Tite na Seleção é a vitória da romântica meritocracia

Créditos da imagem: Lucas Figueredo / Mowa Press

No futebol, jogadores e treinadores que ainda pautam sua carreira por ideais românticos veem na seleção o topo.

Aprisionado em uma estrutura política de sofisticação quase secular, o futebol brasileiro hoje se vê subjugado à CBF no esquema FIFA, e não parece que será tão cedo que isso irá mudar sem uma franca revolução.

Portanto, se Tite escolhe a Seleção Brasileira para realizar um sonho, tem que se submeter a isso. Não é um erro estratégico. É a realização de um sonho. Se outro dia o treinador assinou um documento redigido pelo Bom Senso objetivando a saída de Del Nero da CBF, não pode ser, por isso, privado de colocar a realização de uma meta pessoal de vida acima de qualquer ideologia corporativa. Seria hipócrita criticar.

Tite esgotou a resistência em aceitar a Seleção, depois de várias recusas. Correu risco com isso, pois sabe que a fama de gênio de um treinador pode decair para a de ultrapassado em pouquíssimo tempo e uma chance pode nunca mais despontar, diante de tão intensa concorrência. Ainda abusou da ética ao tirar ano sabático em 2014 para assumir o time nacional depois da Copa, mas o convite não veio por razões que se explicam pela estrutura já falada anteriormente.

Nos clubes brasileiros o treinador não tinha mais para onde evoluir. Conquistou tudo o que faltava no Corinthians, e só a Europa representaria progresso, em matéria de carreira em clubes. Mas a seleção é o topo dos românticos, e era para lá que Tite queria ir. A despeito de todos os problemas da Seleção, o peso do futebol brasileiro, com todos os craques que surgem ano a ano para enriquecê-lo, é muito maior do que a reputação suja da entidade que o comanda. Não se pode desprezar um patrimônio nacional tão imponente por estes arranhões.

Se continuamos acreditando na meritocracia, Tite faz, sim, um favor ao nosso futebol ao aceitar o convite. Se a CBF precisou de Tite agora e só por isso o convocou, não importa: que se aproveite que a entidade fez política para, colateralmente, se ver os pingos nos is. Ao fim, o cargo de treinador mais importante está ocupado por quem mais o merecia. Tite surge como um sopro de bonança que permite sonhar que a tempestade está no começo do seu fim.

2 comentários em: “Tite na Seleção é a vitória da romântica meritocracia

  1. Concordo totalmente! Fiquei especialmente satisfeito ao ver a alegria que Tite demonstrou na coletiva, e a noção de que foi uma conquista à qual ele agora deve se mostrar à altura. Muito bom ver alguém que não quer se colocar como acima do bem e do mal, como se fosse o supra-sumo e a Seleção não fosse nada mais do que o natural (como penso que agia o Mano, por exemplo).

  2. Pela primeira vez em muito tempo, os brasileiros irão torcer pela Seleção Brasileira. Estou ansioso pelos jogos contra Equador e Colômbia (embora ninguém faça milagre, acho que o Tite já vai contagiar os atletas e dar um pouquinho da cara dele na parte tática). 😉

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