Princípios para melhorar a Seleção. E que seja um time real, não virtual

Créditos da imagem: Agência Uno

Após a deprimente desclassificação contra o Paraguai, é momento de mudança para resgatar a camisa mais emblemática da história do futebol.

Dunga no comando é algo simplesmente sem nenhuma justificativa, e já disse o que pensava sobre isso à época de sua recondução ao cargo. Que ele deve sair, parece-me tão óbvio que não vou nem me aprofundar aqui.

Já que perdemos Guardiola quando estava livre, agora me parecem haver somente dois caminhos: um técnico estrangeiro de ponta, ou Tite. Qualquer das escolhas (penso que especialmente a primeira) devolveria ao menos a expectativa do torcedor em relação ao selecionado brasileiro.

Discordo veementemente daqueles que dizem que a geração é fraca. Não desaprendemos a jogar futebol do nada. Não fomos como favoritos às três últimas Copas do Mundo (e isso não é coisa de “brasileirinho”, são apostas feitas no mundo todo) à toa. Tampouco foi por acaso que vencemos três vezes o Mundial de Clubes na última década (recordistas ao lado da Espanha). Sempre somos fortes, o problema é que estamos absolutamente perdidos, revoltados e sem autoestima.

Entretanto, seja qual for o treinador, creio que precisamos corrigir urgentemente as seguintes questões para que o Brasil volte a ter uma seleção que nos orgulhe. A principal delas: pararmos de querer times virtuais “de video-game” e olharmos para a realidade do campo.

Desde a segunda metade dos anos 1990, ficamos habituados a ver os nossos principais jogadores indo para a Europa.  Num primeiro momento iam os que se destacavam por aqui. Vimos jogadores brasileiros incontestáveis que chegaram ao topo do mundo atuando no futebol europeu e valendo dezenas de milhões de euros.

O problema é que passamos a considerar que isso é um pré-requisito. A ponto de, em certa altura, Neymar ser cobrado com extremo mau humor por parte da mídia a ir logo para a Europa se quisesse evoluir como jogador. Isso é absurdo. Neymar evoluiu horrores jogando no Brasil, e precisava ir para a Europa para evoluir na carreira, e não como jogador. Tanto que em 2013, quando ainda era do Santos, foi o Bola de Ouro da Copa das Confederações. À época, muita gente citava o Lucas (o Moura, ex-São Paulo) como exemplo para o Neymar, simplesmente por ter se transferido para o PSG. Queria saber se hoje estão satisfeitos com “a evolução” do ex-meia são paulino.

Atualmente, ir para o exterior não é mérito nenhum. Mesmo reservas de times grandes vão para os mais diversos países, é quase uma etapa natural da carreira. Só que transações incrivelmente suspeitas ocorrem o tempo todo, envolvendo desde quantias muito acima do que seria necessário para levar o jogador, até as sem nenhum sentido, como a do lateral-direito Douglas (ex-São Paulo) pro Barcelona. O problema é que continuamos tratando como se fosse uma “promoção”. E o pior: pensamos que o valor do jogador é um atestado para que jogue na Seleção.

Só que o valor de um jogador tem total relação com a sua idade. Por isso vemos tantos jogadores que não tinham nenhum destaque especial no futebol brasileiro se transferindo por cifras milionárias. Porque é uma espécie de bolsa de futuros, na qual se paga pela expectativa.

Claro que em alguns casos os jogadores vão muitos novos para a Europa e evoluem lá. Esse me parece ser o caso, por exemplo, do Philippe Coutinho. Só que em outros tantos, parecem involuir, mas como não olhamos o desempenho em campo, e sim simplesmente o “status” para ver se merecem a convocação, cometemos tantos erros. Por isso vemos tantos atletas que atuaram aqui sem destaque (Douglas Costa, Fred, Willian, Oscar, etc.) povoando a Seleção Brasileira.

Quando Pato estava na Europa, longe de nós, era constantemente convocado. Precisou vir para cá para enxergarmos que não passava de um blefe. Também “caíram” desde que voltaram, Dudu (do Palmeiras), Giuliano, Jadson, Renato Augusto, Anderson e diversos outros que apareciam na Seleção. Será que se o Fred, por exemplo, atuasse no Brasil, iria se destacar a ponto de merecer mais uma convocação do que o Lucas Lima, por exemplo?

Como o único protagonista brasileiro a atuar no setor de ataque de um time de ponta europeu é o Neymar, condenamos a nossa Seleção e ter um bando de coadjuvantes novinhos e inexpressivos, e depois reclamamos de “Neymardependência”.

Vi boa parte da imprensa criticar a convocação do histórico Robinho (não é um gênio do futebol, mas é um dos jogadores mais importantes da história do Santos, um dos quinze maiores artilheiros da história da Seleção e só atuou em grandes clubes na carreira) e defender a de Felipe Anderson, promessa do Santos que não se firmou no time titular e hoje está na modesta Lazio. Alguém pode mesmo achar que ele seria mais útil para o Brasil do que o Robinho?

