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Tem mulher no futebol

futmulher

Créditos da imagem: Stella Brazil

Terminou no último domingo a Copa do Mundo de futebol feminino no Canadá. Pela primeira vez, o torneio contou com 24 seleções, as quais disputaram o título em seis cidades canadenses.

No entanto, apesar da importância da competição, talvez pouca gente tenha tomado conhecimento de sua existência, e, se tomou, provavelmente foi por ocasião da eliminação da Seleção Brasileira pelas australianas nas oitavas-de-final, já que o papel da imprensa brasileira foi decisivo em disseminar a informação sobre a derrota do time de Marta.

Fora do Brasil, a ênfase não foi nem um pouco sobre a derrota das brasileiras em si, mas pelo triunfo da seleção da Austrália sobre um time tido como quase imbatível, uma potência em termos de futebol. Mas é questionável o quanto dessa imagem se dá pelo sucesso do time masculino e da falsa visão de que o Brasil é o reino do esporte – para ambos, homens e mulheres. Explico: a verdade do lado de dentro é bem diferente e estarrece os estrangeiros. No Brasil, futebol é um domínio totalmente masculino. Neste esporte, a mulher só é agraciada se for bonita – não importando o talento e capacidade no controle da bola. A longa dominância masculina no esporte e a manutenção do status quo pela mídia esportiva (também ainda largamente controlada pelos homens) ainda no século 21 coloca a mulher ou em plano de subordinação ou inferioridade. Muitas vezes ela só serve se encher os olhos acompanhando o marido ou namorado ao estádio de futebol ou, se atleta, nas páginas de revista masculina.

Talvez o maior momento em termos de abordagem estrangeira sobre o futebol no Brasil tenha acontecido graças às declarações do coordenador de futebol feminino da CBF, Marco Aurélio Cunha, que viraram piada internacional. Em entrevista a um jornal canadense, o dirigente afirmou:

“Agora as mulheres estão ficando mais bonitas, passando maquiagem. Elas vão a campo de uma maneira mais elegante. Futebol feminino costumava copiar o futebol masculino. Até nos modelos de camisa, que era masculino. Nós vestíamos as meninas como garotos. Então faltava o espírito de elegância, de feminilidade. Agora os shorts são mais curtos, os cabelos são bem feitos. Não são mulheres vestidas como homens”, disse ao “The Globe and Mail”.

Irritado com a suposta interpretação machista, Cunha concedeu novas entrevistas e tentou explicar o mal-entendido. Diz agora que, pelo uso de uniforme próprio, mais adequado ao corpo feminino, as jogadoras têm mais auto-estima e conquistaram seu espaço. Será mesmo?

Claro que a disputa por espaço na mídia tupiniquim durante a Copa do Mundo feminina foi complicada: àquela altura, os meninos disputavam o Mundial Sub-20 na Nova Zelândia e, logo depois, a seleção principal masculina iniciava a sua trajetória na Copa América, no Chile. De qualquer forma, a diferença das capas dos principais jornais do país no dia da abertura do torneio no Canadá – se comparada com a frenética tietagem quando da abertura dos mundiais masculinos – é gritante. Com exceção de uma publicação de São Paulo, somente jornais online do interior noticiavam o acontecimento.

Voltando à Copa, depois de três partidas com 100% de aproveitamento, as meninas do Brasil foram eliminadas pelas australianas com um 1×0 magrinho. E, nesse caso, perder não é necessariamente ruim. Serve para expor a dura realidade que as atletas enfrentam desde que o Ministério do Desporto permitiu que as mulheres jogassem futebol, em 1979. Por todos esses anos, a CBF tenta cobrir a realidade interna com panos quentes e dá um jeito de colocar em campo uma seleção feminina (composta de persistentes jogadoras que, pelo sonho de jogar futebol, e em razão da “marca Brasil”, conseguem um contrato no exterior para tão somente lá poderem desenvolver o seu talento).

