Tite: entre a competência e o milagre

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Confesso que me animei muito com as atuações da nossa Seleção nesses dois primeiros jogos da “Era Tite”. Um futebol convincente, sólido e sem abdicar das nossas características mais caras: o drible, o improviso, enfim, a alegria de jogar futebol. E não foi só Tite, foi Gabriel Jesus, Coutinho, Neymar – que parece ter voltado definitivamente para o posto que é seu por direito e por talento. Mas sejamos francos: alguém duvidava de tudo isso?

Comecemos por Tite. Ele já foi fundamental nessas duas partidas, mas creio eu que não pelas razões que vêm sendo apontadas. Não foi o “dedo” do treinador que forjou o talento de Gabriel em Quito, tampouco os dribles de Philipe Coutinho em Manaus. O grande mérito do treinador foi fazer o simples, sem grandes invenções e malabarismos. Fazer o simples com humildade, com a sinceridade de compreender que não dá para revolucionar tudo em dois jogos, sendo assim necessário manter a base de Dunga (ou alguém acha que Alisson é uma unanimidade nacional?), para a partir disso fazer um time com sua cara e seus conceitos. Conceitos que estão a anos-luz de distância dos de Dunga e que farão diferença no médio e longo prazo.

Mas não basta Tite, porque ele não entra em campo e não é mágico – haja visto que nem ele fez milagre com o elenco corintiano deste ano. Apesar da grande massa de torcedores e comentaristas brasileiros terem insistido no contrário nos últimos anos, essa geração é muito boa, a melhor desde 2006 e com um enorme potencial. Digo isso desde o mundial sub-20 de 2011, daquele time comandado pelo Ney Franco, liderado por Oscar, Casemiro (que teve atuações dignas de um gigante à época, especialmente na partida contra os mexicanos quando jogou até de zagueiro), Henrique (hoje no Grêmio), Philipe Coutinho, Felipe Anderson… como vibrei com aquela seleção! Ainda mais quando Dudu e Negueba vinham do banco, arrebentando com qualquer zagueiro que vinha pela frente. Em suma, temos uma ótima geração (talvez melhor que a belga…), favorita para 2018, que soma a todos os nomes que citei, os de Neymar, Lucas Moura, Gabriel Jesus, entre outras promessas, como vimos no ouro olímpico. Sou capaz até de afirmar que se a Copa no Brasil fosse quatro anos depois, o hexa viria em casa. Há dois anos, Neymar disputava sua primeira Copa e essa geração era imatura demais para a responsabilidade que carregou.

Entretanto, é bem mais fácil dizer quando perde que essa é a pior geração de todos os tempos, porque não tem nenhum craque. Ou quando ganha, dizermos que só faltava comprometimento, vontade, porque, afinal, alemães, espanhóis e italianos não ganham dinheiro com futebol. Faltava um técnico, agora temos o melhor que podemos fazer no Brasil, com tudo de bom e de ruim que isso significa. Que não é um deus, apenas faz o que tem que ser feito. Assim, com conclusões fáceis e às vezes exageros, chegaremos na Rússia.

3 comentários em: “Tite: entre a competência e o milagre

  1. Concordo, em geral! O pessoal simplifica demais, se a Seleção ESTÁ mal, é porque o nosso futebol É ruim, ou porque os jogadores NÃO TEM comprometimento. O potencial existe, e agora com um técnico de verdade a coisa deve ir pra frente 😉

  2. Um time começa pelo setor de meio campo ,ele encaichou jogadores que a bola não queima nos pés . Paulinho e William ainda estão fora do rítimo dos demais ,porém vamos aguardar. Só não convocar Fernandinho ,Luiz Augusto , jogadores que não dão um passa de 5 mts tudo bem rssss.

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