Santos x Palmeiras: a final dos que quiseram mais

Créditos da imagem: Montagem RedeTV!

Nesse domingo aconteceu o melhor para o Campeonato Paulista: foram para a final os que mais quiseram. Seja pelo momento dos clubes, motivação das torcidas ou pela postura dos times, Santos e Palmeiras são os que mais tirarão proveito e valorizarão a conquista do título.

Em Itaquera, o palmeirense viveu um grande momento dentro dessa “retomada de grandeza” que o clube indica estar vivendo. Soube se impor contra o badalado e favorito Corinthians – que agora entra num momento de contestação.

O confronto teve uma série de coincidências com o histórico triunfo alviverde contra o alvinegro pelas semifinais da Libertadores de 2000: um Palmeiras “azarão” enfrenta o “Corinthians melhor time do país”, abre o placar, sofre a virada durante a partida, reage no segundo tempo, vê seu goleiro se mostrar mais decisivo que o arqueiro rival na decisão por pênaltis (em 2000, a fama de pegador de pênaltis de Dida estava no auge e superava a de Marcos), com direito a defesa de cobrança de um ídolo rival (Marcelinho em 2000 e Elias agora).

Por causa da diferença no momento histórico vivido pelos arquirrivais paulistanos, o tamanho da vitória palmeirense é muito maior que o da derrota corintiana, e isso não deve diminuir em nada a alegria alviverde, nem o sinal de alerta corintiano.

Após ter se mostrado um time superior a praticamente todos os adversários que enfrentou, o que gerou grande badalação, a equipe de Tite vem de uma série de empates e dá mostras de que vive uma queda de rendimento ou que foi “mapeado” pelos rivais. Apesar de sair invicto da competição (outro mérito do brilhante regulamento da Federação Paulista de Futebol), foi superado em campo, em seu estádio, pela Ponte Preta e pelo Palmeiras. Há de se considerar que os desfalques e as estranhas opções de Tite (se Elias e Renato Augusto precisavam de descanso, o quão prejudicial foi atuarem no tenso segundo tempo?) fizeram de Jadson o único titular entre os cinco jogadores mais ofensivos, mas na época de bom futebol a equipe mista (e até reserva) também era envolvente, principalmente porque o elenco é farto de bons atletas.

Para o Palmeiras, mais importante do que o resultado, foi a atitude do time, se impondo como grande, e a “confiança e autoestima adquirida” para o restante da temporada. Saber remontar o resultado no segundo tempo foi um feito importante e que ajuda a formar o caráter do grupo. É bom lembrar que até mesmo a decisão por pênaltis foi “de virada”. E dentro de campo, Cleiton Xavier deixou claro no segundo tempo que pode fazer o time mudar de patamar: é um raro jogador que distribui as jogadas em campo e garante equilíbrio à equipe com posse de bola. Vou me expor aqui, já que muita gente gosta de ridicularizar qualquer comparação com o futebol de ponta da Europa, mas guardadas as devidas proporções, sua característica me lembra a do alemão do Toni Kroos.

O palmeirense deve saborear o momento, relembrar a todos o que é impor decepções ao rival (antes já tinha praticamente goleado o São Paulo) e se orgulhar de ter “batizado” a Arena Corinthians.

Já na Vila Belmiro, o Santos fez o esperado e passou por cima do sempre apático São Paulo. Depois de viver um começo de ano em clima de “o último que sair apague a luz” (que incluiu a saída do ídolo Arouca, hoje no rival da decisão), o Alvinegro Praiano provou que tem um dos (senão o) mais mortais quartetos de ataque do Brasil, com o onipresente Lucas Lima, o talentoso Geuvânio, um Robinho cada vez mais referência, e o sempre artilheiro Ricardo Oliveira. Com o “Rei das Pedaladas”, a equipe não perdeu no ano, e teve bom desempenho em todos os clássicos que jogou (tirando o primeiro tempo contra o Corinthians). Penso que com a manutenção do elenco e a contratação de um bom treinador, o Santos pode surpreender no Campeonato Brasileiro

Chamou a atenção como o Santos praticamente não correu riscos em uma semifinal como essa. O golaço de Geuvânio foi tão lindo quanto ilustrativo da “zona” que está o conjunto tricolor. O São Paulo segue inofensivo nos clássicos deste ano, e vai de moral baixo para o jogo decisivo de quarta-feira contra o tranquilo Corinthians. Continuo achando inexplicável a falta de espaço para Centurión no time titular.

Será a sétima final seguida do Santos pelo Campeonato Paulista, um fato excepcional. E é muito destacável que mesmo com esse feito novável o clube não seja visto como hegemônico no estado, o que só comprova a evidente perda de importância da competição.

Agora é aproveitar essa final sem favoritos e engrandecida por dois gigantes sedentos que têm olhos somente para a taça, e reeditam uma final clássica que não acontece desde o Supercampeonato Paulista de 1959 (disputado já em 1960).

45 comentários em: “Santos x Palmeiras: a final dos que quiseram mais

  1. Se conseguir parar a dupla Lucas Lima e Robinho, o Palestra tem tudo pra levar esse caneco!

    Espero que o Cleiton Xavier comece jogando!

    Avanti!

  2. Sou corinthiano mais fico na torcida pelo palmeiras ser campeão pra voltarmos viver grandes jogos como 99 2000 hoje maior desafeto do corinthians chama spfc esse torço tudo e todos ganhar deles.

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