Vasco no Brasileirão: 6 motivos para acreditar no milagre. E 6 para encomendar o velório

Créditos da imagem: Jornal O Dia

Pelas oitavas de final da Copa do Brasil, o Vasco venceu o primeiro jogo contra o rival, Flamengo, e deu uma injeção de ânimo nos torcedores. A situação no Brasileirão, entretanto, é muito preocupante. E com o segundo turno começando neste final de semana, resta ao Gigante da Colina se apegar em alguns motivos para acreditar no milagre, ainda que tenha alguns para encomendar o velório.

Se me perguntarem se acho que o Vasco vai cair, eu diria que sim. Mas caso a pergunta fosse se acho que tem salvação, a resposta também seria positiva.

É engraçado, o futebol prega peças quando se tenta cravar alguma coisa. Mais ainda faltando meio campeonato pela frente. Terminado o primeiro turno, os números e o futebol jogado pelo atual lanterna do Brasileirão nos induzem a achar que já era. Já há torcedores que acreditam nisso.

Mas como eu falei antes: no futebol não há lógica. E para se salvar, o Vasco precisa mirar em bons exemplos. Olhando para o lado, algumas campanhas dos rivais servem de espelho. A épica reação do Flu em 2009 para se manter na primeira divisão é a melhor delas. Mas ainda tem as do Flamengo em 2007 e 2009, essas rumo ao topo da tabela. Para o vascaíno que não deseja ter os rivais como exemplo: o Goiás de Cuca, em 2003, saiu da lanterna para a 9º posição.

Dentre todos os motivos para acreditar (ou não), listo seis para cada lado:

 

PARA ACREDITAR:

1 – Novo treinador

Jorginho chega com pouca experiência. Mas além do novo ânimo que costuma ser dado sempre que chega um técnico, o próprio treinador aparenta estar disposto a reverter o quadro. Sabe que tem a chance da vida para mostrar serviço. Salvar o Vasco poderá colocá-lo em outro patamar na carreira.

2 – Returno

Ainda faltam 19 rodadas, bastante coisa. Se a campanha atual não é animadora, olhar para o futuro é necessário. Precisa somar pontos e os próximos dois jogos serão contra rivais diretos na luta: contra o Goiás num Serra Dourada praticamente campo neutro (talvez até com mais vascaínos) e contra o Figueirense em casa. Vitórias cruciais para o início da recuperação. Seis pontos que se tornam 12 e poderão fazer a diferença.

3 – Reforços

Após muitas contratações, a maior parte de qualidade duvidosa, o Vasco enfim, acertou a mão. Mesmo fora de seus auges técnicos e físicos, Jorge Henrique e Nenê já darão alguma qualidade ao combalido ataque cruzmaltino, de apenas oito gols no campeonato. E a tendência é melhorar. Nenê, experiente e vitorioso, é candidato a ser o principal nome da reação vascaína.

4 – Concorrentes

Sim, o Vasco é o lanterna, o que obviamente mostra que seu elenco não é nenhum primor. Mas nome por nome, há times tão fracos quanto, e até mais fracos. Alguns já perderam ou começam a perder fôlego, caso de Goiás, Figueirense e Avaí. Além dos três, Coritiba e Joinville são parceiros do Vasco na zona de rebaixamento desde o começo do campeonato. Cinco nomes que podem estar atrás do Gigante da Colina ao fim do campeonato, salvando o ano cruzmaltino.

5 – Histórico de time da virada

Quando se fala em virada no futebol, não há melhor lembrança que o título da Mercosul de 2000, conquistado pelo timaço vascaíno, capitaneado por Romário. Há muitas diferenças entre aquele jogo e a situação de hoje, mas é preciso se apegar à mística e à história nessas horas. O peso da camisa pode fazer diferença, principalmente com o apoio da torcida. E isso não falta ao clube.

6 – Copa do Brasil

O primeiro confronto contra o Flamengo já deu uma sobrevida aos torcedores. A nova vitória em cima do rival pode ser um combustível para uma sequência de êxitos, a começar pelo próximo jogo, contra o Goiás. Se passar de fase em cima do rival, na próxima quarta, o Vasco ganha moral e poderá recuperar a confiança para a difícil missão de continuar na Série A.

 

PARA JOGAR A TOALHA

1 – Novo treinador

Jorginho chega sem tanta experiência e com pouca relevância em seus trabalhos. Após surgir colocando o América em final de turno do Carioca, teve apenas uma boa campanha na Série A com o Figueirense em 2011, além do vice da sul-americana com a Ponte Preta, em 2013. Fora isso, já tem dois rebaixamentos no currículo: esteve no Goiás que caiu em 2010 e na própria Ponte Preta em 2013, quando acabou rebaixado.

2 – Pressão

Ainda faltam 19 jogos, um turno completo. Mas nos primeiros 19 jogos, foram apenas 13 pontos.  A campanha é a pior da história vascaína e a lanterna da competição deixa o Vasco oito pontos longe de sair da zona. Ou seja, é provável que mesmo que emende três vitórias seguidas, o cruzmaltino continue no Z4. A pressão por vitórias será imensa.

3 – Elenco

Ainda que tenham times piores, é inegável a fragilidade do elenco vascaíno. Alguns nomes sequer deveriam estar na primeira divisão, muito menos em um clube grande. A ruindade alheia acaba afetando bons jogadores, que já não rendem o que rendiam na conquista do Estadual – que aliás, como quase sempre, acabou enganando torcida e diretoria.

4 – Concorrentes

São alguns os times fracos no Brasileirão e há vários candidatos à queda. Mas todos já apresentaram algum bom momento no torneio: Goiás e Avaí começaram bem; Figueirense se manteve boa parte do tempo fora da zona; Coritiba e Joinville, parceiros do Vasco desde o começo, começam a dar sinais de recuperação e somaram duas vitórias cada nos últimos jogos. Nenhum time perdeu tanto quanto o Vasco, nenhum outro ganhou tão pouco. Assim como nenhum fez tão poucos gols e sofreu tantos. O Vasco é lanterna absoluto da competição. Mesmo com “times piores”, e isso preocupa.

5 – Histórico de rebaixamento

Que o Vasco é um clube imenso, ninguém duvida. Mas neste século, após flertar com o rebaixamento algumas vezes, como em 2004, acabou caindo em duas ocasiões: em 2008 e apenas cinco anos depois, em 2013. Ou seja, em menos de dez anos, são duas quedas. O que acaba colocando o clube como um sério candidato ao rebaixamento, não só pela própria péssima campanha, como também pela história recente.

6- Copa do Brasil

Disputar a competição em paralelo pode ser um problema. Mesmo que avance e despache o rival, o Vasco vai ter que se preocupar com, pelo menos, mais dois jogos no meio de semana, num momento do ano em que não haverá mais tanto tempo para treinar. Também não poderá focar só no Brasileiro, já que uma possível eliminação para o Flamengo poderá jogar por terra qualquer chance de esperança na torcida. Ou seja, óbvio que lutar para avançar é necessário, mas passando ou não, a Copa do Brasil poderá trazer problemas ao Vasco.

 

A conferir se o desfecho dessa história terá tons de um dramalhão mexicano ou de um típico final feliz hollywoodiano.

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