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Se não vai pelo pé, que seja pela mão

Hexanafavela

Créditos da imagem: torcedores.com

As diferenças de recursos entre os clubes brasileiros e os do exterior aumentaram por causa dos acontecimentos recentes. As consequências da desvalorização do Real em relação às outras moedas se agravaram com o surgimento de novos mercados, como o chinês, cujo dinheiro abundante nos faz presas fáceis. Ficamos com jogadores de qualidade técnica mais pobre. Isso igualou os elencos. Tirando um ou outro atleta talentoso, os times brasileiros estão mais ou menos iguais.

Diante do nivelamento de jogadores, aumenta as responsabilidades dos técnicos. Ou seja, se a diferença não está mais no talento dos atletas, cabe aos treinadores dar o diferencial. Se não se faz a vantagem nos pés, aposta-se nas mãos dos professores.

Por isso, Tite é o maior ídolo dos corintianos. Muricy, a esperança dos flamenguistas. Aguirre, a aposta do Atlético-MG. Marcelo Oliveira, o vilão palmeirense. Bauza, a dúvida são-paulina.

Um grande amigo me disse na semana passada que se o Tite fosse técnico da Portuguesa, a Lusinha voltaria a jogar bem. Acho que ele tem um fundo de razão. O trabalho do técnico corintiano sobressai em relação aos demais. Basta ver os títulos recentes.

Depois de montar um time vencedor durante o ano de 2015, Tite perdeu seis titulares no início desta temporada. E, independente dos resultados satisfatórios conseguidos até agora, que podem ser enganosos, tem mostrado um esquema bem armado em que a colocação dos jogadores em funções cuidadosamente determinadas tem, pelo menos neste princípio, armado um time competitivo. Assim como Muricy no Flamengo. Aos poucos, o time vai ganhando uma cara. A defesa, com jogadores considerados mais fracos, está se acertando. William Arão, antes relegado a times menores, tem atuado bem. Marcelo e Sheik pelas pontas, com Guerrero no meio, estão mostrando evolução. Na surpreendente Ferroviária, um técnico português faz a diferença.

Depois dos fracassos de Luxemburgo, que não consegue mais montar times vencedores como quando tinha bons jogadores à disposição, ou de Felipão, que errou o que pôde em 2002, e mesmo assim ganhou com os Ronaldos, Rivaldo, Roberto Carlos e Cafu, mas sucumbiu no mais famoso 7 a 1 da história, os técnicos que arrancam resultados com elencos menores são as esperanças dos torcedores.

Assim, deixamos de torcer pelos 10, 9, 8, ou outros jogadores que consagraram seus números, antes da personalização da numeração para vender camisas, e vibramos com as “mágicas” do chefe do banco de reservas.

É por essas coisas que os corintianos agradecem ao fato de os chineses não investirem em Tite. E torcem para que Dunga se dê bem na Seleção.

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- possui 97 artigos no No Ângulo.

Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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3 respostas para “Se não vai pelo pé, que seja pela mão”

  1. Tadeu Miracema (Coluna do Leitor) Ademir Tadeu disse:

    Os técnicos terão que ser mais do que professores. Um tema muito bem colocado e o ano de 2016 tem tudo para mostrar quem é quem.

  2. Excelente, Emerson Figueiredo! Concordo totalmente!

    Lembro que me impressionei nos primeiros jogos do Corinthians (do Tite) no ano passado, que tinha basicamente os mesmos jogadores de 2014 (com o Mano), mas jogando de uma maneira muito diferente. O Grêmio do Roger, em relação ao do Felipão, foi outro exemplo de mudança da água pro vinho em pouco tempo.

    Pra mim, feliz ou infelizmente, hoje o técnico é mais importante do que qualquer jogador mesmo.

  3. Amelia disse:

    People norlmaly pay me for this and you are giving it away!


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Natural de Brasília, mas residente em São Paulo desde que se conhece por gente, é um apaixonado por esportes e pela “sétima arte”. Jornalista e advogado, busca tratar o futebol com a descontração que lhe é peculiar, com o compromisso da boa informação e opinião consistente.

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Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não resiste a um bom debate sobre esportes, desde futebol até curling. São-paulino, é fundador e moderador do Fórum O Mais Querido (FOMQ). Não esperem ufanismos e clichês. Ele torce, mas não distorce.

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Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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