Daí vem aqueles que reclamam que não há retorno de investimento no futebol brasileiro. Claro que não, da mesma forma que times de juniores também não atraem audiência, nem patrocínio. Porque esse é o estágio em que o futebol feminino se encontra, aliado ao constante bombardeamento negativo sobre aquelas que o praticam. Menina não aprende a chutar uma bola desde criança, raramente aprende o esporte na escola, já que a divisão entre esportes masculinos e femininos ainda é clara. Apenas jogando ocasionalmente na rua e talvez na adolescência não será possível desenvolver o talento em sua plenitude, o que inevitavelmente reflete na qualidade dos jogos femininos. Além da óbvia diferença física entre homens e mulheres, que, de tão evidentes, não aprofundarei.

A vitória das australianas sobre as brasileiras, assim como a vitória dos EUA no mundial, não aconteceram por acaso. Para se ter uma ideia sobre planejamento, na Austrália, meninos e meninas começam a aprender futebol a partir dos dois anos e meio de idade em escolinhas particulares. Aos cinco, passam a jogar em clubes locais e na escola. E ambos os sexos podem dividir o campo até 14-15 anos, em times classificados de acordo com a habilidade dos jogadores e jogadoras, e não pelo gênero. Já os Estados Unidos investem nos esportes femininos desde 1970, quando escolas e universidades foram obrigadas por lei a proporcionar igualmente o acesso a todos os esportes aos meninos e meninas.

Sendo assim, eu humildemente recomendaria aos rançosos que saiam da toca do preconceito que habitam e os convidaria a assistir algumas das partidas jogadas no Canadá neste ano. As mulheres que tiveram oportunidade de desenvolver seu talento em países não-machistas – e com algumas exceções marcadas pela determinação das jogadoras – mostram um futebol marcado pela habilidade e pelo respeito às regras. E sem colocar a culpa da derrota em uma suposta virose (ah, Dunga!).

Não à toa os comentaristas esportivos elogiaram a atuação da arbitragem durante a Copa do Mundo feminina. Isso porque o futebol entre as mulheres ainda é pautado pela magia, pelo senso coletivo e Fair Play. Pena o futebol feminino do Brasil ser exceção. Talvez pelo comando de uma equipe técnica totalmente masculina, o time foi truculento e reclamão. Que fique a lição para o Pan e para as Olimpíadas, de que o futebol feminino ainda é um jogo puro em sua essência, e que isso possa inspirar as mães de meninas e as meninas por si mesmas a quererem ser como a Marta, a Formiga, a Tamires etc.

Mas com o ranço do machismo ancião e a manutenção de diretores como Cunha, a batalha promete ser longa.

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Escrito por:

- possui 2 artigos no No Ângulo.

Luciane Lauffer é jornalista, mestre em Estudos Internacionais e mestranda em Pesquisa em Mídia, em que explora a cobertura do futebol feminino no Brasil. Natural de Porto Alegre, vive na Austrália desde 2001, e também morou na Alemanha e no Canadá. E foi na Austrália que descobriu a paixão pelo Futebol de uma forma inclusiva: é árbitra desde 2013, o que abriu portas para ser técnica infantil e a se arriscar como goleira no time feminino local.

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4 respostas para “Tem mulher no futebol”

  1. Lena Annes disse:

    Maravilha Luciane Lauffer. Parabéns ao Fernando Prado também pela divulgação do texto.

  2. AOS FÃS E AMIGOS DA BYANCA BRASIL:

    Gente vamos ajudar a divulgar o CURRÍCULO E OS “INCRÍVEIS VÍDEOS” da nossa amiga BYANCA BRASIL, a nossa “RAINHA DAS LAMBRETAS”!

    Vamos com a BYANCA rumo as OLIMPIADAS DO RIO – 2016.

    CURRÍCULO DA BYANCA BRASIL — 10 TÍTULOS DE CAMPEÃ E 08 ARTILHARIAS EM SEIS ANOS DE CARREIRA

    01 TÍTULO MUNDIAL – Campeã Mundial de Clubes em 2012 e ARTILHEIRA, pelo C.R. VASCO DA GAMA em PORTUGAL.

    02 TÍTULOS CONTINENTAIS – Bicampeã Sul Americana 2012 (Sub 17) e 2014 (Sub 20) e ARTILHEIRA da Seleção Brasileira nas duas Competições.

