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Pagamos hoje pelos pecados de 1982, ano em que abrimos mão do bom futebol

Data da foto: 1982Falc„o, J˙nior, SÛcrates e Zico no jogo Brasil X It·lia, da Copa de Mundo de 1982.

Créditos da imagem: Blog do Barath

A Seleção Brasileira volta a ser assunto, mas sem despertar muito otimismo. Também pudera, a atual geração desafia a todos os torcedores. É o desafio de ter fé mesmo com a falta de talentos. E até o desafio de identificar quem está jogando, de onde veio, o que já fez na carreira etc. Tirando Neymar, não se espera nada de excepcional da atual safra.

E, para ira dos críticos do saudosismo, posso afirmar que isto é resultado de uma “decisão” tomada há 34 anos. Foi quando se ergueram as vozes contra a seleção de 1982. Todos se maravilharam com o esquema que Telê Santana montou para conseguir colocar em campo Sócrates, Zico, Falcão, Cerezo, Júnior, Leandro & cia. Não tinha volante brucutu. Na zaga, jogava o estiloso Luizinho, em vez dos botinudos. Todos sabiam jogar. A bola fluía de pé em pé.

A única exceção era Serginho Chulapa, que apesar de goleador não tinha talento à altura dos companheiros. Mas ele só entrou no time por causa da contusão do ótimo Careca.

Naquele ano, tudo ia bem até a trágica derrota para a Itália no estádio Sarriá. A partir daquele dia, iniciou-se uma campanha contra o chamado futebol-arte. Técnicos, comentaristas e torcedores passaram a criticar o ofensivismo de Telê. Pediam um futebol “competitivo”, com zagas fechadas, a força em lugar do talento.

Essa mentalidade foi se enraizando. Os times nacionais, com raras exceções, adotaram o estilo feio e supostamente vencedor.

Telê ainda foi chamado em 1986, mas poucos meses antes da Copa do México, para ver se conseguia ter um time digno de usar o uniforme verde e amarelo. Tentou e quase chegou. Mas a geração de 82 estava envelhecida. Zico mal conseguia jogar por causa do joelho. E ainda assim só caímos na disputa dos pênaltis contra a França de Platini.

Depois disso, tivemos o 3-5-2 de Lazaroni (quem?) em 1990, destruído em uma única jogada de gênio de Maradona. Vieram outros até Parreira, que ganhou a Copa de 94 com um futebol frio e pobre, salvo pela retranca e pela genialidade de Romário, com Bebeto como coadjuvante.

Houve ainda um respiro em 2002. Apesar do Felipão, foi possível juntar naquele ano uma geração que tinha Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Cafu e Roberto Carlos. Aquela foi nossa única grande Seleção desde 1982.

O problema se agravou porque o pior efeito nefasto da mudança de rumos em 82 foi percebido na formação de novos jogadores. As categorias de base foram contaminadas pelo competitivismo. Os garotos não aprendem fundamentos que sempre foram a marca do futebol brasileiro: o talento para dominar a bola, a criatividade, o drible, o improviso, as tabelas mortais… Parecem um monte de robozinhos. Craques são lobotomizados e o talento é reprimido em nome da necessidade de ser competitivo.

O resultado está aí. Hoje, contamos nos dedos os jogadores brasileiros que podem ser chamados de craques. Jogadas de talento são a absoluta exceção em nossos times e seleções. Certa vez, o saudoso Nilton Santos comentou, com sua imensa generosidade, um lance em que o centroavante Jardel, com a camisa da Seleção, deu duas caneladas na bola até deixar que ela saísse pela lateral em um lance sem marcação. “Puxa, o menino não foi bem orientado. O negócio dele não é futebol”, disse o mestre.

Por outro lado, o ex-cracaço Mário Sérgio defendia com um argumento desanimador os técnicos retranqueiros de times botinudos. “Eles fazem isso porque precisam do emprego.”

E assim chegamos a essa aridez de craques que vemos na nossa seleção. E o futuro promete ser pior. A não ser que tentemos dar uma guinada nos rumos do futebol dos últimos 30 anos, principalmente nas categorias de base.

Tenho certeza de que o Barcelona montado por Guardiola tinha muita inspiração na Seleção de 82. Ele mesmo já falou de sua admiração pelo estilo brasileiro de antigamente.

A Espanha foi a que mais fez nos últimos tempos pelo bom futebol. Montou em sua seleção e nos seus times de ponta estruturas que valorizaram o talento. E, finalmente, demoliu o estádio Sarriá, palco em que o excelente futebol brasileiro foi mortalmente alvejado em 5 de julho de 1982.

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- possui 102 artigos no No Ângulo.

Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.


