Sem “oba-oba”, Palmeiras pode crescer. Mas há de se ter paciência

Créditos da imagem: LANCE!NET

Passada a empolgação com a vinda do pomposo diretor Alexandre Mattos ao Palmeiras e a baciada de reforços por ele contratada, penso ser o momento de reflexão sobre as perspectivas da equipe alviverde na temporada.

De cara, ressaltaria a importância de desmitificar a figura do badalado dirigente vindo do Cruzeiro, pois, em que pese ter ele realizado um bom trabalho em terras mineiras, erros foram cometidos e o mérito do sucesso a ele atribuído parece um tanto exagerado.

Por exemplo: Everton Ribeiro e Ricardo Goulart, os craques cruzeirenses em 2013 e 2014, foram indicações pessoais do técnico Marcelo Oliveira (com o primeiro trabalhou junto no Coritiba e o segundo foi pedido pelas boas atuações no Goiás). Certamente, a habilidade e a perspicácia de Mattos foram determinantes para a conclusão das negociações, mas o “olho clínico”, o mérito maior, inegavelmente foi do treinador. De qualquer modo, ponto para ambos, já que os atletas renderam esportiva e financeiramente ao clube e cada um fez a parte que lhe cabia no negócio. Por outro lado, Júlio Baptista, um dos jogadores mais caros do país (!), também foi contratado pelo então diretor celeste e até hoje é um problema para a equipe. Não teria sido esta uma contratação exagerada, descabida e financeiramente temerária?

Resumindo: o sujeito pode ser bom, mas é humano e falível. E não é milagreiro.

Bom, tratemos agora da montagem do elenco do Palmeiras para a atual temporada. Virou quase senso comum que o grupo de jogadores do alviverde é de primeira categoria, com dois a três jogadores qualificados por posição. Será verdade? Um ataque titular formado pelos pouco expressivos Dudu, Rafael Marques e Leandro Pereira corrobora essa afirmação? Vá lá que Arouca, Cleiton Xavier e Zé Roberto sejam de fato contratações de primeiro nível e que Gabriel e Robinho estejam se confirmando como boas apostas, mas o resto é perfumaria e a mim não convence (afinal, quem são Jackson, Alan Patrick, Kelvin, João Paulo, Amaral, Ryder, Andrey Girotto e cia?). É como se o simples fato de estarem no “pacote” de Alexandre Mattos lhe dessem um atestado de qualidade que, no entanto, é ilusório.

Sem falar no disputado Dudu, um jogador de bom drible e arisco, mas que no último Brasileiro, atuando em 35 partidas pelo Grêmio, fez apenas três gols, média de 0,08 por partida. Será que tem potencial para ser “o” cara que o Palmeiras imaginou por ocasião de sua contratação? Até agora não foi.

Erros e acertos à parte, o que choca é ver grande parte da imprensa caindo no “oba-oba” da torcida e até apontando o time como o maior favorito ao título do Brasileirão. Algo nada razoável, pra dizer o mínimo.

De qualquer forma, a espinha dorsal do Palmeiras está formada e o time já conseguiu até pular algumas etapas e disputar a final do Paulista, tendo sido derrotado nos pênaltis pelo atrevido Santos de Lucas Lima e Robinho.

Que o bem sucedido (pelas circunstâncias) vice-campeonato não se transforme em imediatismo, empolgação e até afobação pelo lado verde. Que clube, torcida e imprensa tenham paciência e não deixem evaporar aquilo que de bom o Palmeiras já conseguiu na temporada: o aumento exponencial do programa de sócio-torcedor, os grandes públicos no novo estádio e o resgate da autoestima.

Com alguns ajustes e substituições de peças (a saída de Valdívia, caso se confirme, fará um bem danado à estabilidade do clube), o Palmeiras naturalmente – e não na marra – pode crescer.

E segue o jogo.

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