Pot-pourri: Guerrero no Flamengo, River Plate gigante e Corinthians x Palmeiras

Créditos da imagem: ESPN.com.br

Golaço do Flamengo com a contratação de Guerrero

Paolo Guerrero foi um grande acerto do Flamengo! Além de ser um dos, senão o principal atacante em atuação no Brasil, a contratação tem um enorme peso simbólico por tirar o herói do bicampeonato mundial do Corinthians, clube que é o rival estratégico do rubro-negro. É como se passasse a todos o recado de “após arrumarmos a casa e termos tido a maior receita do país em 2014, vamos começar a colocar as manguinhas de fora, e começamos pelo destaque do ex-clube mais rico”.

Não bastassem os ganhos dentro de campo, já que o peruano é completo e joga pro time (inclusive agregando às suas equipes a rara opção do pivô), ele é o atleta mais popular em seu país e participa de competições internacionais. Imagine, por exemplo, o orgulho que a maior torcida do Brasil sentirá se ele novamente se destacar na Copa América (foi o artilheiro da edição passada), e marcar gol contra uma Argentina da vida?

Entretanto, vejo flamenguistas já falando em Libertadores. Acho um exagero. Apesar de imaginar que Guerrero e Marcelo Cirino formarão a melhor dupla de ataque do país, o resto ainda me parece muito fraco. Vamos ver se virão mais reforços e como o time reagirá ao novo técnico, Cristóvão Borges.

Temos que aprender a respeitar a grandeza alheia

É evidente que a eliminação do Cruzeiro na Copa Libertadores foi uma grande vergonha. Após vencer a partida de ida como visitante, perder em casa na volta por 3 x 0 é inaceitável contra absolutamente qualquer equipe. Entretanto, um dos motivos que levou a isso foi a soberba com que nós brasileiros encaramos os adversários sul-americanos, no caso, o gigante River Plate. Antigamente, ainda tínhamos respeito ao menos por Boca e River, mas agora nem isso. Se não somos capazes de respeitar dois dos maiores clubes do futebol mundial, é porque realmente temos que rever nossos conceitos.

O engraçado é que quando o São Paulo se classificou para as oitavas-de-final da Libertadores na bacia das almas em 2013 e em 2015, vi muita gente encarando como um “agora vai!”. Mas quando o Boca classificou muito mal em 2013 (e enfrentou o Corinthians nas oitavas) ou o River neste ano, são simplesmente maus times.

Nem o título do San Lorenzo em 2014 (quando, aliás, eliminou Botafogo, Grêmio e Cruzeiro) após ter feito a pior campanha entre os classificados para os mata-matas ensinou algo. Não à toa, tivemos somente dois semifinalistas nas últimas três edições da Libertadores (a Argentina e o Paraguai tiveram três).

Vez por outra vejo gente apontar um suposto desnível econômico para justificar que nossos times seriam melhores. Mas repare que Lodeiro e Burrito Martínez, que eram reservas no Corinthians (clube que vinha mantendo um dos, senão o mais forte elenco do Brasil nos últimos anos) foram para o Boca Juniors e também são reservas lá. E se fosse pra pensar assim, os Mundiais da FIFA de 2005, 2006 e 2012 deveriam ser entregues ao Liverpool, ao Barcelona e ao Chelsea, respectivamente.

Gigantes sempre se acham dignos de vencer e acreditam na vitória. E isso faz toda a diferença.

Clássico da pressão exagerada em São Paulo

Confesso que me parece exagerada a pressão que estão colocando em Corinthians e Palmeiras, que se enfrentarão na Arena Corinthians.

Após os constantes problemas de salários, a melancólica eliminação da Libertadores, a saída do ídolo Guerrero e o “saldão” de nomes como Gil, Elias e Renato Augusto, o alvinegro vive um clima de fim de feira. Mas, ao menos até agora, isso não se refletiu em campo, visto que a campanha é boa e é um dos líderes do Brasileirão. A verdade é que mesmo com algumas saídas, o elenco continuará sendo forte pois havia opções em excesso (que escancara o erro de gestão que explode agora). É mais uma questão de se manter entre os primeiros colocados nessa fase em que passa o furacão, e não deixar o desânimo tomar conta. Se conseguir isso, e cicatrizar a ferida da perda de um herói da história corintiana (o valor de um ídolo não pode ser colocado na ponta do lápis), tem tudo para brigar pelo título da mesma maneira.

Já o alviverde me parece que conseguiu a sua principal meta do ano: formar um elenco competitivo e retomar o respeito. A boa campanha no Campeonato Paulista, quando goleou o São Paulo, eliminou o Corinthians e perdeu nos pênaltis (e nas falhas de Dudu nas duas partidas decisivas) para o Santos, acabou gerando um oba-oba na imprensa e na torcida, que começaram a ver o time como favorito e fazer uma cobrança à qual ele ainda não pode atender. Se passar por essa fase de instabilidade e puder contar logo com Cleiton Xavier, imagino que o Palmeiras poderá fazer uma boa campanha.

O problema é só o “se” para os dois times. E o clássico deste domingo poderá determinar qual o “se” que não vai acontecer.

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