Pela relativização das expulsões no futebol

Créditos da imagem: uol.com.br

Tenho bastante interesse pelo futebol enquanto esporte e entretenimento que emociona, acelera o coração e produz muita adrenalina em seus bons momentos, e por isso não acho nenhuma heresia propor (tá bom, sonhar) com algumas mudanças nas suas regras atuais. Ou melhor, em uma regra específica, que me parece um pouco extrema e que muitas vezes acaba com um bom espetáculo.

Sei que o esporte bretão evoluiu ao longo dos anos, basta ver as bolas atuais e aquelas que nossos primos e irmãos jogavam (e que chutavam sem dó nem piedade nas nossas canelas e peitos minguados quando nos convidavam para jogar com eles apenas para completar os times). Sem falar nas chuteiras (os guris tinham tênis  “bambas” ou horríveis “kichutes” pretos) que deixavam os jogadores com a impressão de que estavam de salto alto, ao passo que hoje os calçados são verdadeiros acessórios de tecnologia de ponta.

Mas também sei que o futebol é um esporte comandado por pessoas pra lá de conservadoras e que minha coluna pode soar um tanto pretensiosa, embora a intenção seja tão somente a de externar um desejo.

Bom, voltemos às regras, ou melhor, a uma em especial: a regra do cartão vermelho seguido de expulsão. Estava pensando nisso quando o Cavani foi expulso da partida do Uruguai contra o Chile, pela Copa América. Por que  não temos regras mais dinâmicas e menos rígidas como no basquete, em que as substituições são ilimitadas e eventual expulsão pode ser reposta após 30 segundos? Poderia, no futebol, ser  estendida para 10, 15 minutos. Algo, pois, a ser estudado e testado.

Quais as consequências dessa alteração? Será que aumentaria a violência? Acho que não e, para mim, evitaria transformar uma boa partida em um jogo morno, defensivo e simplesmente acabar com o esquema tático armado pelo técnico. Além de ajudar a eliminar em boa parte as artimanhas de um jogo sujo, baseado em desestabilizar o adversário e provocar o seu destempero, algo não raro no esporte.

E vou além: sugiro substituições ilimitadas, também como no basquete, que resultariam em mais oportunidades e, creio, mais empenho dos jogadores reservas, estes que assumidamente odeiam ficar no banco e dessa forma se sentiriam mais integrados ao espetáculo.

Até porque, como se viu na partida entre chilenos e uruguaios, o Cavani foi provocado de forma ostensiva e caiu na armadilha do adversário (que foi rasteiro e ultrajante) e o juiz deveria ter expulsado os dois ou nenhum. Só que aí já era tarde, o Uruguai se  desestabilizou, o seu maior craque estava fora e deixou o time com um a menos em campo. E a Celeste, não só por isso, mas também por isso, sucumbiu àquele que posteriormente se consagraria como o merecido campeão.

Aceito sugestões. Mas não boladas, por favor!

13 comentários em: “Pela relativização das expulsões no futebol

  1. Em uma primeira análise, concordo que as expulsões muitas vezes poderiam ser evitadas pelos árbitros (que, inseguros, querem mostrar que mandam em campo). Acredito que a expulsão só deveria ocorrer em casos extremos (de agressão efetiva ou jogada violenta de fato). Sou totalmente contra a arbitragem preventiva, que se vê e se incentiva no país. Aliás, pretendo escrever sobre isso. Quanto às substituições ilimitadas, aí preciso pensar mais um pouco pra formar uma opinião. Hoje eu não mudaria isso. Mas estou aberto a mudanças, desde que benéficas! 😉

    1. Fernando quanto à substituição, uma expulsão não deveria estragar o espetáculo, mas sim deixar o jogo pelo menos em igualdade para os dois times, o que não acontece com uma expulsão nos primeiros 10 minutos de jogo. Acaba com o espetáculo.
      Algumas pessoas citam o futsal e o vôlei como exemplo de alteração nas regras e que favoreceram sim, e muito, o esporte. O que eu concordo.
      Creio que é injusto para um torcedor ver o seu time pagar mais de 400mil para um jogador e ver ele no banco e entrar excepcionalmente, devido,as regras atuais.

