Parte da imprensa esportiva brasileira merecia cobrir um país da periferia do futebol

Créditos da imagem: Ricardo Stuckert

No último sábado a Seleção Brasileira teve uma de suas maiores (senão a maior) vitórias jogando no País ao conquistar o ouro olímpico no futebol masculino. Com uma equipe ofensiva, jogadores jovens, e a maior parte deles atuando em clubes do Brasil, houve grande animação da torcida. A final contra a Alemanha, que evidentemente remete ao traumático 7 x 1, também ajudou a catapultar a satisfação generalizada. Sem contar que foi uma excelente partida, entre as duas escolas mais vitoriosas do futebol mundial, lutando por um título inédito.

Mas como sempre ocorre nesses casos, há uma parte da imprensa que quer deixar claro como todos os que comemoram são tolos e resolve “abrir os olhos dessa gente inocente e feliz”. Então dizem que “ninguém está nem aí para futebol nas Olimpíadas”, que “a Alemanha veio com o time C”, que “se viessem com os três acima da idade teriam ganho com facilidade”, e que “achar que esta vitória vinga os 7 x 1 é ridículo”, e por aí vai.

Oras, nós nunca “vingaremos” o 7 x 1. Ou quais as chances de vencermos uma semifinal de Copa do Mundo, na Alemanha, contra a seleção historicamente mais regular do esporte, por um placar desses? A partir disso, torna-se “uma questão de honra” triunfar em qualquer confronto futebolístico contra os germânicos. Exatamente como fizemos no Maracanã.

Quanto mais vitoriosos formos no futebol, e quanto mais triunfos tivermos contra os alemães, mais claro ficará que o que houve no 7 x 1 foi um acidente: um evento terrível, que nunca será apagado nem vingado. Mas uma excrescência, algo absolutamente isolado e bizarro.

É evidente que os atletas alemães não liberados para as Olimpíadas fizeram falta. Mas é bom esclarecer que convocaram sim os maiores de 23 anos. E não invejamos todos os dias justamente o trabalho feito na Alemanha? Oras, então o que esperavam, uma vitória fácil? Os 16 anos de trabalho de Horst Hrubesch à frente das seleções de base, além do entendimento tático superior de seus jogadores foram vantagens que ajudaram a equilibrar o jogo. Futebol não é matemática, e qualquer confronto entre escolas tão vencedoras tende a ser muito disputado.

Mas a questão principal é a ideia que alguns têm de que devem bater o tempo todo no nosso futebol, como se ele fosse indestrutível. Enquanto isso, a relação da população com a seleção vinha só se enfraquecendo, nossas crianças torcem cada vez mais para equipes estrangeiras, nossos clubes se tornam cada vez mais periféricos no mercado da bola, etc.

Se nosso futebol é uma bagunça e a CBF é o lixo que é, quando iremos desfrutar de algo se até mesmo nossas conquistas são constantemente diminuídas por nós mesmos? Estamos errados por ainda nos emocionarmos e amarmos o futebol? Quem festejou cantando o samba-enredo “É Hoje” no Maracanã não passa de um iludido?

O fato é que, gostando ou não, o Brasil é o país mais vitorioso do futebol mundial tanto em nível de seleções quanto de clubes. E que mesmo atualmente, em uma das piores crises da sua história, é o campeão da Copa das Confederações e do Torneio Olímpico. Mas para muitos jornalistas, parece que o bom seria se virássemos irrelevantes e nos contentássemos em assistir futebol internacional. Só não sei como manteriam seus empregos…

10 comentários em: “Parte da imprensa esportiva brasileira merecia cobrir um país da periferia do futebol

  1. Falou tudo. Os mesmos que teimam em rebaixar moralmente nosso futebol são os que andam de carro do ano graças a ele 😉 . Penso que toda conquista precisa ser comemorada. Um ouro olímpico vale sim, e muito

  2. Os jogadores e a Cbf fazem por merecer meu repúdio. Não seria nada mal ficar de fora da Rússia 2018,pra poder baixar a bola, e realmente resolver os problemas do nosso futebol que acabam sendo maqueados com alguns resultados, e erros constantes da arbitragem à favor amarelo.

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