Roger e a oxigenação do Grêmio

Créditos da imagem: Portal Terra

“Alguma coisa acontece no meu coração”… Não, não estou cruzando a avenida São João, como sugere a bela música de Caetano Veloso (que homenageia Sampa até no nome), mas tentando mudar um parâmetro bem comum no futebol. Mais do que isso, tentando ser justa com o outro. No caso, colorada que sou, o outro representa o maior adversário, o coirmão (e arquirrival) Grêmio.

Mas tenho que dar a mão à palmatória.

Depois de enfrentar um período de trevas com um técnico decadente e reconhecido por suas grosserias, o tricolor gaúcho parece outro. Saiu Felipão e entrou Roger, para alegria dos torcedores. E o Grêmio, enfim, entrou nos eixos.

Um caso emblemático dessa mudança é o volante Edinho, um dos desafetos do técnico anterior e que passava temporadas pescando em Tramandaí, no litoral gaúcho, e agora – novamente motivado e respeitado enquanto profissional – encontra nova oportunidade.

Em recente partida pelo Campeonato Brasileiro, o time gaúcho envolveu o então líder Atlético Mineiro e ganhou por seus méritos e não por falhas do adversário, este, que lutou bravamente até o último minuto. O primeiro gol chegou a lembrar, perdoem a comparação, o Barcelona. Pelo toque de bola, troca de posições e entrosamento vistos. E como jogou o “maestro” Douglas! Pena nunca ter prezado pela regularidade na carreira, que poderia ter sido tão mais cheia de glórias, já que potencial nunca lhe faltou. Sem falar no paredão Marcelo Grohe, que a cada partida vem fazendo jus às convocações feitas por Dunga para o escrete canarinho.

Após a era das trevas, muito em razão do técnico anterior – que chegou ao cúmulo de abandonar o time em campo e se refugiar no vestiário antes do término de uma partida contra o Veranópolis, em fevereiro, deixando o time acéfalo, sem comando -, o elenco de jogadores se renova com Roger Machado, ex-jogador de base do time que conhece bem os meandros do ofício: é um profissional atualizado que, além de demonstrar que conhece tática de jogo, qualifica a técnica do jogador individualmente, ou seja, treina no cotidiano como chutar uma bola, como cabecear e finalizar. O básico, com muito trabalho e pouca fala externa. E sem clima de guerra de bastidores e rixas pessoais, como os que enfrentaram Edinho e Kléber Gladiador.

Neste Brasileirão, o gremista, como bem prega o hino do saudoso Lupcínio Rodrigues, tem todos os motivos para cantar: “até a pé nós iremos para o que der e vier, mas o certo é que nós estaremos com o Grêmio onde o Grêmio estiver”.

Pois a caminhada promete ser gloriosa.

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