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Seleção Brasileira: está tudo errado. Não só o time ou a CBF, mas nossos critérios

Neymarsozinho

Créditos da imagem: Carlos Succo/EFE

Em sua estreia na Copa América, o Brasil teve uma atuação horrível e só venceu o Peru na bacia das almas. Mas o que pretendo abordar aqui vai muito além do que se passou em campo. Há tempos fico incomodado com o que se tornou a Seleção Brasileira. E não, não falo dos esquemas da CBF ou da nossa suposta falta de craques, afinal, a própria imprensa vive dizendo que “não teria muito o que fazer diferente” a cada convocação para o que já foi o “Escrete Canarinho”. E aí que está o problema.

Estamos absolutamente perdidos quanto a uma concepção de “quem merece ser convocado”, os critérios de convocação estão completamente errados. Virou a regra que jogadores totalmente comuns, que jamais tiveram real destaque no Brasil ou no exterior, formem a base da seleção.

Contra os peruanos, por exemplo, o Brasil teve em campo atletas como Fred, Douglas Costa e Firmino, que nunca foram destaques de um campeonato de primeiro nível, protagonistas de grandes clubes ou “papões”de títulos importantes. O que pode justificar a convocação deles? Terem supostamente aparecido bem e despertado o interesse de clubes de locais absolutamente periféricos no futebol mundial? Serem simplesmente “titulares meia-boca” de equipes do exterior? Isso aconteceu até com o Dudu, hoje no Palmeiras, por exemplo. Como reagiríamos se ele fosse convocado pra seleção? Aliás, ele já foi convocado para a seleção brasileira, coincidentemente quando estava no Dínamo de Kiev. E ninguém se indignou à época. Aposto que agora se indignariam.

Não ignoro o desnível entre alguns poucos clubes da Europa e os principais do futebol brasileiro. Mas contam-se nos dedos de uma mão quais são esses times. O resto, mesmo badalados como o PSG ou Chelsea, não me parecem provar em campo que sejam diferentes.

Mas admito que isso não passa de suposição (bem como dizer que praticam futebol acima do nosso, visto que quase não há confrontos). Mas agora vou a um argumento objetivo: nas últimas vezes em que a seleção deu mais espaço para jogadores que viviam bom momento no futebol brasileiro, teve retorno. Na Copa de 2002, Felipão teve a sensibilidade de dar oportunidades a Anderson Polga, Gilberto Silva e Kleberson, que atuavam por aqui e tiveram importante papel (especialmente os dois últimos). Na Copa das Confederações de 2013, os principais destaques atuavam no país: Fred (o original, do Fluminense, coartilheiro da competição), Paulinho (Bola de Bronze) e o extraordinário Neymar (Bola de Ouro). E mesmo reservas que também atuavam em clubes brasileiros, como Jô e Bernard, fizeram bom papel.

O que não dá é pra levar os mesmos jogadores um ano depois para a Copa do Mundo, em péssima fase, e achar que o mau desempenho na competição é problema do futebol praticado no Brasil. Tanto que Paulinho – transferido para o Tottenham da Inglaterra – também foi mal no Mundial. Deve ser visto como condição sine qua non para a convocação que o jogador esteja em boa fase.

Achamos normal não convocar o Lucas Lima – melhor jogador do Campeonato Paulista e destaque do Santos – e vermos o Fred (o “europeu”) na seleção. Estamos habituados a achar que Everton Ribeiro, Ricardo Goulart e Diego Tardelli, por mais que se destacassem no Brasil, precisariam fazer mais para merecer oportunidades reais na seleção. Depois que se foram para o fim do mundo futebolístico, continuaram sendo chamados da mesma maneira, como se não fizesse a menor diferença jogar aqui ou no Catar.

Felipe Anderson, que surgiu como promessa no Santos, saiu sem deixar saudades e aos poucos conquistou seu espaço na mediana Lazio. Pronto, foi o bastante para que boa parte da imprensa dissesse que merecia uma oportunidade na seleção. Enquanto isso, o jovem Valdívia se destaca no Internacional, ofuscando jogadores como D’Alessandro, Nilmar e Alex, e ninguém sequer cogita que seja chamado (o que me parece absolutamente correto, o errado é alguém imaginar que o Felipe Anderson merece estar na seleção).

Por mais que Lucas Lima, Gil, Rafael Carioca, etc. façam por aqui, sempre serão vistos com resistência. Vejo pessoas contestando, por exemplo, o Elias na seleção (jogador histórico do Corinthians, volante que vira e mexe é protagonista da equipe), e fazendo vistas grossas ao “Fernandinho do Manchester City”, pra não falar de aberrações como Fred (o “alternativo”) e Douglas Costa.