  2. Acho sim que essa ideia de ilimitar as substituições no futebol é uma boa,porque irá valorizar sim os reservas e o nível do jogo durante o tempo normal não cairá.Já que tudo esta avançando dentro da tecnologia no mundo do esporte o futebol esta ficando para trás,onde a única coisa que avançou foi as chuteira modernas e coloridas.Hoje os árbitros deveriam usar mais da tecnologia antes de dar um cartão vermelho ao jogador que como bem falado a colunista ás vezes injustamente.

  3. Gostei do Artigo.
    Creio que o jogador expulso poderia ser substituido por outro após decorridos 10 minutos da expulsão (desde que o time não tenha utilizado ainda de todas as substituições permitidas dentro da regra em vigor). Este lapso de tempo seria a pena pelo ato. Quanto as substituições limitaria no máximo em tres (mas sem rodizio, jogador substituido não pode voltar).

  4. Vejo essas mudanças como positivas. O jogador expulso seria substituído depois de 15 minutos e as substituições limitadas em 5 para dar mais oportunidade aos jovens talentos que devem ocorrer até os 30 minutos do segundo tempo, para não serem usadas como “cera” para ganhar tempo. Acrescentaria como mudança severas punições a árbitros prepotentes que cometem erros grosseiros e até intencionais para prejudicar um dos oponentes, frustando jogadores, técnicos e torcida. Devem aparecer menos no espetáculo.

  5. Respeitosamente, discordo, pois o que ocorreria se fosse efetivada essas alteracoes na regra, que nos primeiros minutos do jogo os grandes craques que fazem a difereca em um time, como Neymar, seriam cacados em campo podendo machuca-los seriamente e a pena seria apenas o afastamento do agressor. Por outro lado, em oposicao a isso os grandes craques seriam colocados em campo somente no final do jogo para nao correm risco e assim os primeiros 70 minutos dos jogos seriam mornos e protocolares. Acho que o endurecimento das regras levam a atletas mais focados exclusivamente no jogo e nao joga-lo com o livro de regras em baixo do braco. Aproveito para cumprimentar os colunistas pelo No angulo.

  6. Lena, posso te dizer que, pra quem está dentro do campo, o jogo é completamente diferente de quem vê da arquibancada ou na tevê. A arbitragem preventiva da qual o outro fala aí em cima serve justamente para evitar que se chegue no cartão vermelho, e é utilizada a partir de determinação da FIFA, não da CBF…
    Não sei o que aconteceu no jogo, mas parece que o outro provocou. Isso, sem dúvida, o árbitro tinha que ter notado durante o jogo e expulsado os dois, mas fica difícil de saber. Mas posso adiantar que o cartão vermelho (que é a expulsão) é aplicado em sete instâncias e não sei se trazer outro jogador de volta iria resolver o problema. Nem sempre o time que tem um jogador a mais é aquele que ganha. Talvez aí vem a valer a maturidade e estabilidade emocional do time com um jogador a menos.
    Em relação à substituição ilimitada, essa é utilizada nas partidas do futebol amador (aqui na Austrália) e seria interessante se não tomasse tanto tempo do jogo, e cujos minutos acabam sendo adicionados pelo árbitro no final e, muitas vezes, servem sim pra fazer cera quando o time está ganhando.
    Quanto ao recurso tecnológico, fico dividida, pois acho que em muitos casos entra também a lentidão e desatenção do juiz (como do vôlei e do cricket) que pedem pra repassar o lance pra ver a jogada… Nesse caso, o futebol ainda está mais puro. 😉

    1. Lu, interessante tuas observações a partir da visão de quem está em campo e arbitrando.
      Minhas colocações são mais no sentido de manter um bom espetáculo e, com certeza, nao estão baseadas em regulamentos mas na impaciência de uma telespectadora ou de uma torcedora.
      O futebol amador, que tem substituições ilimitadas na Austrália, seriado equivalente ao nosso futsal acredito.
      E como você, eu também não tenho opinião formada sobre recurso tecnológico para a arbitragem. Obrigada pela contribuição e por favor, escreva mais vezes.

  7. LENA EU ADOREI O TEU ARTIGO, TU ESTA FICANDO CADA VEZ MELHOR, LOGO EU COLOCO OS TEUS ARTIGOS NO BLOG. BJS

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