Por que será que a Seleção vem se mostrando outra?

Créditos da imagem: espn.uol.com.br

Afinal, quem teria dito antes de Fernando Pessoa, o festejado escritor (se é que alguém disse), que “navegar é preciso, viver não é preciso”?

Já li e já ouvi que assim diziam os velhos marinheiros que, tomados pelo espírito aventureiro, uma dose enorme de curiosidade e sob a proteção dos reis de Portugual, deixavam a santa terra em busca de outras mais, desconhecidas, muito longe de lá.

Neste caso, o “preciso” teria menos a ver com a necessidade e muito com a “precisão”, cálculos exatos, margem mínima de erros, ou nenhum, para que não se tivesse como objetivo alcançar as Índias e não as nossas índias.

E a vida, como todos sabemos, até tem data certa para ser iniciada, mas não para ser encerrada. O fim da caminhada é impreciso.

Aceitando como válida a ideia de que os velhos marujos assim falavam, permito-me lembrar que, entre tantas tiradas preciosas, dizia Oto Glória, técnico brasileiro que brilhou em Portugal (lembram-se que foi com ele no banco que Coluna e cia meteram 3 a 0 pra cima da gente, na Copa de 1966, na Inglaterra?): “quando o time ganha, o técnico é bestial, quando perde, não passa de uma besta”.

Por enquanto, após três jogos da Seleção Brasileira sob seu comando – três vitórias, dez gols marcados, apenas um sofrido -, futebol leve e solto, que dá gosto de ver, pelas Eliminatórias para a Copa da Rússia, em 2018, Tite vai recebendo o carimbo de bestial.

Bom lembrar que Tite assumiu após campanha pífia sob o comando de Dunga, numa posição que, se fosse a final, deixaria o Brasil de fora, pela primeira vez.

Continuará ele um técnico bestial até a bola começar a rolar no belo estádio Vladmir Illich Lenin? Melhor ainda, continuará até que ela vire troféu nas mãos de um capitão – que seja do nosso -? Ou nas caminhadas, de agora ou de depois, se tornará apenas mais uma besta?

Como o futuro a Deus pertence, não sei eu, não sabes tu, não sabe ninguém. Por isso, o que me encuca é descobrir onde arquivaram aquelas tão tradicionais desculpas – ou não devo tratar assim as explicações que eram – voltarão a ser ?- dadas quando a Seleção, sob o comando deste ou daquele professor, empatava ou perdia jogos: “é natural, o time está se formando. Não teve tempo para treinar. Os jogadores se encontraram no aeroporto…”.

O que mudou para provocar o arquivamento? O tempo para treinamento não foi. As viagens continuam cansativas.

Sim, mudaram alguns nomes, ou vários, entre os antes convocados. Chagaram jovens que ganharam a Olimpíada. Mudou a comissão técnica. Mudou o discurso do professor – o novo até autorizou Neymar cavar um amarelinho contra os bolivanos, fugindo do jogo na Venezuela. Seria o bastante?

Não, longe de mim lembrar que vassoura nova varre bem e rápido no início, mas que com o tempo…

Classificar para um Mundial na América do Sul – quatro e uma repescagem entre 10 seleções – é dever, e não há dúvida de que o time melhorou muito, mesmo com a “falta de tempo para treinar”.

Mas estamos longe…

25 comentários em: “Por que será que a Seleção vem se mostrando outra?

    1. Com o Dunga o Brasil só conseguiu vencer Peru e Venezuela, LITERALMENTE, em jogos oficiais.

      Ou seja, independentemente do que ocorra nos principais desafios, não tem como negar que já mudou da água pro vinho…

  1. Porque não somos tão ruím como pensavamos , e nem tão bom como se pensa agora. Foi a mudança de atitude , acreditar que é possível , ele resgatou a auto estima desses jogadores , se assumiu como lider pra levar as bodoadas ,simples asim. A principal mudança ,colocou quem não tem medo da bola nesse meio campo .

    1. Resposta perfeita. Não somos tão ruins, nem tão bons, quanto pensam os pessimistas e os pachecões, respectivamente. Não está sendo preciso as velhas desculpas de cansaço etc….

    1. Se Tite deu certo? Teremos de esperar. Que está dando certo, sim, claro. veja que, vencendo, acabaram as desculpas de cansaço etc…O que falarão quando, por acaso, perder?

  2. Tite. Os dinossauros da CBF colocaram Dunga duas vezes ( só Celso Roth consegue ser pior ) e a mentira Felipão.

    1. Que coisa fantástica, a mudança de um técnico e pronto….Ou seja, derrubou numa pancada só todas as desculpas que antes davam. Certo? E como a chance de perder jogos, mais de um, para esses times sul-americanos…chegará a Moscou cheio de glórias

  3. E a presença do Tite, transmitindo confiança, derrubou todas as desculpas antes existentes, como cansaço, falta de treino etc…

Deixe sua opinião e colabore na discussão