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14 respostas para “Pagamos hoje pelos pecados de 1982, ano em que abrimos mão do bom futebol”

  1. Assino embaixo, Emerson Figueiredo! Continuamos inconscientemente achando que existe uma relação inversamente proporcional entre “bom futebol” e “chance de vitória”.

    Tanto que ainda hoje vejo gente contestando o Audax, por “exagerar no jogo bonito”, e não percebe que não é pelo futebol diferente que ele não foi campeão, mas sim que isso é que possibilitou que ele chegasse perto do título, em vez ser mero figurante como todos os outros times do mesmo porte…

    • Perfeito. No caso do Audax, ele só chegou tão longe justamente por esse estilo envolvente de jogo. O time de Fernando Diniz colocou os grandes – inclusive o Santos – na roda e por pouco não calou a Vila Belmiro na grande final.

    • E mais: não é o estilo de jogo que necessariamente define um campeão. Um título passa por muitas coisas, algumas delas subjetivas. Exemplo: um Barcelona pode passear na Champions (como no ano passado) e ser campeão jogando um belo futebol, ao passo que esse mesmo Barcelona pode perder para um encaixado e organizado (mas mais conservador ofensivamente) Atlético de Madrid, como na edição deste ano. Ou seja, nada é garantia de nada. Sendo assim, que tentemos aliar a busca pela eficiência e pelos resultados com o futebol bonito. É o que o mundo espera do nosso futebol, nós carregamos essa “responsabilidade histórica”.

  2. Vicente Prado (Coluna do Leitor) Vicente disse:

    POIS É… ATUALMENTE ATÉ O NOSSO ÚNICO CRAQUE (DE QUEM REALMENTE GOSTO) VEM SENDO COADJUVANTE NO TAL TRIO “MSN”.

    * SUÁREZ, MESSI E NEYMAR – NESSA ORDEM – SÃO OS DESTAQUES DO BARCELONA HOJE.

  3. Tadeu Miracema (Coluna do Leitor) Ademir Tadeu disse:

    Sou um saudosista convicto e concordo em gênero, número e grau com tudo que foi descrito acima no belo texto assinado pelo Emerson Figueiredo. A minha tristeza maior é por saber que não mais praticaremos aquele futebol que a todos encantou. Aquela derrota de 82 foi um castigo muito grande para o futebol arte.

  4. Bruno Silva disse:

    Brasil teve a fase que jogou bonito e ganhava. Depois a fase que jogou bonito e perdia. Então passou a jogar feio e ganhar, só que agora joga feio e perde.

  5. Temos jogadores iguais ao de outros países ,o que não temos é técnicos competentes . Wilian Oscar , só jogam de lado , uma dança de rato danada ,não chutam uma bola em gol ,não assumem responsabilidade , Davi Luis , arma contra ataque direto para os adversários. Um meio campo que a bola queima nos pés , e o treinador acha tudo normal. Uma babação de ovo sobre o Neymar , que não esta jogando nada e fica mais fora que dentro . Nosso futebol de hoje é covarde , irão se passar muito tempo para conquistar algo.No Brasil até o futebol acabou rs

  6. César Lukas disse:

    Falta técnicos a safra de jogadores e a pior da história e a de técnicos pior ainda por isso os europeus odeião tecnicos brasileiros pq nao inovam taticamente enquanto esta cheio de argentinos e chilenos por la

  7. Paulo Souza disse:

    Futebol feio ganha copa também, lembram de 94 , falta raça a vontade a muitos que são convocados a seleção amarela

  8. Não perco o meu tempo com à seleção brasileira passar raiva só com o meu time

  9. Disse tudo Decio Augusto Oliveira,gostei do seu comentário

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Emerson FigueiredoEmerson Figueiredo

Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

Gustavo FernandesGustavo Fernandes

Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não resiste a um bom debate sobre esportes, desde futebol até curling. São-paulino, é fundador e moderador do Fórum O Mais Querido (FOMQ). Não esperem ufanismos e clichês. Ele torce, mas não distorce.

Jorge FreitasJorge Freitas

“Prata da casa” oriundo da Coluna do Leitor, este internacionalista é tão louco por futebol que tratou do tema até em seu TCC. Mestrando em Análise e Planejamento em Políticas Públicas, neste espaço une o gosto por escrever com a paixão pelo esporte mais popular do mundo.

Fernando PradoFernando Prado

Natural de Brasília, mas residente em São Paulo desde que se conhece por gente, é um apaixonado por esportes e pela “sétima arte”. Jornalista e advogado, busca tratar o futebol com a descontração que lhe é peculiar, com o compromisso da boa informação e opinião consistente.

José Maria de AquinoJosé Maria de Aquino

Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

Gabriel RosteyGabriel Rostey

Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano é especialista em política urbana. Com formação em gestão do esporte, também encara apaixonadamente o futebol como fenômeno cultural.

Fernando GaviniFernando Gavini

Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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