos jogos norte-americanos, em que, em vez de haver uma transmissora exclusiva, que tem o direito sobre o bolo inteiro, há várias emissoras que terão, cada uma, seu jogo exclusivo da semana, o que permite que o bolo seja repartido e que seja consumido da forma que cada uma das empresas achar melhor, sem prejudicar a qualidade do esporte e o direito do telespectador de acompanhar seus jogos.

Para que seja possível uma padronização de transmissão, o NBB é responsável por toda a geração das imagens, que serão repassadas prontas para serem colocadas no ar pelas emissoras, com sua equipe de repórter, jornalistas e comentaristas próprios.

Enquanto no campo é necessário que se pague o olho da cara para assistir a meia dúzia de jogos por mês de seu time no Brasileirão, na NBB estará quase que tudo aos olhos do telespectador, já que pelo menos metade dessas transmissões são de acesso gratuito (Band, Twitter e Facebook), enquanto a outra metade poderá ser adquirida por um pacote nem tão caro pelos canais de assinatura.

Seria um sonho ver esse modelo nos gramados do Brasil, com jogos por todos os dias da semana, independente da força midiática dos times. Infelizmente, o adiantamento de cotas e a péssima gestão dos clubes impedem que mudanças deste tipo aconteça no país.

Três pontos a mais para o basquete brasileiro!

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