Ouvi algumas ponderações sobre Elias, que diziam “ser jogador de clube”. Claro, afinal, falta a grife europeia. Elias “só” foi ídolo e um dos protagonistas de Corinthians e Flamengo vitoriosos. Em compensação, por anos aturamos Sandros (ex-Inter, hoje no QPR) e Lucas Leivas povoando o meio-campo canarinho. Agora temos que engolir Fernandinho. Se olhássemos simplesmente o jogo, veríamos que Elias foi dos melhores desta péssima Seleção, e foi quem mais se aproximou de ser o armador desta equipe sem cérebro (Dunga povoa o time de meio-campistas leves e carregadores de bola).

Se o jogador teve destaque no Brasil e não se firmou na Europa, não significa que “não tem nível para atuar lá”, mas simplesmente que não se adaptou. Assim como o argentino Riquelme nunca jogou o que sabe no Velho Continente, mas se mostrou um jogador decisivo e genial ao longo da carreira.

Vejo pessoas usando o valor da transferência de Roberto Firmino para o Liverpool como mostra de que merece a convocação. Isso em uma época de revelação de corrupção no futebol, em que se sabe que não faltam investidores procurados pela justiça e lavagem de dinheiro. Que tal analisar sua dificuldade com a bola durante as partidas que fez pela Seleção?

Nessas horas, a mera especulação de que o Bayern estaria disposto a descarregar um caminhão de dinheiro pelo mediano Douglas Costa é capaz de fazer o sujeito olhar com mais carinho para sua presença na Seleção.

Assim como compramos a história de que “Thiago Silva e David Luiz são a melhor zaga do mundo”, simplesmente porque foram os zagueiros mais caros do mundo. Não importava o quanto Miranda se destacasse, nunca tinha oportunidade. E agora fazemos o mesmo com o excelente Gil, do Corinthians.

Que o futebol brasileiro não está no nível do praticado por Bayern de Munique, Barcelona e Real Madrid, não está mesmo. Mas tampouco o inglês, o italiano, o francês e mesmo o das demais equipes da Alemanha e da Espanha. Mas daí a tratar como se fosse de um “centro menor”, enquanto se convoca pencas de jogadores da Ucrânia, Rússia e agora até da China e do Catar, é o fim do mundo.

Entre os jogadores que penso que atualmente deveriam ser convocados e não são, estão Victor (Atlético), Gil (Corinthians), Rafael Carioca (Atlético), Lucas Lima (Santos) e Jonas (Benfica).

Também é essencial que só se convoque quem esteja jogando bem. E que não sejam chamados jogadores que optaram por ir pra “fora do mundo”, como China e Catar. Por mais que Everton Ribeiro, Ricardo Goulart e Diego Tardelli tenham mostrado futebol para estar na Seleção, a partir do momento em que fizeram essa escolha, que estejam conscientes de que não serão chamados.

E finalmente, a presença de um meia-armador. É fundamental que o time tenha ao menos um jogador capaz de pensar o jogo e manter a posse de bola. Hoje Lucas Lima é o nome, como já foi Everton Ribeiro, além de não termos aproveitado bons momentos de Ganso (como no Brasileirão 2014) e Jadson.

52 comentários em: “Princípios para melhorar a Seleção. E que seja um time real, não virtual

    1. Concordo que não temos um nome consagrado e incontestável, mas o Lucas Lima do Santos não vem jogando bem? Ao menos pra ser testado.

      Ainda que ele decepcionasse, ao menos cumpriria uma função diferente e necessária, que nomes como Fred e Douglas Costa não fazem (e tampouco jogam bem, rs).

    2. Uma seleção com Coutinho, William e Firmino (jogando como meia, não centroavante ) não ter meio campo e piada, futebol brasileiro tem meio campo, só tem muito estrelismo em cima do Neymar e nem um pouco de tática.

  1. O problema que tem que convocar jogadores pelos seus empresários, tem que ter tantos jogadores de fulano, tanto de outro, e assim por diante, do jeito que tá indo, não classifica nem pra próxima copa.

  2. Bem, meu caro Rostey, discordo de você quanto ao ponto da evolução do jogador. Acho que na Europa o cidadão evolui como jogador, sim. Porque aqui não se pratica mais o futebol de antigamente. Então, fica no meio do caminho entre o talento irreverente e a aplicação tática.

    Entretanto, concordo quanto à questão de convocar jogadores do Brasil. Acho que há caras lá na Europa que são iguais aos daqui.

    E por fim, concordo com você quanto ao Dunga, o cara que acabou por completo com meu tesão pós-7a1. E discordo quanto à geração: é fraca. Já não fazemos jogadores como antigamente.

