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Os presentes que ganhei de Pelé – Parte I

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Créditos da imagem: Montagem/No Ângulo

Edson Arantes do Nascimento, Pelé, uma única e só pessoa, faz 75 anos nesse dia 23 de outubro. E me deu inúmeros presentes nesses anos todos, desde que, profissionais, cada um no seu lugar, a partir de 1966, convivemos. Eu repórter, iniciando com o Jornal da Tarde, e ele o rei que todos conhecem e alguns criticam – por pura inveja ou ignorância.

Vou começar contando que o grande sonho do diretor de uma revista onde trabalhei, era me ferrar. Faleceu sem realizar seu sonho. Tentou muito, e cada vez mais me dava ânimo para fazer ainda melhor, o que conseguia. Uma das tentativas, foi em 1975, quando veio a notícia de que Pelé podia voltar aos campos. Pelé tinha se despedido em 1974, jogando 42 minutos contra a Ponte Preta, na Vila Belmiro, e um ano depois, para acertar as finanças, estudava assinar com o Cosmos, de Nova Iorque. O diretor, que de futebol mal sabia que um time é formado por 11, chamou-me e disse: “Vá lá e traga uma exclusiva”. Não bastava entrevistá-lo – o que fiz dezenas de vezes -, num momento em que dezenas de jornalistas do mundo se acotovelavam na pequena saleta de seu escritório, em Santos. Tinha de ser exclusiva. Deixei para rir em casa.

Ordem dada na segunda-feira, desci a serra cedinho na terça. O dia inteiro por lá, e nada. Assim foi na quarta e na quinta. À noite, quando voltei de mãos vazias, minha mulher fez uma pergunta, que, no momento, me irritou. Quis saber se Pelé ia mesmo assinar contrato. Respondi que sim. Ela quis saber se ele era do tipo enganador e respondi que não. Ela, então, concluiu: “sendo assim, ele deve estar treinando”. Treinando?, rebati. Chego lá antes das 8, saio depois das 20. Treinando onde e como? Só se for de madrugada. Falei e não esperei que ela respondesse, vitoriosa (risos). Liguei para a editora pedindo para que o carro passasse às 5h da madrugada em minha casa. E lá fomos eu e o Zé Pinto, excelente fotógrafo.

Direto para a casa dele na Ponta da Praia. O vigia fez sinal que já tinha se mandado fazia tempo. Não eram 6:30 horas. Fomos ao campo do Brasil e nada. Ao da Light e nada. Restava a Vila Belmiro… Fiz sinal para o porteiro, velho amigo, e… bingo! Olhei para o gramado e nada. Abri devagarinho a porta do vestiário e lá estava ele, acabando de sair do banho.

Bati levemente na porta, perguntei se podíamos conversar três minutos e ele, curto e grosso: “não”. Insisti e ele: “não”. Segundos de silêncio. Em seguida Pelé riu e completou: “não se conversa nada em três minutos. Entre”.

Disse a ele que faria só duas perguntas. Você vai assinar? “Vou, estamos acertando detalhes”. Sabe o que o povo está falando? (Pelé tinha recusado jogar a Copa de 74). “Sei, e quero que o povo… Tenho de cuidar da minha vida. Se amanhã eu ficar duro, eles dirão que gastei tudo com as loiras”.

Tinha acabado de se trocar e me ofereceu carona até o escritório na Mercedes, que dirigia. Deixei Zé Pinto para trás. Na esquina, ele pediu para que eu descesse e nada falasse aos companheiros, que já chegavam para mais um dia de longa espera. Ele ia entrar pelo outro lado da rua. Dei um tempinho na sala lotada, meio mundo fumando, tomando cafezinho, e subi a serra. Já na redação, sentei-me num canto sem nada dizer, deixando que o diretor saboreasse o que imaginava minha derrota. Em seguida, desapareci. Entrei numa sala ao lado, vazia, escrevi e entreguei a ele a exclusiva.

*A continuar.

 

Leia meu blog em www.tvredepaulista.com.br/josemariadeaquino

Carta ao Rei Pelé – Mensagem de Feliz Aniversário
Palpites da 32ª rodada do Brasileirão 2015

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- possui 69 artigos no No Ângulo.

Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

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17 respostas para “Os presentes que ganhei de Pelé – Parte I”

  1. Caio Bellandi disse:

    Mais uma história sensacional! Tempos em que fazer jornalismo era isso aí! Muito diferente, e quem era bom fica eternizado. Como o José Maria de Aquino.

    Palmas, palmas!

  2. yussef damian disse:

    Deixei pra rir em casa……Sensacional.

    conversar três minutos,não e não….“não se conversa nada em três minutos. Entre” Coisa de dois reis. Parabéns Zé Maria.

  3. Alex disse:

    impossível conversar somente 3 min com o zé!

  4. Parabéns rei,é parabéns grande jornalista de verdade José M.de Aquino

  5. Ademir Tadeu (Coluna do Leitor) Ademir Tadeu disse:

    Fantástica! O senho já havia me contado essa pessoalmente.

  6. Adilson Dutra disse:

    Aos jovens e prováveis futuros jornalistas: isto é profissionalismo, isto é fato jornalístico e, infelizmente, não há mais isto.
    Quem viveu este tempo ou ouviu Zé Maria de Aquino, teve lições grátis e deliciosas.
    Parabéns, amigo, você é exemplo para a classe.

    • José Maria de Aquino Jose Aquino disse:

      Bom, acho que hoje complicam mais as coisas, Adilson. O pessoal que cerca os “craques”. Veja o próximo presente. Abraçoss

  7. O Rei e o Mestre. 😉

  1. […] Os presentes que ganhei de Pelé – Parte I […]


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Gabriel RosteyGabriel Rostey

Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

José Maria de AquinoJosé Maria de Aquino

Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

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Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não resiste a um bom debate sobre esportes, desde futebol até curling. São-paulino, é fundador e moderador do Fórum O Mais Querido (FOMQ). Não esperem ufanismos e clichês. Ele torce, mas não distorce.

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“Prata da casa” oriundo da Coluna do Leitor, este internacionalista é tão louco por futebol que tratou do tema até em seu TCC. Mestrando em Análise e Planejamento em Políticas Públicas, neste espaço une o gosto por escrever com a paixão pelo esporte mais popular do mundo.

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Natural de Brasília, mas residente em São Paulo desde que se conhece por gente, é um apaixonado por esportes e pela “sétima arte”. Jornalista e advogado, busca tratar o futebol com a descontração que lhe é peculiar, com o compromisso da boa informação e opinião consistente.

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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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