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O Fla-Flu do rompimento. E que venha a Liga com os paranaenses!

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Créditos da imagem: Gilvan de Souza/ Flamengo

Que me desculpem os fãs dos estaduais, mas estou pouco preocupado com o Fla-Flu deste domingo dentro de campo. Muito mais importante, é o recado que será dado à FERJ – Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro – pelos dois clubes e suas torcidas como resposta à crescente tensão entre as partes.

Não bastasse a Federação organizar um campeonato cada vez pior, inchado e com baixo nível técnico (o que é regra nos estaduais Brasil afora), ela “passa a mão” em grande parte da bilheteria das partidas (10% da renda bruta + despesas, o que faz com que o valor colhido por ela seja maior do que o valor líquido arrecado por todos os clubes participantes somados), negocia os direitos de transmissão com a televisão, pratica ingerências em relação a mandos de campo/estádios e ainda tem a cereja do bolo: a Lei da Mordaça, usada para inventar uma punição absurda ao técnico flamenguista, Vanderlei Luxemburgo, por criticar a limitação de jogadores inscritos imposta pela FERJ.

Mas, acima de todas essas questões do presente, está a animadora possibilidade de criação de uma liga de clubes, anunciada abertamente pelos presidentes do Flamengo e do Fluminense. Com duas instituições desse peso, popularidade e tradição tendo a coragem (e a inteligência) de romper com essa estrutura desnecessária e retrógrada, o futebol brasileiro poderá começar a caminhada rumo ao ponto que todos desejamos ver.

Não se trata de achar que os presidentes de Flamengo e Fluminense sejam heróis. Essa atitude de comprar a briga com a FERJ também tem muito de conveniência em função do racha político que apresenta a dupla de um lado, e a FERJ – apoiada pelos pequenos, pelo Vasco de Eurico Miranda e pelo Botafogo – do outro. Mas, hoje, qualquer possibilidade de avanço do futebol brasileiro passa por um rompimento definitivo com essas instituições que vivem de impor campeonatos “do passado” aos clubes – o que prejudica todos, inclusive os pequenos – cobrando taxas que nunca se revertem em qualquer melhoria para o esporte.

A crise financeira vivida pelos clubes brasileiros pode servir de combustível para uma revolução. No Paraná, os três principais clubes do Estado – Atlético Paranaense, Coritiba e Paraná Clube – estão unidos estudando a possibilidade de criação de uma liga. Esse movimento ocorrendo simultaneamente em dois importantes Estados do país é fundamental para que atraia novos participantes e ganhe um caráter nacional.

A meu ver os estaduais devem acabar. O principal motivo é que não interessam mais às pessoas e fazem com que vivamos 1/3 do ano com partidas desimportantes, sem competitividade técnica, baixa audiência e em estádios vazios com péssimo gramado, quando somos o país no mundo com mais potencial para campeonatos de altíssima competitividade e equilíbrio técnico. A simples existência em vários estaduais dessa limitação no número de atletas por clube – alvo da crítica do Luxemburgo – que tem por objetivo impedir que sejam inscritos muitos garotos da base e os principais times entrem com a formação B ou C, deixa claro como esses campeonatos hoje não têm importância e precisam de mecanismos de punição e controle para não serem definitivamente esvaziados, mantendo todo o futebol do país numa prisão que prejudica todas as partes (menos os representantes das federações).

Mas, independentemente do fim ou não dos estaduais, nem para que eles sejam mantidos as entidades como a FERJ são necessárias.

É momento de derrubar muros. Que este Fla-Flu fique marcado por isso!

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Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano é especialista em política urbana. Com formação em gestão do esporte, também encara apaixonadamente o futebol como fenômeno cultural.


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4 respostas para “O Fla-Flu do rompimento. E que venha a Liga com os paranaenses!”

  1. Jefferson disse:

    Que me desculpem os conservadores e politicamente corretos, mas eu achei o máximo o desabafo do Fred ontem após a sua bizarra expulsão: “O campeonato carioca tem que acabar”.

    Que leve junto os demais Estaduais. Pelo bem do nosso futebol.

    • Gabriel Rostey Gabriel Rostey disse:

      Assino embaixo, Jefferson!!! Pra mim teve mais valor do que qualquer gol marcado em Estaduais, rs…

  2. Guilherme disse:

    Quem define o calendário é a CBF. O sustentáculo da CBF são as federações, que votam nos seus dirigentes e atendem seus interesses. Desvincular a CBF das federações e relegar os interesses particulares delas a seus próprios mundos vai depender de diminuir o poder delas junto à CBF. Caso contrário os estaduais se perpetuam. Independente de como fazer para acabar com os estaduais, é definitivo que ele são inúteis?

    • Gabriel Rostey Gabriel Rostey disse:

      Pra mim é muito simples acabar com os estaduais: basta os clubes se organizarem por uma Liga. É assim em outros países e não tem nenhum mistério maior em relação a isso…

      Sobre os Estaduais serem inúteis, para mim é pior, eles são nocivos. Mas concordo que isso é subjetivo. Em breve escreverei um texto desenvolvendo melhor minhas ideias sobre o assunto 😉


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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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