Se é da base do Santos, é bom?

Créditos da imagem: canelada.com.br

É quase senso comum que o Santos é o time que mais bem aproveita a sua categoria de base no Brasil. De Pelé a Neymar, foram muitos os craques revelados pelo clube da Baixada Santista, um verdadeiro celeiro do futebol mundial.

No entanto, parece ingenuidade acreditar que as respostas do clube estarão invariavelmente apenas nos pés dos “Meninos da Vila”. É praticamente impossível uma safra de jogadores, por melhor que seja, suprir 100% da necessidade de uma equipe profissional de alto rendimento.

E o Santos atual é prova disso. Explico dando um exemplo: o principal jogador do atual plantel, o selecionável Lucas Lima, não é cria santista. Tampouco Ricardo Oliveira, Vanderlei, David Braz, Renato e Victor Ferraz, outras importantes figuras do time, que ajudam sobremaneira os promissores Gustavo Henrique, Zeca, Thiago Maia e Gabigol a desenvolverem todo o seu potencial.

O mesmo valendo para o histórico Santos campeão brasileiro de 2002, que, se era de Diego e Robinho, também era de Fábio Costa e Alberto (estes, revelados bem longe da Vila Belmiro).

Escrevo essas linhas, pois, entra ano e sai ano, vejo muitos torcedores santistas reclamando de possíveis contratações. Que tal fulano não serve, que o garoto da base é quem deveria ser utilizado etc. Ué, mas e o Lucas Lima? E o Ricardo Oliveira? Não estão servindo?

E o que falar dos meninos oriundos da base Lucas Otávio e Daniel Guedes (titulares na pior fase do time santista no ano passado, ainda sob o comando de Marcelo Fernandes), que mostraram um futebol muito aquém do mínimo que se pode esperar de um jogador profissional? Por que tanta complacência com esses meninos adultos?

Claro que apostar na base parece ser o caminho mais rentável e bem-sucedido especialmente para o Santos, onde o “raio dos craques” costuma cair algumas vezes. Apostar nos meninos deve ser sempre a linha a ser adotada pelo clube e a sua prioridade. Mas há de se ter flexibilidade.

Ser flexível para não se render às pressões externas. Ora, o clube deve ter as suas convicções. E há uma equipe técnica em tese gabaritada para tanto.

Evidente que há erros em contratações. Futebol não é uma ciência exata. Veja o Palmeiras do ano passado e quantos atletas efetivamente vingaram. Poucos.

Mais evidente ainda são alguns erros grosseiros que poderiam e deveriam ser evitados. Nesse sentido, o caso de Ledesma é emblemático (nem falarei da contratação de Leandro Damião, hors concours entre os piores negócios da história do clube diante dos valores envolvidos). Por ocasião da contratação do volante gringo, Thiago Maia e Renato já reinavam no meio de campo santista. Por que diabos então foram investir em um jogador em fim de carreira e que viria para receber um alto salário e, segundo consta, em dólar? Um descalabro administrativo!

Daí a necessidade de sempre se analisar o caso concreto.

Como aparentemente o faz Dorival Júnior ao pedir a contratação de um zagueiro experiente à diretoria do Santos, setor evidentemente carente após a contusão de David Braz, sem um substituto à altura.

Que o Santos saiba ouvir o seu técnico e positive a sua liderança. Até para poder eventualmente cobrar lá na frente.

Em resumo, a merecida “pecha” de revelador de talentos que o Santos possui faz com que muitas vezes os seus dirigentes e torcida depositem demasiada confiança em jogadores medianos e incapazes de corresponder às expectativas de um clube grande.

De modo que, em razão desse comportamento obsessivo e egocêntrico, o clube acaba por desperdiçar algumas boas oportunidades de mercado.

Seria recomendável lembrar que a mesma base que revelou estrelas da estirpe de Pelé e Neymar, “revelou”, também, João Fumaça e Adiel.

Ou seja, a grife da base santista não é garantia de sucesso.

E segue o jogo.

36 comentários em: “Se é da base do Santos, é bom?

  1. Esse “histórico” do Santos de base reveladora é recente. Num passado não muito distante isso não acontecia. Acho que teve origem na construção do Centro de Treinamento tão criticado à época, pois o time não tinha bons resultados e ecoavam criticas na baixada das do tipo: “agora põe a obra em campo”, para justificar que o investimento era todo direcionado a referida construção em detrimento do elenco. Lógico que antes da construção do Centro de Treinamento tiveram revelações na Vila, mas ela eram mais isoladas e esparsadas. Abç e segue o jogo…(rs)

  2. Tá preparado pra apanhar nos comentários? Eu concordo com tudo que disse, vou além, não temos bons zagueiros criados na base desde Alex, mas aqui acham que a “grife” resolve mais que a bola.

    1. Só pra constar, o alex nao foi revelado pelo santos….e sim pelo juventus da mooca e veio já profissional. Mas por outro lado, já fomos campeoes com algumas crias da base, mesmo não sendo de alto nível, casos de andre luiz em 2002, leonardo em 2004 e gustavo henrique em 2015.

  3. Onde eu assino?

    E digo mais, todos os abaixo listados (campeões em 2002) NÃO são crias do Santos:

    Fábio Costa (Vitória), Maurinho (Jundiaí), Alex (Juventus), Léo (Americano/União São João), Renato e Elano (Guarani) e Alberto (Ituano)…

    1. Bom vamos lá, não é bem assim, tem alguns bons jogadores revelados também; Jô, Willian atual Chelsea, Marquinho PSG, Fagner, Dentinho, Edu,Ewerton Ribeiro, Zé Elias, são alguns que me lembro no momento, não é o clube que revela o atleta é o futebol dele, ou você acha que se o Neymar jogasse em outro clube não iria pra frente?

    2. Sou santista mas concordo, essa geração da copinha é fraca msm, Santos precisa voltar a fazer uma base melhor. Nem tudo que sai de la é ouro tbm, mas de fato é um clube que da oportunidade pro jovem.

  4. A base do santo pra mim tem uns mlk bons e outros nem tanto o cara que publicou esse texto ta certinho. Eu nunca penso que a base do Santos vai sempre salvar o Santos

  5. Concordo totalmente, Fernando! Aliás, falando sobre base, você lembra como há alguns anos tratavam a base do Barcelona como se fosse um fábrica inesgotável de talentos? Era o Pedro subindo, Tello no banco, Boran ia ser “o novo Messi”, e por aí vai.

    Passados alguns anos, vimos que a geração de Messi, Piqué, Busquets, Fabregas e Jordi Alba era simplesmente uma geração fantástica, dessas que às vezes aparecem, de tempos em tempos. Hoje o Barcelona já lança mão do poder financeiro pra comprar vários jogadores estrangeiros e determinantes pra equipe.

  6. O que realmente me incomoda demais é quando vejo clubes grandes contratando uns “Zé Manés” e não darem oportunidade pra base.

    Mas jogadores que já são experimentados e simplesmente “não são craques” (ainda mais no atual futebol brasileiro, em que craques são uma raridade), acho totalmente justificável, e concordo que tem muito torcedor que lança “põe a garotada” sem pensar muito nas consequências.

  7. Pura verdade. Mas o que de fato diferencia o Santos de muito outros clubes é que a oportunidade é dada.

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