O que Dorival Júnior poderia ensinar a Eduardo Baptista

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

Eduardo Baptista carrega o sobrenome do pai, o experiente Nelsinho, e vai, aos poucos, consolidando a sua trajetória como treinador de futebol.

Pupilo declarado do seu genitor, Eduardo foi preparador físico de algumas equipes até que a oportunidade de treinar o Sport entre 2014 e 2015 surgiu. E com ela a mudança de patamar na carreira.

A equipe pernambucana foi uma das grandes sensações do Brasileirão do ano passado, com um futebol envolvente do trio Diego Souza, Marlone e André (sem falar em Danilo Fernandes, Renê, Durval, Rithely etc), que proporcionou ao clube frequentar com constância o G-4 e chegar até mesmo à liderança da competição.

Valorizado, o treinador  foi contratado ainda no final do Brasileirão passado pelo Fluminense, que vivia um momento delicado de contenção de gastos que culminaria até – em momento posterior – na saída do ídolo Fred do clube, e, podemos dizer, acabou fracassando. Com maus resultados, não resistiu e foi demitido.

“Treinar clube grande é outro papo” foi o que mais li e ouvi àquela altura.

Obrigado a dar um passo para trás na carreira, Eduardo Baptista assumiu, então, a Ponte Preta. Novamente realizando um grande trabalho (é o sétimo colocado no Campeonato Brasileiro e empatou o jogo de ida fora de casa contra o estrelado Atlético Mineiro pela Copa do Brasil) o treinador agora vê o seu nome sendo “ventilado” no Corinthians, que estaria insatisfeito com Cristóvão Borges.

O problema é que o Corinthians atual, em que pese toda a sua grandeza, é um verdadeiro “abacaxi”, especialmente após a saída de Tite e de jogadores pilares da equipe (Elias, talvez o “último dos moicanos”, voltou para Portugal após desentendimento com a torcida).

E é exatamente aqui, sobre o timing na carreira, que a comparação com o técnico Dorival Júnior tem início. Vejamos.

No primeiro semestre de 2010, Dorival treinou possivelmente o melhor Santos dos últimos anos. Mesmo com alguns jogadores de qualidade questionável (Pará, Wesley, Marquinhos, Madson, Zé Love etc), ele conseguiu montar o time mais gostoso de se ver jogar no País desde o Palmeiras de 96. Era só “sacolada”.

Mas naquele mesmo ano, Dorival Júnior e Neymar, o então ídolo maior do elenco, entraram em rota de colisão e, claro, a corda acabou estourando para o técnico, demitido pelo falecido LAOR, presidente do Peixe à época.

E foi ali que a sua carreira começou a degringolar. Aceitando treinar vários clubes na sequência – muitas vezes no meio da temporada e sem qualquer respaldo das respectivas diretorias -, o treinador foi arranhando a sua imagem e, apesar de até ter conseguido realizar coisas boas em alguns desses clubes (livrou o Atlético Mineiro do rebaixamento após uma herança maldita de Luxemburgo, no fim de 2010, ganhou uma Recopa pelo Internacional e classificou o time à Libertadores em 2011, além de ter livrado o Fluminense e o Palmeiras do rebaixamento quando a situação já estava feia), a pecha de que ele foi (é) bom apenas no Santos foi estabelecida (sendo convenientemente esquecidos os bem-sucedidos trabalhos anteriores no Figueirense, no Sport, na sua primeira passagem pelo Vasco, quando foi campeão da Série B, Coritiba etc)…

Pena!

Dorival não tem grife. Para muitos, é um pecho frío. Não para mim, que considero uma injustiça esse tratamento dispensado a alguém que já há algum tempo vem demonstrando um ótimo trabalho dentro do futebol e que, independentemente dos títulos (que uma hora inevitavelmente acontecerão, como foi com Tite e Cuca, duas das recentes vítimas desse preconceituoso mundo do futebol, mas que conseguiram dar a volta por cima), é sim dos profissionais mais gabaritados entre os brasileiros na atualidade.

De maneira que chego à conclusão que o “tem que ganhar” é implacável no futebol. E justamente por isso, para que não enfrente o mesmo caminho tortuoso de Dorival Júnior, que Eduardo Baptista deve pensar muito bem antes de sair da Ponte Preta para se aventurar novamente em algum clube grande.

Depois da (fracassada) passagem pelo Fluminense, o “filho do Nelsinho” não tem mais cartucho para queimar. Que resista à tentação e inicie, tão somente em 2017, um trabalho em longo prazo com toda a estrutura que a sua competência merece.

E segue o jogo.

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11 comentários em: “O que Dorival Júnior poderia ensinar a Eduardo Baptista

  1. Totalmente de acordo. Ele merece algo muito melhor que este “balaio de gatos” em que se transformou o “timinho” nos últimos tempos.

  2. Zeti teve um início mais ou menos assim no Guarani e aceitou sair. Foi ganhar muito mais e, me disse numa reunião de palestras, em Florianópolis, decidiu parar – até porque esses times só pagam na Justiça, e às vezes demora. Tenho um pé atrás – que não gostaria – com o Dorival desde o dia em que o Ganso, mau profissional, se negou ser substituido e ele deixou por aquilo mesmo….

    1. É verdade, mestre! O curioso é que nesse caso muita gente preferiu ver como “grandeza do Ganso”, em vez de destacar o erro dos dois…

  3. Faltou falar do ótimo trabalho dele no Cruzeiro, Fernando. Lá ele fez uma campanha consistente e se projetou para o futebol. Dorival às vezes sofre por sua coerência, e para mim (como palmeirense) ficou muito clara a injustiça q ele sofreu ao ser demitido no fim de 2014. Ótimo texto!

  4. Perfeito, Fernando Prado, assino embaixo! Como regra, treinador ascendente não pode se dar ao luxo de aceitar assumir times durante a temporada.

    E concordo totalmente sobre o Dorival Júnior. Aos seus bons trabalhos, acrescento ainda o São Caetano (vice-campeão Paulista de 2007) e o Cruzeiro também em 2007 (que classificou para a Libertadores) 😉

  5. Tem várias coisas a ensinar, uma delas é como perder para times que estão lá embaixo na tabela de classificação, outra é como levar o time pra defesa e levar gol nos últimos minutos dos jogos. Também a como perder títulos e vagas pra libertadores, além claro de como motivar um time a ser covarde. Dorival JR “TCHAU”!!!!

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