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Sintonia fina – Um novo nicho no instável mercado de trabalho da “Comunicação”

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Créditos da imagem: gremio.net

Sintonia fina

É clichê, eu sei, mas tem um mundo diversificado orbitando no entorno do futebol que muitas vezes desconhecemos. Falo por mim. E embora muitos escândalos venham abalando o futebol mundial, para não ficar apenas nas mazelas nacionais (e é bom que essas falcatruas sejam divulgadas para que não se repitam), há iniciativas louváveis também nas quais o esporte, mais especificamente o futebol, é o protagonista.

Grêmio Rádio

Dias desses me deparei com uma propaganda da Grêmio Rádio – http://www.gremio.net/radio/ – e confesso que desconhecia a sua existência, embora ela tenha surgido em 2007, em uma iniciativa pioneira do time tricolor, conforme me contou o coordenador de conteúdo da Rádio, o jornalista Cristiano Oliveski.

Fiquei curiosa e surpresa ao mesmo tempo, pois desconhecia a iniciativa que achei bem original, pois reúne duas atividades que me interessam: mercado de trabalho e esporte. E mais, um grupo local teve a iniciativa de criar um novo nicho no instável mercado de trabalho da “Comunicação”, oferecendo um novo produto.

É aquele tipo de situação que te faz perguntar: mas como é que ninguém nunca pensou nisso antes?

Segundo Cristiano Oliveski, a ideia surgiu a partir da vontade do clube em ter uma rádio própria que transmitisse os jogos do Grêmio com a proposta “de gremista para gremista”, com clima de arquibancada.

“Quem deu o pontapé inicial na rádio foi o jornalista Haroldo Mendes dos Santos, antigo coordenador de comunicação do Clube. Inicialmente, a Grêmio Rádio transmitia jogos em que o Grêmio era mandante. Com o tempo, a atuação da rádio foi sendo ampliada para jogos fora de casa, através da transmissão “off tube”. Para isso, se observou que a internet seria o propulsor da paixão gremista, uma vez que o Grêmio tem muitos torcedores espalhados ao redor do mundo e foi com a ideia de aproximar esses que moram longe de seu clube de coração que nasceu a Grêmio Rádio. Um detalhe importante é que ela se chama Grêmio Rádio, e não Rádio Grêmio, como as outras emissoras têm por costume (Rádio Bandeirantes, Rádio Globo, Rádio Gaúcha), pois, no nosso caso, o clube sempre vem em primeiro lugar”, explica Cristiano.

Projeto pioneiro

Projeto pioneiro no país, a Rádio Grêmio influenciou na criação de outras tantas com o mesmo perfil. Entre as que “pegaram carona” na iniciativa estão as rádios do Santos, do Flamengo, do Figueirense, do Botafogo etc.

A relação com o clube e com o marketing do Grêmio é próxima, como não podia deixar de ser.  Segundo o diretor de conteúdo, “a relação é muito próxima, até porque as coisas andam juntas. O próprio diretor de Marketing do Grêmio, Beto Carvalho, foi um dos que trabalhou interna e externamente para a rádio assumir esse papel de aproximação com o torcedor no FM. Editorialmente, temos total respaldo da direção do Grêmio para exercer nosso trabalho”. Inclusive na linha editorial, pergunto?

– A nossa linha editorial é a linha do torcedor gremista, até porque todos os integrantes da rádio vieram das arquibancadas do estádio Olímpico (à exceção dos comentaristas Mazaropi e Carlos Miguel, que têm uma história rica de títulos jogando pelo Grêmio). É difícil trabalhar com a paixão do torcedor, principalmente em momentos complicados, mas é nosso dever sempre trabalhar com a esperança, criar expectativas nesse torcedor que consume os produtos do clube. O gremista também assiste aos jogos, também consome informações de outros veículos. Se, em momento de crise, falarmos que está tudo bem, estaremos mentindo para esse torcedor e essa, definitivamente, não é nossa linha. Se um atleta está bem ou mal durante uma partida, falaremos no ar, explica o jornalista.

Os avanços tecnológicos  foram incorporados aos poucos. Inicialmente, a rádio operava via web apenas. “Em 2009 ensaiamos algumas jornadas em outra frequência, mas não foi dado prosseguimento àquele processo. A entrada definitiva na FM este ano (2015) foi possível graças à chegada da Umbro como a nova fornecedora de material esportivo do clube. O investimento na parceria transformou a Grêmio Rádio em Grêmio Rádio Umbro, por meio do naming rights do veículo oficial.