Firmino está na seleção, assim como Hulk e Afonso Alves já estiveram. Nesse mesmo período, atacantes como Diego Tardelli (que agora que está na China é constantemente convocado), Jonas e Wellington Nen viveram grandes momentos no Brasil, e mal foram lembrados.

Alguém acha que se Fred, Douglas Costa, Firmino e afins, viessem jogar em grandes clubes brasileiros, iriam se destacar? Eu acho que não passariam de decepções, como foram Júlio Baptista, Anderson (do Inter), Dudu e Pato, que enquanto estavam na Europa frequentemente eram chamados.

Enquanto não convocarmos jogadores acostumados ao protagonismo em times grandes, que não reclamemos da “Neymardependência”.  Enquanto seguirmos dando mais valor ao status de “titular do Chelsea” do inofensivo Willian (com 4 gols em 49 partidas pelo clube na última temporada) em vez de considerar o Everton Ribeiro quando atuava aqui (agora eu não o convocaria, não chamaria jogadores “fora do mundo”), melhor jogador do Campeonato Brasileiro por dois anos seguidos, vai ser assim.

Acabamos tendo uma seleção de jogadores medianos e jovens (afinal, a expectativa é depositada nos jovens, são eles que se transferem para a Europa), coadjuvantes e que não têm qualquer relação com os torcedores brasileiros. Não convocamos o talentoso (e irregular) Paulo Henrique Ganso no segundo semestre do ano passado, quando vivia grande fase ao lado de Kaká, pois “ele precisaria provar mais”. Mas o Douglas Costa estava “na criação”.

Quando Lucas Lima se transferir para equipes medíocres da Europa, como o atual Milan ou o Porto, certamente terá a “grife” exigida para atuar pela seleção.

Osorio pode ser bom. Mas não por ser estrangeiro
Porque sou a favor da redistribuição das cotas de TV. E porque isso não ocorrerá tão cedo

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- possui 157 artigos no No Ângulo.

Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

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8 respostas para “Seleção Brasileira: está tudo errado. Não só o time ou a CBF, mas nossos critérios”

  1. Ivo Matheus disse:

    concordo plenamente, Ganso quando estava jogando muito no Santos nem se quer teve espaço na seleção, Lucas Lima um jogador que de 10 passes que ele da 9 são de cara pro gol deixando o atacante em boas condições de gol, Valdívia do Inter, jogando muito bem o Muleque, Gerson do Fluminense que mais na frente poderá ser melhor ainda. Ou seja tem que aproveitar jogadore que atuam no Brasil, dar chences a esses muleques, que tem fome de bola.

  2. Arte Manha disse:

    Se Firmino, Fred, Douglas, não forem convocados para seleção como seus empresários conseguiram vendê-los para clubes de grande expressão no cenário europeu? Quanto dinheiro não envolve uma transação dessas ? Vcs acham que só atletas e seus empresários que comem essa pizza inteira ou esse valor é dividido entre os técnicos e cartolas da CBF?

  3. Caio Bellandi disse:

    Apesar de discordar de alguns nomes, o raciocínio é interessante…

  4. Falar do Felipe Anderson é sacanagem ta jogando demais,Jonas do benfica também e Lucas Lima e Lucas do Psg eu tbm convocaria.

  5. bobão disse:

    Felipe Anderson virou craque na Lazio não porque o campeonato é ruim, mas porque a influência positiva de veteranos como Klose (que o próprio Felipe admitiu ter se tornado um modelo) fez com que ele tivesse uma epifania. Ele era conhecido como “sonolento” aqui no Brasil, mas hoje é indiscutivelmente um dos jogadores mais prolíficos que o país possui. Digo mais, deem ao Felipe espaço na seleção, e ele vai obrigar o Neymar a jogar no meio, porque ele não é banco.


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Gabriel RosteyGabriel Rostey

Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

Emerson FigueiredoEmerson Figueiredo

Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

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Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, não resiste a um bom debate sobre esportes, desde futebol até curling. São-paulino, é fundador e moderador do Fórum O Mais Querido (FOMQ). Não esperem ufanismos e clichês. Ele torce, mas não distorce.

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“Prata da casa” oriundo da Coluna do Leitor, este internacionalista é tão louco por futebol que tratou do tema até em seu TCC. Mestrando em Análise e Planejamento em Políticas Públicas, neste espaço une o gosto por escrever com a paixão pelo esporte mais popular do mundo.

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Natural de Brasília, mas residente em São Paulo desde que se conhece por gente, é um apaixonado por esportes e pela “sétima arte”. Jornalista e advogado, busca tratar o futebol com a descontração que lhe é peculiar, com o compromisso da boa informação e opinião consistente.

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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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