Sobre a punição da Conmebol ao Palmeiras

Créditos da imagem: RAI

Jogo de futebol sem torcida no estádio é tão sem graça quanto cerveja sem álcool, ir à praia de sapato. É negar a essência do futebol profissional

O Palmeiras, como era de se esperar, classificou-se em primeiro de seu grupo na Libertadores. No entanto, estas linhas serão dedicadas à punição aplicada pela Conmebol ao clube na última semana, em razão da confusão envolvendo Felipe Melo na partida contra o Peñarol.

Indago. Puniu o Palmeiras ou os torcedores que costumam acompanhar o time e gostariam de segui-lo mais essas vezes?

Falando de punição, o que o Palmeiras perde com a ausência de seus torcedores? Dinheiro, claro, não é. Incentivo durante as partidas? Pode ser. Decisivos para vitórias? Tenho dúvidas. Eles mais arranjam confusões que colaboram. Essa é a verdade.

Mas, digamos que sim. Que a presença do grupo de torcedores que costuma viajar com o time seja realmente muito importante. Nesse caso, é só viajarem como “pessoas comuns”, vale dizer sem as camisas e demais apetrechos que os identificam e pronto. Uma vez no estádio, todos de camisa branca, talvez verde, ou mesmo vermelha, passariam a gritar e a cantar. Assim como sempre fizeram por aqui, quando inventaram aquela fajutice de banir a Mancha Verde dos estádios – se tivesse sido feita pra valer mesmo, teria meu aplauso. O que aconteceu? Acrescentaram uma palavra ao nome e nunca deixarem de aplaudir e bagunçar.

A Conmebol, como as Federações e a CBF, brincam de fazer coisas sérias e pensam que pintam nossas caras. Não pintam.

A entidade puniu também o Peñarol pelas mesmas bagunças. Um jogo sem sua torcida, em casa. Diferente, né? Jogar sem a torcida em casa significa perder, além do incentivo, arrecadação, dinheiro. E isso é ruim, mesmo para clubes ricos, com belos e caros patrocínios, verbas altas de televisão – o que não acontece na terra de Obdulio Varela, e nem por aqui, na pátria amada de Pelé.

Não pode haver punição mais estúpida do que jogo sem torcida. Futebol é espetáculo. É emoção. E a torcida faz parte desse show. Com as coreografias, que existem de longas datas. Com o incentivo. Com as cobranças. Passando energia aos jogadores e a recebendo de volta. Interagindo.

Quando se tira do estádio 30 mil torcedores porque 20 estúpidos brigaram, às vezes porque um boçal atirou um copo de plástico no gramado, são aqueles que estão sem punidos, e não estes poucos.

Serginho Chulapa dizia que não se importava com as vaias das torcidas adversárias. Quando o estádio estava lotado – contava -, vaias e aplausos eram uma coisa só. Odiava quando lá estavam apenas alguns gatos pingados. Olhava para as arquibancadas e via nitidamente o torcedor que xingava sua mãe. E sentia vontade louca de ir lá dar uns tabefes no cara.

Além do mais, jogar sem torcedores num futebol profissional é jogar dinheiro fora. Os organizadores fariam muito melhor se na hora do jogo mantivessem “presos”os bagunceiros e abertas as bilheterias.

Se querem punir os clubes, que façam com inteligência – doem toda renda para instituições. Unicef, AACD, e outras tantas…

5 comentários em: “Sobre a punição da Conmebol ao Palmeiras

  1. “Se querem punir os clubes, que façam com inteligência – doem toda renda para instituições. Unicef, AACD, e outras tantas…”.

    MUITO BOM

  2. Concordo totalmente, Mestre José Maria de Aquino! Não me conformo com tantos locais vazios nos estádios (era melhor fazer sorteios faltando meia hora para começar o jogo do que “queimar” assim), imagine, então, com jogos fechados ao público! É surreal e sem sentido mesmo…

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