  3. Parei de ler quando o autor disse que discorda veementemente de quem acha que temos uma geração fraca. Poxa, fala sério! Isso é quase uma unanimidade pra quem acompanha futebol. É só olhar para o passado, nem muito distante, e comparar com os jogadores atuais.

  4. Acredito que a geração não seja das mais fortes, mas assim como não era a de 94, por exemplo. Ou Dunga e Zinho eram grandes craques? Ou até mesmo Raí, que na Seleção Brasileira nunca obteve grande destaque… Precisamos é montar um TIME para que os talentos individuais possam aparecer mais… Precisamos de mais “Robinhos” (jogadores comprovadamente bons) e menos “Firminos” (apostas estranhas, pra dizer o mínimo) como coadjuvantes de Neymar, até para que o nosso craque maior não se sinta abandonado. Chega de ficar projetando o futuro (que não chega) com esses jogadores novinhos supostamente bons do Leste Europeu e montemos uma seleção de HOJE, pensando em jogar bem AGORA. Por tudo isso, entendo que veteranos bons de bola como Diego (meia ex-Santos e atualmente no futebol turco), Nilmar, Ricardo Oliveira e até mesmo o Fred (o centroavante) devam ser considerados e jogadores que já demonstraram grande potencial técnico (que só de tocarem na bola você vê que são “especiais”) como Ganso e Lucas Lima também sejam vistos com mais carinho. E, aposta por aposta, gosto mais da ideia de insistir com Pato, Damião e Lucas (PSG) do que Douglas Costa, Fred (o meia-invenção do Dunga) e Firmino.

  5. Pessoal, sobre a geração ser fraca, não acho mesmo. Claro que já tivemos gerações muito melhores, mas comparando com outros países, não nos vejo tão mal assim. Vira e mexe dizem “não temos nenhum fora de série a não ser o Neymar”. Oras, qual outra seleção tem mais de um jogador do nivel do Neymar?

    Penso que a principal questão que faz a atual geração parecer péssima é o fato de pela primeira vez termos VÁRIOS jogadores “fora do mundo competitivo” por causa da questão financeira. Antes, se o jogador não dava certo nos maiores centros da Europa, voltava pra cá. Agora não, perdemos jovens valores para lugares pouco competitivos (Bernard e Wellington Nen, por exemplo, eram ótimos jogadores que poderiam virar alguma coisa, mas “acabaram” na Ucrânia), além de experientes como Diego, Paulinho e Robinho (que entendo que agora não deve mais der convocado).

    Ou seja, a fraqueza financeira e de atratividade dos nossos clubes está sendo um verdadeiro incinerador de possíveis craques. E a Seleção não fica mais imune a isso…

    1. Tite é treinador de clube, brilhou no curitia mas nunca tinha feito nada em lugar nenhum e o curintia nem sequer tá deitando. Pra mim, não justifica.

      De resto, concordo com tudo, tudo mesmo.

    2. po… eu não concordo com a parada do Tite tb… mas é só não focar nisso… ele falou muita coisa certa… não sei se concordo com a lista de jogadores que ele citou que deveriam ser chamados… não sei quem são direito… mas achei maneira a analise do cabra

    3. Vamo ficar um mês nessa brincadeira, convoco um concílio no buteco “mais” pé sujo da cidade, o famoso Piauí, para discutirmos todas essas atrocidades que estão a passar por nossa seleção canarinha.

    4. Não é pq eu sou santista não, mas lucas limas, geuvânio e gabigol iam fazer muito melhor que fred (cone), willian (corre, mas burro que nem um cone) e firmino (cone). Sem falar do douglas costa, aquele filho da puta.

  6. Oh brasil tem time para ganhar uma copa do mundo o poblema eo trenador que nao sabe convocar os jogados ideais . Como
    exemplo diego costa e brasileiro
    eo felipao deixou ele se naturalizar espanhou. Ele ficou com raiva por que tava num bom
    momento e nao foi chamado ai se naturalizou da espanha. Fernadinho acabou com o brasil contra a alemanha . E a gora na copa america. Davi luis no banco para colocar miranda .davi luis e melhor e muito vcs nao achao .esse firmino nao joga nada. O brasil tem .centro avante melhor
    e o kaka nao de via ter sido chamado para jogar a copa do mundo com a bola que ta jogando
    nos estados unidos . Por isso tem que melhorar muito vcs nao achao

  7. Diego Alves
    Danilo Marquinhos Miranda Marcelo
    Elias Luiz Gustavo
    Coutinho. Jadson
    Neymar. Lucas
    Na moral ….. O Jadson desde 2013 até 2015 tem dado muitas assistência e passes é só ver os números dele …. O ruim é que ele teve seus altos e baixos mais é um grande armador coisa que a seleção não tem… Poderia ser o ganso,Oscar mais ele é mais completo .

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