Sobre a “preparação especial” de Nenê para a derrota contra o Palmeiras

Créditos da imagem: torcedores.com

SPFC – o antiprofissionalismo que tentam transformar em “fofoquinha”

Em meio à frustração com o rendimento despencando (aproveitamento em setembro foi igual ao pífio abril), vai passando batido um episódio de extrema gravidade, por tudo o que envolveu – desde privilégio a um atleta, passando pelo momento inconveniente e, principalmente, pela falta de transparência de quem se esperava profissionalismo. Sem contar a falta de inteligência de quem achou que ninguém ficaria sabendo. Nem toda a tropa chapa-branca da imprensa poderia evitar.

Em seu tópico-blog no Fórum O Mais Querido (FOMQ), bem a seu estilo, Danilo Mironga apresenta a seguinte sequência:

“30 de agosto – o importante portal ‘O Fuxico Gospel’ anuncia o casamento da cantora Gabriela Rocha. A informação veio pelo Instagram do padrinho, o jogador Nenê. Segundo o site, o jogador teria apagado a mensagem em seguida, mas ela diria o seguinte:

‘Amamos Gabriela Rocha e Leandro Moreira, a gente não vê a hora desse momento chegar’.

1º de outubro – o mesmo colosso da comunicação confirma que naquela noite, uma segunda-feira, o casamento aconteceu na Itália. Com a presença do padrinho, como a fotografia abaixo (do Instagram da nubente) deixa claro.

2 de outubro – o padrinho de casamento não comparece ao treino do SPFC (o primeiro antes de clássico decisivo), liberado para resolver ‘problema pessoal’.

6 de outubro – o SPFC perde para o Palmeiras.

8 de outubro – o gerente, o super-ultra-hiper-mega-power-intendente e o bobo da Corte (empatar é bom) ainda estão em seus cargos.”

O final pode parecer exagerado. Como exigir demissão por algo menor como este caso? A questão é: quem disse que isso é algo “menor”?

Primeiramente, vamos lembrar que, mesmo de jato ou primeira classe, uma viagem à Itália desgasta o físico. Sendo que estamos falando de um atleta de 37 anos. Obviamente, é o de menos. A situação se complica quando consideramos outros dois fatores:

  • privilégio dado a um único atleta em detrimento de todo o elenco;

  • perda de um treino justamente na preparação para o que definiria se o São Paulo seguiria na briga ou veria o rival abrir vantagem. Ainda que tenha sido “um treino mais leve para quem jogou domingo”, como noticiado, era um treino. Não fosse necessário, que folgasse todo mundo.

Neste cenário, é inadmissível que aqueles que autorizam a liberação divulguem mera alegação de “problemas pessoais” – como noticiado. Problema pessoal é bem diferente de um compromisso no qual a ausência do jogador seria compreensível para os nubentes, por motivos óbvios. Fizeram isso com fatos públicos, noticiados num portal que pode ter visibilidade mínima, mas está lá para quem quiser ver. Sem contar a postagem da noiva em rede social.

Sob tal contexto, se consideraram correto liberar o atleta de um treino, os dirigentes do clube teriam que ser previamente claros. Algo como “estamos liberando o jogador a pedido deste, após conversarmos com o treinador e concluirmos que a viagem e a ausência a treino não afetarão o desempenho dele e da equipe contra o Palmeiras. Assumimos a responsabilidade por tal decisão”. Com as assinaturas de Aguirre e seu preparador físico embaixo. Isso, apenas isso, seria uma postura profissional condizente com um clube grande disputando grande título. Não é algo que se ensine em cursos. Está embutido no conceito de transparência e respeito aos objetivos.

Raí e Lugano foram capitães em seus times. Não é crível que desconheçam o impacto desta postura perante o elenco. O resultado prático todos viram. Nenê, que já não vinha bem (como em todos os segundos semestres dos últimos anos), foi substituído no intervalo. Se o tempo com viagem e perda de treinamento não atrapalhou, com certeza não ajudou a recuperar o rendimento do jogador e do time. Quem assume o fracasso de tal escolha? Mais fácil enterrar a história com os amigões de diploma jornalístico, contando também com os endereços virtuais atrás de favores. E “deu certo”, já que se passaram dias e não se fala do assunto, como se fosse mero boato. Não é.

Depois de dar motivos para elogios e fazer lembrar como é torcer para um clube grande, a gestão tricolor retoma seu curso medíocre. Mais um ano da marmota se anuncia. Mais ídolos se mostram mais do mesmo fora do campo.

Deixe sua opinião e colabore na discussão