Sobre a visão enviesada do Barcelona

Créditos da imagem: El País

Clube espanhol emite nota lamentando posição política pró-Bolsonaro dos craques Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho. Seria coerente que também abordasse Maradona na análise histórica de seus “posicionamentos institucionais”

Os brasileiros Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho declararam abertamente apoio à candidatura de Jair Bolsonaro para a presidência do Brasil.

Nenhum deles é ativo na campanha do candidato, é bom que se diga. Apenas e tão somente manifestaram os seus votos, como já fizeram anteriormente Felipe Melo, Jadson e outros tantos.

O que causa estranheza é esse mesmo Barcelona em nenhum momento ter questionado o apreço de Maradona -também ex-jogador do clube- por líderes mundiais como Fidel Castro, Hugo Chávez e Nicolás Maduro. 

Aliás, Maradona é mais do que um entusiasta de ditos políticos. É Cabo Eleitoral, um verdadeiro ativista em suas campanhas.

De maneira que a nota emitida pelo clube “afirmando o seu compromisso com os valores democráticos” soa como algo ridículo diante dos fatos.

Um clube “democrático” que (ora vejam só) apoia o referendo de independência da Catalunha a qualquer custo, ainda que para tanto tenha que rasgar a Constituição.

“Mais que um clube”?

Sim, pelo menos nesse episódio, uma piada de mau gosto.

E segue o jogo.

*Atualização: fui alertado por leitores que Maradona não é oficialmente um “embaixador” do Barcelona, como são Rivaldo e Ronaldinho. Ok, fato relevante e que trago à baila agora nestas linhas. Mas é fato que seria de bom tom que o clube, já que entrou nessa bobagem de querer se posicionar sobre o posicionamento de seus ex-atletas, também reprovasse publicamente o apoio do craque argentino a incontestes ditadores. Nesse sentido, verifica-se sim aquela questão de “dois pesos e duas medidas” na postura do Barcelona. É como se o pai de dois filhos repreendesse aquele “boca-suja” e insolente e não se posicionasse sobre o outro, que, digamos, agrediu fisicamente um colega de sala e furtou a sua carteira. Não dá, né? Quanto ao referendo, penso que os fins não justificam os meios. Tampouco a ideologia. E lamento que se pense que o colunista “não sabe o que foi a ditadura franquista” por não pensar como pensam alguns “idealistas”. Em tempo: todo o meu respeito às vítimas do autoritarismo de Francisco Franco, mas é que aqui neste espaço a gente procura não confundir “alhos com bugalhos”.

4 comentários em: “Sobre a visão enviesada do Barcelona

  1. Perfeito, Fernando. Eles deveriam entender que no Brasil não está em perigo a democracia. Estamos vivendo um processo democrático, com eleições livres e os dois candidatos têm feito uma campanha tranquila, com exceção do atentado contra Bolsonaro.E ainda mais, um dos protagonistas orienta um dos postulantes desde um presídio onde cumpre condena por corrupção. Querem mais democracia que esta? Quem sabe na Venezuela, Coreia do Norte…

  2. Impressiona a capacidade que a esquerda tem de achar que “se é em nome da causa, tudo bem”. Aposto que muitos aprovariam eventual assassinato do candidato Bolsonaro, o que quase ocorreu, diga-se. O fato de a Catalunha não respeitar a Constituição e ameaçar a segurança jurídica do país parecem meros detalhes para aqueles que SEMPRE PENSAM NO BEM MAIOR. Ah, o que seria do nosso mundo sem vocês, hein?! Parabéns pelo texto!

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