    01 TÍTULO NACIONAL – Campeã da COPA DO BRASIL 2015 e ARTILHEIRA, pelo S.E. KINDERMANN. – Campeã Brasileira de “FUTEBOL DE 7” 2014 e ARTILHEIRA, pelo BOTAFOGO F.R.

    05 TÍTULOS ESTADUAIS – Campeã Estadual do RIO DE JANEIRO – Em 2010 (Sub 15) e ARTILHEIRA pelo C.R. VASCO DA GAMA, – Em 2010 (Sub 17) e ARTILHEIRA pelo BANGU A.C., – Em 2011 (Adulto) e ARTILHEIRA pelo BOTAFOGO F.R. (Copa Iguaçuana). – Campeã Estadual do PARANÁ – Em 2013 (Adulto) e ARTILHEIRA pelo FOZ CATARATAS F.C., – Em 2014 (Adulto) e ARTILHEIRA pelo FOZ CATARATAS F.C.

    UM JORNALISTA ESPANHOL DISSE O SEGUINTE SOBRE O FUTEBOL DA BYANCA:

    …Su fútbol es un irreprimible grito que suena a samba, un baile de pies con el que dibuja el fútbol que sueña para su país, el de Leónidas, Zizinho, Freitas, Pelé, Garrincha,Rivelino, Zico, Sócrates, Romario, Ronaldinho… En ella se reconoce Brasil, se reconocen los brasileños…

    VEJAM A MATÉRIA:

    http://www.vavel.com/es/futbol/385767-byanca-brasil-el-verdadero-camino.html

    VIDEO 02 – CANAL YOU TUBE “CLAUDINO DE MELO”.

    – Lambreta na COPA DO MUNDO sub-17 no Azerbaijão-2012 contra o México.
    – Gol mais bonito desta COPA DO MUNDO escolhido por internautas do mundo todo.

    VIDEO 01 – CANAL YOU TUBE “CLAUDINO DE MELO”.

    – LAMBRETA contra a ALEMANHA na COPA DO MUNDO sub-20 no Canada 2014
    – LAMBRETA E GOLAÇO contra a CHINA na mesma COPA DO MUNDO
    – Gol do título CAMPEONATO BRASILEIRO/2014 de futebol de 7 pelo Botafogo F.R..
    – Lambreta contra o ATLÉTICO DE MADRI no MUNDIAL DE CLUBES, onde foi CAMPEÃ, ARTILHEIRA E GRANDE DESTAQUE da competição.

    REPORTAGEM DA FIFFA

    – após a COPA DO MUNDO SUB 20, dizendo que a BYANCA e mais 10 jogadoras de outros Países estariam nesta COPA DO MUNDO em 2015 no CANADÁ.
    Praticamente a FIFA escalou a SELEÇÃO DAS MELHORES da COPA SUB-20 de 2014.

    http://www.fifa.com/u20womensworldcup/news/y=2014/m=8/news=azerbaijan-graduates-set-to-shine-in-canada-2415878.html

    REPORTAGEM DA FIFFA com o Título:

    “AS ESTRELAS DA COPA DO MUNDO SUB-20 CANADA 2014”
    Nesta a FIFA mostra as ESTRELAS da COPA DO MUNDO SUB-20.
    Adivinhem qual jogada a FIFA escolheu para começar esse “VIDEO DAS ESTRELAS DA COPA SUB-20? É, a FIFA abriu o video com uma das duas LAMBRETAS que a BYANCA BRASIL executou nesta COPA DO MUNDO SUB-20. Vejam:

    http://www.fifa.com/u20womensworldcup/videos/y=2014/m=10/video=the-stars-u-20-women-s-world-cup-2014-2454740.html

    VIDEO TV FIFA:

    Lambreta na Copa do Mundo Sub 17 em 2012. Contra o México:

    https://www.youtube.com/watch?v=m2AO_pC1ihc

    VIDEO TV FIFA:

    Lambreta na Copa do Mundo Sub 20 em 2014. Contra a Alemanha:

    https://www.youtube.com/watch?v=4vOK13nkFeU&index=141&list=PLzdF4DLW4O6thVMp_VOL70va9YXLfv40s

