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Um toque sobre a mixórdia que é o futebol

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Créditos da imagem: Leicester

Tento acomodar o foco de minhas palavras neste espaço, como se fossem auto injunções sobre o futebol nordestino, quando muito apenas divagando sobre a atmosfera do norte. Mas essa geografia que a muitos pode parecer lógica, coerente e justificada, na verdade não é nada disso, pois é necessário respirarmos a atmosfera dos clubes e do futebol em seus locais para formarmos opiniões e ideias mais consentâneas com suas realidades.

O parágrafo inicial tenta justificar algumas digressões geográficas, já que não faltam temas candentes e instigantes em nosso país que nos chamam a atenção. A presença da empresa belga Double Pass, tentando vender sua expertise em estruturação das categorias de base à CBF, a omissão das pessoas em geral no processo de reformulação da gestão da mesma CBF, casos de menor importância, mas curiosos como o que envolve outra vez o jogador Fred e sua egolatria, e numa perspectiva mais globalizada a atitude do treinador do Barcelona de solicitar acréscimo ao elenco que dirige, o case Leicester à luz da melhor divisão de receitas de televisão do planeta, como é a da Premier Ligue, entre outros fatos que pululam globo afora, são um pouco do alvo das minhas digressões.

Do alto direito do mapa do Brasil, onde pelos cabos submarinos transitam um incontável número de mensagens, conexões e documentos da World Wide Web, vemos a compressão de do mundo da informação, cuja tecnologia nos aproxima, numa das mais eloquentes expressões inclusivas e democráticas planetária. É assim que também o futebol se interliga, desse modo aprofundando o processo de globalização que igualmente vai assumindo contornos de unificação das identidades por essa fantástica acessibilidade.

Mais um bom evento

Evento educacional e formador bom é aquele que produz conhecimento, efeitos perceptíveis e duráveis, e eis o que foi o Encontro realizado entre o treinador da Seleção Brasileira Sub-20 de futebol feminino, Doriva Bueno e o staff cearense da modalidade. No mesmo evento, que teve como local a Federação Cearense de Futebol, esteve presente o Diretor de Futebol Profissional do Ministério do Esporte, Romeu Castro, que vai além de um mero burocrata ou mesmo tecnocrata. Romeu é um profundo conhecedor do futebol feminino e da gestão do esporte. Portanto, só agregou valor ao encontro.

Mas considero como o grande achado do encontro, a ideia da busca pela unificação da metodologia de formação das atletas, sobretudo a partir do entendimento de que a seleção não é lugar para isso, e sim os clubes e projetos aos quais elas estão vinculadas. Portanto, isso muda não só nossa visão do processo, como estabelece a necessidade de revisão dos princípios. E assim trabalharemos daqui por diante. É como a história da mente que se expande que felizmente não mais volta a seu estado dito original.

Mais digressões

Comitê de Reformas do Futebol da CBF. A participação pífia de agentes e pacientes retira um tanto de legitimidade das ações desta iniciativa. Todavia, temos que reconhecer que a inclusão de todos os pontos cardeais brasileiros seria importante para construirmos uma política nacional para o futebol. Uma reformulação progressista, criteriosa e inclusiva das 64 páginas do estatuto da entidade é de imensa importância para o futuro do nosso futebol. Afinal, vivemos o momento em que o futebol internacionalizado é mais football e soccer que futebol.

Reformulação da metodologia de formação da base. A CBF mostrou-se insensível, ao que parece, à expertise e aos consagrados cases de sucesso da empresa belga Double Pass. Essa consultoria esportiva presta serviços para a Federação Alemã de Futebol, para a Premier League, para a Federação Belga de Futebol e para os EUA, além de um total de 500 clubes. Mais uma vez, vale ressaltar o link entre o que pode ser feito em nível macro e em termos microrregional.

Fred e seu culto à egolatria.  Creio que discutirmos as idiossincrasias do Fred nos rebaixa um pouco como comentaristas. É como se isso fosse algo relevante no contexto da gestão esportiva. Não vejo exatamente como briga o confronto de quem tem juízo com outro que age como se não tivesse e a quem falta resiliência. A dificuldade do Fred em ser comandado talvez guarde uma estreita relação com seus exorbitantes proventos. Talvez isso o desloque da realidade corporativa e reforce nele a rejeição à observância de um mínimo de hierarquização.

O fenômeno Leicester. Dele, sem dúvida, – aí sim – podemos pinçar algumas situações com caráter senão de injunção, mas axiomático. Como esporte coletivo, o futebol permite que um ajuntamento de jogadores entre bons e medianos possa superar um elenco de jogadores tidos como de melhor qualidade técnica. Outro aspecto antiparadigmático é o de que o dinheiro não resolve tudo no futebol. Há soluções que passam pelo aprimoramento da eficiência dos processos de gestão e de treinamentos, pela inovação e pela busca da excelência dos aspectos coletivos do jogo. E para não falarmos em separado do aspecto socializante da divisão de receitas da Primeira Liga Inglesa, cabe conectarmos tal realidade ao surpreendente Leicester City, como elemento potencializador do sucesso desta equipe.

Não há geografia que resiste ao poder de unificação dos conceitos universais do futebol destes tempos, razão pela qual o norte, o nordeste, o sul, o sudeste e o centro-oeste brasileiros de alguma forma se acham conectados.

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Escrito por:

- possui 4 artigos no No Ângulo.

Benê Lima é Radialista (apresentador, âncora, comentarista), Presidente da Liga Cearense de Futebol Feminino (LCFF), Coordenador do Futebol Feminino da FCF e Membro do Conselho do Desporto do Estado do Ceará.

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4 respostas para “Um toque sobre a mixórdia que é o futebol”

  1. Vicente Prado (Coluna do Leitor) Vicente disse:

    Excelente!

  2. Ricardo Matos disse:

    Abordagem sensata sobre o egocentrismo do ser humano Fred, trazendo conceitos que vão além do que se observa entre “quatro linhas.

    O Leicester City fortalecendo os conceitos da aplicação do “capital intelectual “e científicos no futebol, uma grande lição.

    Belo artigo, salve salve Benê Lima!


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Formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Redator, repórter, pauteiro e editor-assistente da editoria de Esportes da Folha. Trabalhou também na Folha da Tarde, Agora São Paulo, BOL, AOL e UOL. Paulistano, acompanha de perto o futebol desde a época em que os camisas 10 dos grandes times paulistas eram Pelé, Rivellino, Gérson/Pedro Rocha, Ademir da Guia e Dicá.

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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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