Os “times da arquibancada”

Créditos da imagem: Globo Esporte

O ano ainda não acabou, mas será de uma cruel melancolia para alguns clubes do futebol brasileiro até o seu término. Apontados como claros favoritos no início do ano, Palmeiras, Atlético-MG e Flamengo se vêem precocemente distantes dos megalomaníacos objetivos traçados no início do ano. Uma sucessão de erros dos três levou ao fracasso, erros sobre os quais eu vejo diversos pontos em comum.

O grande ponto é que esses três clubes não possuem uma convicção. Futebol é muito dinheiro, mas dificilmente ele basta quando não se acredita em uma ideia sólida de como se praticar e administrar futebol. Se o Flamengo é um exemplo de como sanear finanças, vai na contramão de tudo isso quando se trata de montar um time (não somente juntar grandes nomes). Bandeira de Mello, além de tudo isso, foi picado pela mosquinha azul da soberba e comprou briga com torcida, imprensa e conselheiros do clube para manter um técnico em que ele próprio não acreditava. Viu esse mesmo técnico escalar contra o Vitória um time sem sua cara  e ser melancolicamente punido por isso. Zé Ricardo se foi ao não escalar Márcio Araújo (ao escalar o time da arquibancada), que ironia…

O Galo demitiu Marcelo Oliveira no meio de uma final. Se tem esse direito, o presidente tinha o dever de identificar os problemas apontados na ocasião da demissão no decorrer do Campeonato Brasileiro no qual a equipe já apresentava um futebol pobre, pobre. Some a isso um clube que gasta bem mais que pode e que incha um elenco com medalhões que nem sempre estão no auge da sua motivação e vontade. O trabalho de Roger não deu liga e o resultado é um ano em que nem para a Libertadores o Galo deve ir.

E há o Palmeiras, ah, o Palmeiras! Cuca, com todo o direito do mundo, resolveu sair no fim do ano passado. O Palmeiras, com todo o direito, resolveu apostar no novo. Parecia haver a crença generalizada que esses grandes nomes do rico Palmeiras jogariam sozinhos, sendo necessário apenas que o treinador escolhido não atrapalhasse. Lembro-me que no segundo jogo do Paulista a arquibancada já gritava por Cuca. Direito dela. Contudo, após todos os tapas na cara de uruguaios, o presidente Galliote teve a ousadia de demitir um técnico com 70% de aproveitamento em nome de um desempenho mais satisfatório. Seria elogiável se não fosse mais uma medida populista do que o fim da cultura de resultados no futebol brasileiro. Cuca não é o culpado pelas eliminações recentes do Palmeiras. Errou sim, mas não pode ser crucificado por acreditar até o fim nas suas ideias de futebol. Culpo dirigentes e até alguns setores da imprensa que não as tem. Aplaudiram a vinda de Cuca antes, sem pensar na distância entre os conceitos dele e de Eduardo Baptista. Pedem sua cabeça agora.

Na contramão de tudo isso, o Corinthians escolheu (por força das circunstâncias, é bem verdade) um técnico que nem torcida, nem imprensa, nem os próprios dirigentes acreditavam. A arquibancada descontente, entretanto, viu Fábio Carille montar o time com campanha mais sensacional que o Campeonato Brasileiro jamais viu. Quando se tem ideias claras de futebol e se acredita nelas, a voz da arquibancada não é a voz de Deus.

7 comentários em: “Os “times da arquibancada”

    1. Trazer o Oswaldo foi mesmo um erro tremendo. Mas tenho sérias dúvidas se o Carille teria dado certo se fosse mantido. Ele deu certo esse ano com tempo pra trabalhar e implantar suas ideias , sem a pressão de ser o atual campeão Nacional ou mesmo substituir imediatamente o técnico da seleção.Fosse mantido talvez queimariamos a maior revelação de treinador da década!

  1. Pode parecer maluquice, mas esses detalhes, erros, bobagens, acertos que não eram nem poderiam ser previstos, é que ainda sustentam o futebol, fora e dentro do campo

  2. Muito bom, Matheus Aquino! Mas ainda não consigo achar que o Flamengo errou tanto. Acho que o máximo que ele poderia fazer seria trocar o técnico quando foi eliminado na Libertadores, por não confiar no trabalho. Porque na virada do ano não tinha como tirar o técnico que simplesmente “criou” este Flamengo forte, afinal, o time nem existia nos tempos do Muricy…

    Acho que o problema do Flamengo é simplesmente superestimarem o elenco mesmo. De resto, acho que vem fazendo quase tudo corretamente mesmo.

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