– Para nós, que atuamos na rádio desde os tempos da web, tem sido um resultado extremamente positivo ter todo o retorno junto aos torcedores gremistas, principalmente, além de  parceiros comerciais e imprensa em geral, comemora.
No momento,  a Rádio opera na Arena do Grêmio, somente em dias de jogos (em período de 4 horas), mas a equipe quer mais espaço e está  trabalhando junto à 90,3FM para ampliar um pouco a atuação no dial.

Cristiano faz uma ressalva: com a entrada da Umbro a equipe passou a utilizar a frequência 90,3FM, que é de domínio da rádio Felicidade Gospel. “Fomos muito bem recebidos por eles e pelo público da rádio neste projeto. Existem conversas para que se amplie a abrangência da rádio através de cadeias com outras frequências do interior”.

E a pergunta óbvia: vocês só entrevistam gremistas ou estão abertos para outra abordagens (?), questiono.
“Por ser uma rádio criada e desenvolvida para os gremistas, só entrevistamos gremistas. Claro que, se no time adversário, atue um atleta ou ex-atleta que já vestiu a camisa do Grêmio, damos abertura para que ocorra essa entrevista”, explica.

Estrutura da rádio

A estrutura atual da rádio é composta por sete profissionais que estão na “linha de frente”. São dois narradores (Cristiano Oliveski e Rodrigo Fatturi), três repórteres (Márcio Neves, Luciano Rolla e Rodrigo Fatturi), dois comentaristas (Carlos Miguel e Mazaropi) e um plantão. E mais dois técnicos de som (Carlos Pereira e Vitor Pereira).

Perguntado sobre a presença feminina na equipe, ele ressalta a participação de Jéssica Maldonado (plantão), “que hoje é a única mulher que trabalha no rádio esportivo gaúcho nas ondas do FM”.

A rádio é autossustentável, o que é uma notícia animadora e proporciona as condições para os jornalistas e empreendedores avançarem na  consolidação do produto e se estabelecerem nesta nova modalidade de trabalho.

Pelos resultados obtidos no primeiro ano, eles conseguiram o apoio de muitos parceiros comerciais. E além do próprio investimento comercial, existem diversas parcerias que possibilitam acompanhar o time nos jogos, praticamente sem custos.

Existe receita de sucesso?

Com a resposta, Cristiano: “receita de sucesso não sei se deve existir de fato. O que existe é a vontade e coragem para atingir esse sucesso. O mercado muda muito, principalmente o mercado do rádio. Muito se fala em fim do rádio, tanto que as frequências AM devem sumir em breve. Nós fomos na contramão disso tudo e levamos a Grêmio Rádio da web para o FM. Fizemos o caminho inverso ao que a maioria pensa hoje em dia na comunicação. Tivemos vontade e coragem pra fazer isso”.

É uma receita? Não sei, mas com certeza tem bastante coragem no meio.

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Escrito por:

- possui 27 artigos no No Ângulo.

Jornalista formada pela PUC-RS, essa gaúcha nascida em Passo Fundo e residente em Porto Alegre é especialista em Meio Ambiente, tem interesse por política e gosta de transitar e dar os seus pitacos sobre diferentes temas. Uma romântica do futebol, busca analisar as sutilezas do esporte bretão.


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3 respostas para “Sintonia fina – Um novo nicho no instável mercado de trabalho da “Comunicação””

  1. Muito legal isso, Lena! E pensando bem, faz todo o sentido em tempos de “democratização dos meios de comunicação” ter mais essa segmentação! Se a segmentação anterior foi, por exemplo, com a criação de canais temáticos, por exemplo, exclusivos para jornalismo, ou exclusivos para esporte, agora devemos caminhar, aos poucos, para veículos/programas cada vez mais específicos.

    E muito bom saber que é autosustentável! Ainda mais em tempos de crise do jornalismo esportivo, né…

  2. Lena Annes disse:

    Acho muito bacana essas novas forma de comunicação Gabriel, são oportunidade que se apresentam através da iniciativa dos profissionais e também com apoio de empresas que apostam no novo e em novas formas de divulgar seus produtos, no caso o time do Grêmio.

  3. Caio Bellandi disse:

    Sou um fascinado pelo rádio, e pretendo tentar minha sorte no meio em breve.

    Dito isto, acho que vivemos – como no jornalismo/comunicação no geral – um período de transição. O rádio, hoje, é um gigante adormecido. A estrutura de webrádio, podcasts, e etc, tem um mercado ainda gigantesco a ser explorado. E vai crescer.

    Parabéns pela iniciativa da galera da rádio. A rádio nunca vai morrer, ela tá sempre em expansão, bastando achar o caminho. E eles acharam o deles.


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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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