    VIDEO TV FIFA:

    Lambreta e Golaço na Copa do Mundo Sub 17 em 2014. Contra a China:

    http://www.fifa.com/u20womensworldcup/videos/y=2015/m=3/video=wow-awesome-skill-rainbow-flick-by-byanca-2556511.html

    VIDEO TV FIFA

    Gol eleito como o mais Bonito da Copa do Mundo Sub 17 em 2012, no Azerbaijão

    http://www.fifa.com/tournaments/archive/u17womensworldcup/azerbaijan2012/goalofthetournament/video/video=1783419/index.html

    Reportagem da FIFA: “ Byanca dribla as dificuldades e encanta o mundo! “

    http://www.fifa.com/tournaments/archive/u17womensworldcup/azerbaijan2012/news/newsid=1710674/index.html

    Reportagem da CBF

    ” BYANCA BRASIL a Jogadora dos Lances Bonitos! ”

    http://www.cbf.com.br/noticias/selecao-base-feminina/byanca-a-menina-dos-lances-bonitos#.VYghOkb0-RQ

    VIDEO 03 – CANAL YOU TUBE “CLAUDINO DE MELO”.

    Vídeo resumo dos melhores momentos da carreira da Byanca Brasil!

    VIDEO – CANAL YOU TUBE “CLAUDINO DE MELO”.

    Byanca faz nove gols em dois jogos treinos contra a Seleção da Austrália

    VIDEO – CANAL YOU TUBE “CLAUDINO DE MELO”.

    BYANCA BRASIL COM A ANA MARIA BRAGA, NO PROGRAMA MAIS VOCÊ

    VIDEO – CANAL YOU TUBE “CLAUDINO DE MELO”.

    BYANCA BRASIL COM A GLENDA NO ESPORTE ESPETACULAR

    VIDEO – CANAL YOU TUBE “CLAUDINO DE MELO”.

    VIDIO REPORTAGEM: SBT RIO, “Ao Vivo”.

    MEUS CONTATOS:

    – E”MAIL – coronelclaudino@globo.com

    – TEL – Nextel- 55-21-96437-6808, Tim- 55-21-96969-3926

  3. Caio Bellandi disse:

    A situação do futebol feminino é peculiar. Não atrai atenção do público como outras modalidades, como o vôlei e até mesmo o basquete. A diferença nesses esportes entre homens e mulheres é bem menor. Acredito que, dada a capacidade física das mulheres, algumas alterações na regra sejam necessárias, como tem nesses outros dois esportes.

    Quanto aos problemas, é o mesmo dos outros esportes olímpicos, ou o os “esportes não-futebol”: falta investimento na base, como brilhantemente dito pela autora.

    Acho que a equiparação com o futebol nunca haverá. Mas o mínimo é uma equivalência com as demais modalidades.

    Ou seja, nunca vai ser o futebol, mas deveria ser mais.


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Em seus mais de cinquenta anos de carreira, teve passagem marcante pelos principais veículos de comunicação do país, de todos os tipos de mídia, como Rede Globo, SporTV, Revista Placar, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Portal Terra. Além de um expoente do jornalismo esportivo brasileiro, também é advogado de formação.

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Natural de Brasília, mas residente em São Paulo desde que se conhece por gente, é um apaixonado por esportes e pela “sétima arte”. Jornalista e advogado, busca tratar o futebol com a descontração que lhe é peculiar, com o compromisso da boa informação e opinião consistente.

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Nascido dias após a seleção de Telê encantar o mundo e não levar o caneco na Copa da Espanha, esse paulistano atua e segue aprofundando estudos nas suas principais paixões: futebol e cidades. Especialista em gestão do esporte, como jornalista também encara o futebol como fenômeno cultural.

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“Prata da casa” oriundo da Coluna do Leitor, este internacionalista é tão louco por futebol que tratou do tema até em seu TCC. Mestrando em Análise e Planejamento em Políticas Públicas, neste espaço une o gosto por escrever com a paixão pelo esporte mais popular do mundo.

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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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