Tite talvez não seja a solução da Seleção Brasileira

Créditos da imagem: superfourpaulista.com.br

A invejável sequência de títulos do Corinthians, desde 2011, colocam Tite como barbada na bolsa de apostas para uma eventual substituição de Dunga na Seleção Brasileira.

E não é para menos. São seis conquistas nos últimos cinco anos: Brasileiros (2011 e 2015), Libertadores (2012), Mundial (2012), Recopa (2013) e Paulista (2013) –vale lembrar que em 2014 o técnico do Corinthians foi Mano Menezes.

Tamanho sucesso tem gerado um movimento unânime na sua defesa para o cargo de técnico do Brasil. Gente que conhece o futebol a fundo, como colegas colunistas, inclusive daqui do No Ângulo, fazem competentes defesas da indicação de Tite.

Segundo consta, ele já teria dito “não” a um emissário da CBF, mas, como o assunto permanece em pauta, vou dar uma de advogado do Diabo.

Acho que uma decisão importante como a escolha do técnico da Seleção deveria responder a perguntas muito objetivas, como:

1) a dinâmica de dirigir uma seleção é a mesma que a de um clube?;

2) as características que fazem um treinador ter sucesso em um time são as mesmas que se exige em um selecionado?;

3) o bom trabalho em um clube de primeiro nível é por si só a certeza de sucesso sob a pressão e o tempo exíguo das seleções?.

A análise de um nome deve levar em consideração mais do que os resultados recentes. É preciso observar toda sua trajetória. Antes do Corinthians, Tite era considerado um técnico de médio para bom.

Havia vencido a Série B do Gaúcho pelo Veranópolis (1993), três Estaduais por Caxias, Grêmio e Inter (2000, 2001 e 2009), uma Copa do Brasil (2001-Grêmio) e uma Sul-Americana, pelos rivais Grêmio-2001 e Inter-2008.

Não era pouco, mas também não era tanto como hoje.

O que teria feito Tite dar esse salto de qualidade? Em minha opinião, ele teve acesso a um produto preciosíssimo no futebol, mas em falta nas seleções: tempo para trabalhar.

A direção do Corinthians adotou essa proposta de trabalho na Libertadores de 2010, quando renovou o contrato de Mano Menezes logo após a eliminação diante do Flamengo nas oitavas de final do torneio. De provável demitido, Mano seguiu seu trabalho com sucesso e conseguiu o cargo de técnico da Seleção menos de um ano depois.

Tite também teve essa chance no famoso desastre contra o Tolima, na Libertadores de 2011. Quando todos esperavam sua demissão, teve o tempo de trabalho renovado, pôde reorganizar o elenco e partiu para sua série de conquistas.

Mano, por exemplo, saltou do Corinthians para a Seleção. A paciência com seu trabalho não durou mais do que alguns amistosos. Sofria críticas por testar jogadores demais, por não ganhar clássicos internacionais etc. Quando começava a mostrar alguns avanços, foi demitido.

Tite vive em um clube que obedece seu ritmo e comando. Trabalha todos os dias com o elenco. É competente, criativo e tem o tempo necessário para ensinar a todos o que ele quer que seja feito em campo. Por isso, o excelente Brasileiro de 2015, com o título coroado pela goleada por 6 x 1 dos reservas sobre o rival São Paulo. Durante o Brasileiro, o Corinthians teve problemas de contusões, como Fagner, Uendel, Bruno Henrique, Ralf, Luciano etc. Mas mantinha o rendimento porque todo o grupo estava devidamente treinado.

Terá Tite as mesmas condições na Seleção? Provavelmente, as cobranças serão muito maiores em período de definição de vaga nas Eliminatórias, e do estado de espírito de uma torcida ainda traumatizada pelos 7 x 1.

A dinâmica de seleções é muito diferente. É preciso ter características bastante específicas para trabalhar em ritmo alucinante e sob enorme pressão.

Claro que Tite merece a chance de provar sua capacidade. Mas a torcida e os conhecedores do futebol precisam estar preparados para um resultado diferente do esperado. Tite já provou que, com tempo, forma equipes muito competitivas em clubes. O que se pediria, em uma indicação da CBF, é que mostrasse se possui também as outras características exigidas pelo cargo.

Alguém se arrisca a cravar desde já a resposta?

12 comentários em: “Tite talvez não seja a solução da Seleção Brasileira

  1. Olha, Emerson Figueiredo, concordo que o Tite não é garantia de sucesso na Seleção. Mas é, sem dúvidas, quem é reconhecido pelo brasileiro (incluindo os jogadores) como alguém capaz de mudar as coisas.

    Garantia de sucesso ninguém é em nada, nunca… mas vendo como em 2015 ele foi capaz de, com pouco tempo de trabalho, já revolucionar o time do Corinthians em relação ao de 2014, do Mano, acho que é uma ótima mostra de que ele é sim capaz de transmitir em pouco tempo a sua mentalidade de trabalho.”

    Assino embaixo principalmente desta parte: “Mas a torcida e os conhecedores do futebol precisam estar preparados para um resultado diferente do esperado.” 😉

  2. Diferenças entre tite e dunga.
    Tite : ele é incentivador, Tem comando e liderança, e faz os jogadores jogar… enquanto dunga põem o time pra jogar e pronto.
    claro que tite não vai sair do corinthians pra pegar um barco afundando.

  3. Acho que não adiantaria muito tempo para o preparo da seleção se o Tite não tivesse se reciclado na Europa. Seria um Dunga melhorado.

    1. Exatamente isso, ninguém quer ir pra europa por causa dos grandes clubes e sim pelos altos salários. Defendem a seleção tirando o pé pra não se machucar e se prejudicar no clube. O Tite seria uma solução pra dar outro modo de pensar na seleção, trazer de volta o sonho que todo mundo que joga bola tinha.

  4. Temos problemas maiores que o técnico na seleção brasileira. Nossos jogadores são omissos além de uma qualidade mediana. Quando trazemos Oscar , Fernandinho , é o Willian que para muitos é craque ,vamos querer o que. Vi entrevista de nossos jogadores , dizendo que iriam jogar em função de Neymar ,uma idolatria a um único jogador .Nossa seleção é medrosa , toca de ladinho , um meio campo medíocre ,prefiro não ir a Rússia com esta baba ,Nem Deus da jeito nesta mediocridade rss

  5. O Tite além de ser insuportavelmente chato (tente ouvir uma entrevista completa dele), não teve nenhum planejamento de jogo (fomos muito mal até os 20 minutos contra o México e tomamos um “baile” estratégico da Bélgica). Convocação muito ruim (não convocou os melhores e sim “os amigos corinthianos” e não teve a coragem de cortar os contundidos. Não exerceu NENHUMA liderança sobre o NEYMAR, parecendo até que tinha MEDO dele. Ratifico que o Tite, como comandante, por OMISSÃO, é um dos maiores responsáveis pelas palhaçadas feitas pelo Neymar).
    Para mim, iria EMBORA AGORA.

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