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Palmeiras e o segredo do fracasso

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Créditos da imagem: LANCE!

Comprar jogadores é um bom começo para a formação de um grande time. Contratar um gerente de futebol bicampeão brasileiro é também um indicador de boas possibilidades de sucesso. Veja bem, estamos falando apenas de “bom começo” e “indicador”, porque certeza só temos depois de os resultados serem conquistados.

Nesta época de culinária em alta, dá para compararmos o futebol com a cozinha. Você pode ir ao mercado e comprar todo tipo de alimentos, mas não terá a certeza de que produzirá o melhor prato. Como no futebol, os ingredientes têm que combinar, se complementar. Não adianta juntar bacon e peixe, por exemplo. Também não pode trocar de cozinheiro antes de ter resultados para serem avaliados. Imagine um cozinheiro começar a preparar todos os ingredientes e, na hora de fazer o prato, ser substituído por outro, que ignorará o serviço já iniciado pelo antecessor e fará tudo de novo a seu jeito.

Esse exemplo cai muito bem na situação do Palmeiras. Depois de anos de penúria, a diretoria conseguiu contratar dezenas de jogadores em uma tacada só. E continuaram a vir todos os tipos de atletas. Parecia realmente uma promessa de novos tempos.

Para começar essa nova fase, o clube demitiu Dorival Júnior, que trabalhara na fuga de nova incursão à Segunda Divisão. Trouxe Oswaldo de Oliveira, que durou seis meses no cargo, até ser vitimado pela falta de título regional. Chegou Marcelo de Oliveira, que teve um tempo pouco maior de trabalho e ganhou um campeonato, de porte menor, mas um título: a Copa do Brasil. Ele também acabou não resistindo aos tropeços iniciais na Libertadores.

Agora, é a vez de Cuca. Em pouco tempo, experimentou uma sequência inicial de derrotas, um início de recuperação (com direito a vitória sobre o rival Corinthians) e agora amarga a eliminação ainda na primeira fase da Libertadores. Ressalve-se que quando ele chegou a coisa já estava afundando.

Não podemos atribuir toda a culpa a Dorival, Oswaldo, Marcelo e Cuca. Seria uma saída fácil, como as que a diretoria palmeirense tenta encontrar. O problema é mais profundo. O clube sofre de uma ansiedade angustiante pela seca de títulos importantes e as passeadas na Segunda Divisão dos últimos anos. As decisões são tomadas com a urgência de quem pensa que ganhar o próximo campeonato é uma questão de vida ou morte. Não há planejamento a longo prazo –o troca-troca de técnicos é uma evidência disso. Jogadores que chegam como promessas são rapidamente encostados, outros os substituem, e todos sofrem na dependência dos planos e humores do técnico de plantão.

Não há como montar uma equipe sem usar o precioso recurso do tempo. O Palmeiras não tem time montado, não está pronto. Está no processo de montagem, que volta ao início a cada troca de treinadores. A mudança que o clube precisa não é de técnico, mas sim de mentalidade. Enquanto a diretoria achar que existe mágica para substituir o velho e bom tempo de trabalho, os palmeirenses terão curtos momentos de euforia e grandes períodos de esperanças frustradas.

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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.


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6 respostas para “Palmeiras e o segredo do fracasso”

  1. Vicente Prado (Coluna do Leitor) Vicente disse:

    Esse Alexandre Mattos é um fanfarrão. Muita pose para pouco conhecimento.

    E o Paulo Nobre embarca na dele…

  2. Assino embaixo, Emerson Figueiredo!

    Acrescento ainda o fato de não saberem contratar jogadores que sirvam de pilar ao time. Investiram muito em jogadores que têm fama e já há tempos não justificam isso em campo, como Arouca e Zé Roberto, além do Cleiton Xavier, que mal entra em campo.

    Se o Cruzeiro “do Alexandre Mattos” também apostava na quantidade para formar um bom time, contava com jogadores de primeira linha, como Everton Riberto e Ricardo Goulart, que o elenco atual do Palmeiras simplesmente não tem.

    • E mais: as grandes apostas do Cruzeiro àquela altura eram o Dagoberto, o Júlio Baptista e o Borges. O Everton Ribeiro e o Ricardo Goulart foram indicações pessoais do Marcelo Oliveira, o grande responsável por aquela grande equipe, na minha opinião (e não o cultuado Alexandre Mattos, que deixou alguns pepinos na Toca da Raposa).

    • Em tempo: ouvi isso da boca do treinador, em entrevista a uma emissora de televisão. O Everton Ribeiro ele já havia treinado no Coritiba e o Ricardo Goulart ele indicou após o meia se destacar atuando pelo Goiás.


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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não resiste a um bom debate sobre esportes, desde futebol até curling. São-paulino, é fundador e moderador do Fórum O Mais Querido (FOMQ). Não esperem ufanismos e clichês. Ele torce, mas não distorce.

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“Prata da casa” oriundo da Coluna do Leitor, este internacionalista é tão louco por futebol que tratou do tema até em seu TCC. Mestrando em Análise e Planejamento em Políticas Públicas, neste espaço une o gosto por escrever com a paixão pelo esporte mais popular do mundo.

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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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