Vim, vi e o Real Madrid venceu – O relato de um torcedor brasileiro presente na final da Champions

Créditos da imagem: Acervo pessoal/Dante Grecco

Não vou me ater ao que todo mundo viu dentro de campo, já que a superioridade do Real Madrid foi tamanha, que, acredito, ninguém questionou o resultado.

De modo que vale comentar alguns aspectos extracampo:

Cardiff

Não conheci direito. Por conta do trânsito, chegamos meio tarde e fomos direto ao estádio. Mas deu pra ver que a cidade é um encanto, com belos castelos, construções históricas e outras atrações turísticas. Vale, um dia, colocá-la no roteiro e se perder algumas horas pelas ruas da capital do País de Gales;

Torcida

A cidade recebeu, no mínimo, 75 mil visitantes, a capacidade do estádio, lotado na decisão. Apesar dessa multidão, não vi nenhuma confusão antes, durante, e nem depois da partida. Antes da decisão, torcedores da Juventus e do Real andavam juntos e misturados pelas estreitas ruas de Cardiff. Nada de brigas, provocações ou confusões. Italianos eram maioria. Mas também havia grupos de amigos com camisas dos dois times bebendo cerveja juntos. Vi muitas famílias com crianças com camisas dos dois times. Creio que se a Juventus ganhasse, a festa teria sido bem maior. Os madrilenhos eram minoria e, creio, pela quantidade de conquistas, não estavam lá muito eufóricos. Não vi um local de comemoração. Após o fim do jogo a maioria foi embora tranquilamente. Mas, pelas ruas, claro, havia muitos torcedores com baixo nível de sangue na corrente alcoólica. Sem grandes problemas;

Segurança

Confesso que fiquei preocupado antes, durante e depois do jogo. Vi muitos policiais fardados circulando pelas ruas. Devia haver muitos outros à paisana. Havia várias barreiras, que impediam o avanço de caminhões mal intencionados. Mas o ataque de um lobo solitário seria viável. Próximo do estádio só era possível chegar com ingresso. A revista na entrada foi irregular. Um dos nossos passou com uma garrafa plástica de água dentro da mochila. Outro foi impedido de fazer o mesmo com uma de chá. Eu passei batido, após uma revista não muito diferente das que acontecem aqui. Não levei garrafa alguma. Um terrorista poderia ter acessado o estádio com uma metralhadora ou uma bomba? Certamente, não. Mas algum louco poderia se explodir no meio das ruas apinhadas de torcedores? Seguramente, sim. As pessoas deixaram de se divertir, beber e ir ao jogo com seus filhos? Não. Inclusive vi muitos brasileiros, portugueses, franceses, alemães, entre outras nacionalidades, que, a rigor, não estavam envolvidos na disputa. Pelo pouco que vi, os europeus não vão se deixar vencer pelo terrorismo;

Estádio

Belíssimo. Construído em 1999, com uma arquitetura leve e agradável ao olhar, fica ao lado de um pequeno rio e “encravado” no centro de Cardiff. Na lateral uma grande janela debruçada sobre o rio. Tem uma estação de trem ao lado. Por dentro, nada muito diferente dos estádios brasileiros. Escadas fixas meio estreitas e banheiros acanhados para grandes públicos. Quem já foi ao Pacaembu ou Morumbi não estranharia, de forma alguma, o odor reinante. No terceiro andar, onde ficamos, a visão do campo era excelente. Acústica perfeita. O teto retrátil estava fechado. Ainda bem, pois fora fazia um baita frio. Assentos confortáveis, porém estreitos. Ali, todo mundo viu o jogo de pé. Mas vi que a torcida da Juve, no térreo, assistiu de pé. Para beber, refris e cerveja Heineken quente e quase sem álcool. Horrível. Havia pouca comida. Longos minutos de espera para morder um hotdog seco, porém saboroso. Na nossa vez um cara do bar gritou que não havia mais sanduíches. Ninguém deu bola e não saiu da fila. Os sanduíches continuaram a ser servidos. Não entendi nada. Havia outras filas para comprar salgadinho de pacote. E só. Ao menos no nosso piso. Nada de pizza, calabresa ou hambúrguer, muito comuns na Arena Corinthians. Uma curiosidade sobre o custo do ingresso que ganhei: Categoria 2: 275 libras, cerca de mil reais;

Organização interna

Perfeita. Orientadores, policiais, bombeiros, enfermeiras… vi dezenas deles no nosso setor. Imagino que se houvesse algum imprevisto, tudo seria resolvido rapidamente;

O jogo

O match, como dizem, é a parte mais importante do espetáculo, que, na verdade, começou dois dias antes com shows e apresentações musicais montados em palcos nas cercanias do estádio. Fora isso, antes da partida, dois animadores de torcida de dentro do gramado ficam se revezando em cantar os gritos de guerra de cada time, enaltecer os jogadores e entrevistar/filmar alguns torcedores. Tudo passando nos excelentes telões. Também teve show dentro do campo, pouco antes de a bola rolar em um gramado, que, visto de cima, parecia um tapete.

Para quem vive e respira futebol há mais de 40 anos ver tudo isso de perto foi uma experiência fantástica. Lá, o futebol é visto como espetáculo, atrai grandes patrocinadores, rola muita grana. A cidade que abriga a final recebe um público imenso, que movimenta bares, hotéis, lojas, restaurantes, taxistas, etc… e etc… O povo vai, viaja e gasta…

Por que é tão difícil para os cartolas brasileiros colocarem algumas, apenas algumas, dessas ideias em prática por aqui?

4 comentários em: “Vim, vi e o Real Madrid venceu – O relato de um torcedor brasileiro presente na final da Champions

  1. Legal demais o seu depoimento, Dante Grecco! Confesso que tenho birra desses shows antes de eventos esportivos, mas se “todo mundo” gosta, realmente deveríamos fazer coisas do tipo. Infelizmente não conseguimos valorizar nada, é impressionante!

    Fiquei curioso sobre o jogo dentro de campo: o que achou de ver essas equipes atuando, em comparação com o que está acostumado a ver aqui no Brasil?

  2. Você deixou todo mundo com inveja agora!!!!!!!!!!!!

    E na final de 1998 eu lembro que a torcida da Juventus também era maioria, e o Real Madrid estava numa seca de 32 anos na Champions. Acho que são uns torcedores meio acomodados mesmo, que não tem a ver com cansaço de títulos não.

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