Rebaixamento: o fim das “férias remuneradas” dos clubes?

Créditos da imagem: Ghostbusters

Rebaixamento tem sérias consequências para as finanças de um clube. Fazendo uma analogia, equivale a você ter uma loja na Rua Oscar Freire, em São Paulo, e ao final do ano lhe avisarem que você terá que mudar para Catanduvas (que me perdoe Catanduvas) e lá permanecer com toda sua estrutura e custos por pelo menos 1 ano. Seria devastador para um negócio, não? No futebol não é diferente.

Por conta disso, existem os “sistemas de paraquedas” em alguns países, justamente para amortizar a perda de receitas com o rebaixamento.

O Brasil até esse ano tem um sistema que mantém a receita da TV integral no primeiro ano e decrescente até o quinto ano caso o clube não consiga retornar à Primeira Divisão. Ocorre que este benefício só existe para cerca de 18 clubes “escolhidos”, o que gera um enorme desequilíbrio na Segunda Divisão, pois os demais clubes perdem integralmente a cota de TV da Primeira Divisão quando são rebaixados, gerando reduções de receitas de até 90%.

A novidade é que as negociações de TV estão acontecendo e existe a possibilidade real de o sistema acabar para o ano que vem, ou 2020. Sem o “paraquedas”, não haverá mais o “período sabático” que os clubes maiores têm quando caem para a Segundona, verdadeiras férias remuneradas. Agora a queda pode significar perder de 20% a 50% das receitas, dependendo do clube, o que será catastrófico.

O curioso é que o fim do “paraquedas” está acontecendo num momento em que a Europa discute a ampliação do seu alcance. Na Premier League, por exemplo, todos os clubes que caírem (sem exceção) terão um “paraquedas” que lhes ajudem a equilibrar minimamente suas finanças quando caem. Mas repito, será uma regra para todos, sem “escolhidos”.

Por aqui dá pra antever duas situações:

1) Os maiores clubes vão acordar e exigir a manutenção do sistema atual;

2) Logo vão propor a redução do número de quatro times rebaixados (20% do total) por competição.

De fato, o Campeonato Brasileiro é o que tem o maior número de rebaixados entre as competições mais relevantes, em geral, nos principais países caem dois ou três por ano.

2 comentários em: “Rebaixamento: o fim das “férias remuneradas” dos clubes?

  1. É um absurdo que sejam previstas regras diferentes para uns clubes em relação a outros! Isso tem que acabar, seja qual for o modelo escolhido (que espero que seja com para-quedas).

    Mas acho que quatro rebaixados é um bom número! Senão seriam ainda mais times sem ter o que disputar no final. Fora que a Série B também sentiria o efeito…

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